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Murilo Guimarães

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Espaço reúne arquitetura contemporânea e tradições
Espaço reúne arquitetura contemporânea e tradiçõesFoto: Divulgação

Ao pé da letra, existem muitas, não apenas uma. Em vários locais do mundo. Até aqui no Brasil, onde Bento Gonçalves concentra várias vinícolas e é rotulada como capital do vinho do país. Mas estou me referindo a “Cité du Vin”, um grande e moderno espaço dedicado exclusivamente à cultura do vinho, inaugurado há dois anos em Bordeaux.

Estava ansioso para conhece-la e resolvi me dar esse presente este ano. Concebida pelos arquitetos Legendre e Desmazières, seu formato remete a um decantador. Seu exterior curvilíneo em chapas de alumínio e vidro, que refletem a luz do sol, é de uma beleza impactante.

O interior, muito trabalhado em madeira, tantas vezes em arco, lembrando tonéis e caixas de vinho, acomoda várias salas com exposições permanentes ou temporárias. Na permanente, a história e a geografia vitiviníferas mundiais são apresentadas por meio de exposições temáticas interativas, com audiovisuais muito didáticos, em vários idiomas. Existem também ambientes para degustações e experiências sensoriais. Pense num local onde você aprende tudo sobre vinho, leitor!

É um verdadeiro (e agradável) curso intensivo. Para ser bem feito, com uma duração mínima de dois dias. Mas agora vale falar das exposições temporárias. Na data da minha visita tive uma sorte incrível. Deparei-me com “O vinho & a música, harmonias e desafinos” (tradução livre de Le vin & la musique, accords et desaccords).

Belo passeio pela história, ao longo dos séculos, expondo a forte ligação entre a música, a literatura, o teatro e o vinho. Uma maravilha - porque não tem palavra que exprima melhor que essa - verdadeiro banho de cultura. Vou tentar lhe falar sobre o tema nas futuras colunas.

No final, concluímos a visita no Belvedere, um salão com vista de 360° onde se encontra amplo bar com opções de taças de vinhos de vários cantos do mundo. Ainda que antecipasse uma “furada”, resolvi pedir um tinto da Geórgia (ex-União Soviética), o berço da vinicultura.

Fui de Tbilvino da casta Saperavi. Acertei na aposta! Bom não, amigo (com o perdão do produtor). Mas valeu pela vivência. Há ainda uma loja com ampla oferta de garrafas - encontrei nela até o Rio Sol, do nosso Vale do São Francisco - que você consome in loco ou leva pra casa.

Vou resumir meu conceito da Cité du Vin, com uma simples expressão francesa, padrão Can-Can: uh la la! Se tiver oportunidade, amigo, faça como 400 mil pessoas que visitaram o espaço no ano passado. Vale muito o esforço. Esforço? Além do prazer turístico, você ainda usufrui de uns dias sem saber se Lula fica ou sai da cadeia, da corrupção, do PT, da 2ª turma do STF... Ah, como essa ilusão temporária faz bem! Queria muito mais tempo imerso nela. Como não dá, fico com meu tim, tim, brinde à vida.

*É médico e enólogo e escreve quinzenalmente neste espaço

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