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Murilo Guimarães

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Região é conhecida pelas inúmeras vinícolas
Região é conhecida pelas inúmeras vinícolasFoto: Da editoria de Arte

No artigo anterior eu contei que havia dado uma escapulida do trabalho para conhecer essa famosa cidade argentina, berço do vinho naquele país. Viagem que já havia planejado algumas vezes, sempre esbarrando na difícil logística do acesso aéreo (ou terrestre). Não que atualmente seja fácil - longe disso, para um local tão turístico, de um país próximo - mas desta vez viabilizamos.

Fui com relativa baixa expectativa em face de depoimentos de alguns visitantes. “Cidade feia, sem nada para ver ou fazer, além das visitas às vinícolas”, foi o que sempre ouvi. Bom que assim tenha sido, pois terminei surpreendido por Mendoza, capital da província de Mendoza, no oeste da Argentina.

Limpa - ah, se Recife fosse ao menos parecida - muito arborizada (belos plátanos em profusão), com ruas e avenidas largas, boa estrutura turística (composta por hotéis, gastronomia e casinos de qualidade), tem também edifícios elegantes. Portanto, o parecer negativo que escutei... Pensando bem, foi emitido por amantes radicais do vinho, que certamente só tinham olhos para as garrafas!

Falemos dos produtores delas. Antes ressaltando a geografia da região. Aos pés da Cordilheira dos Andes, depende fortemente de seu degelo - cada vez menor, por queda crescente na precipitação de neve - para irrigação dos vinhedos. Visto que a pluviometria é baixíssima, em torno de 200 mm por ano. O solo é rico, calcário e argiloso.

Clima seco, com a temperatura variando do frio ao calor intenso, obrigando as vinícolas a manterem refrigeração nas suas adegas. Além de umidificadores. Irrigação, refrigeração e umidificação concorrendo para subir o custo do vinho! São cerca de 1.100 bodegas (como chamam localmente as vinícolas) distribuídas em três principais regiões: Luján de Cuyo, Maipú e Valle de Uco.

Organizamos o roteiro de tal forma que fizéssemos degustação em duas vinícolas por dia, no máximo. Almoçando em uma delas. A primeira jornada começou na Terrazas de los Andes, do grande e rico grupo LVMH, líder mundial do luxo. Não me lembro de ter visitado uma área produtiva tão grande, com tantos tonéis de aço e barris de carvalho!

Visita guiada bem conduzida, através de uma bela e antiga bodega, tal como a degustação, na qual fomos servidos pelo clássico branco Torrontés e pelo “rei de Mendoza”, o tinto Malbec. De lá partimos para a Ruca Malem, quase desconhecida no Brasil. Criada em 1998 por dois franceses - um oriundo da Chandon Argentina e o outro com experiência na Bourgogne - é uma vinícola muito respeitada pelos críticos.

Com espaço físico bem menor, ainda assim com uma produção expressiva, no volume e na qualidade. Foi lá o nosso almoço, servido com espumante, branco e tintos das linhas Yauquén, Ruca Malem e Kinién (top da Bodega). Trata-se de um menu com seis deliciosos e belos pratos, que ganhou prêmio de “melhor experiência em restaurante de vinícola do mundo”, conferido pela “Global Best of Wine Tourism”.

Modestamente, concordo com a premiação e recomendo vivamente a experiência enogastronômica. Se for lá, leitor, não esqueça de pedir uma sala no terraço para almoçar com uma vista privilegiada dos Andes. E com os ótimos vinhos da Ruca Malem, na esperança que aqui aportem, faça um sonoro tim, tim, brinde à vida.

EM DESTAQUE
Feira de vinhos Variedade

Em sua segunda edição, a mais expressiva feira de vinhos do Norte/Nordeste chega ainda maior. Este ano a VARIEDADE acontecerá nos próximos dias 15 a 17 de novembro (quarta a sexta), no RioMar Recife, trazendo, além dos veteranos, novos expositores.

Ocupando uma área de 800 m², no piso L3 do shopping, cerca de 200 rótulos de diversas nacionalidades, ilustrados por palestras de especialistas. Grande oportunidade para você aprimorar seu conhecimento e gosto pelo vinho. Contato: luanda@accriety.com.br.

*É médico e enólogo. Escreve quinzenalmente neste espaço. 

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