Baco & cia

Murilo Guimarães

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Semana passada, no Pobre Juan, por louvável iniciativa do amigo Marcelo Guerra, fomos apresentados a esta vinícola italiana, localizada no sul da Toscana. Trata-se de uma “jovem”, nascida em julho de 2014, com a primeira safra colhida em 2015 - a que nós degustamos - mas já apresentando serviço.

Dos bons! Sediada em uma fazenda (significado de podere em italiano), tem área aproximada de 200 hectares, a grande maioria de florestas, onde se pratica a caça de animais silvestres. Essa propriedade, parte de uma outra vinícola toscana, foi adquirida por um grupo empresarial italiano que decidiu entrar no mundo do vinho.

Bem-vindo Silvio Medini, de cujo sonho nasceu a Podere Montale. Foi um prazer lhe conhecer naquele saboroso jantar, companheiro. Segundo ele, as vinhas abrangem 18 hectares, plantadas com a casta autóctone Sangiovese e as internacionais Merlot e Cabernet Sauvignon.

Que dão origem a quatro vinhos tintos, sob influência do solo vulcânico do Monte Amiata (um vulcão adormecido), aos pés do qual se localiza a vinícola. O Peposo, base da linha, mescla das três castas, é um vinho jovem, bem fresco e agradável, engarrafado sem passar em barricas.

Ótimo para pratos leves, sejam massas ou proteínas grelhadas. A seguir, três vinhos mais maduros, que são envelhecidos em madeira. Primeiro o Rosso IGT Toscano, outro corte das três uvas, mais encorpado, se adequa a pratos com maior densidade de sabor ou com molhos.

Seguem o Maremma Toscana Sangiovese DOC e o Montecucco Sangiovese DOCG, elaborados com 100% da casta Sangiovese. O Maremma é envelhecido em pequenas barricas e o Montecucco em tonéis de 3.000 litros, o que confere alguma diferença aos dois vinhos, o Montecucco sendo mais denso e persistente.

Mas revelo que achei o Maremma mais “redondo”, mais pronto para beber agora. Ambos com mais complexidade, têm aroma de especiarias picantes e paladar de frutas. A Montale, tal qual muitas das propriedades toscanas, também mantém uma área de plantio de oliveiras, produzindo azeite de alto gabarito, segundo as boas línguas. Produtos - vinhos e azeite - que você pode provar desfrutando da hospedagem na “podere”.

Sim, eles exploram o enoturismo, dividindo democraticamente conosco a beleza do local. Dá uma olhada no www.poderemontale.it e depois me diga. Faltando dizer que o Sergio Medini, quando nos falou sobre a filosofia da empresa, fez questão de enfatizar um senso de sustentabilidade, de agricultura conservativa, bem ao gosto das boas práticas atuais.

Segundo ele, a vinícola está “comprometida em devolver à natureza aquilo que ela nos dá a cada safra”. Que assim seja. Para que a cada safra a natureza daquela linda região possa nos dar vinhos ainda mais saborosos.

Pensando bem, acho que estou sendo ganancioso, leitor. Os que degustei estavam tão bons... Mas ganância vinífera tem indulgência plenária. Então, tim, tim, brinde à vida. Finalizo com um recado: Se não mudar, fica tudo como está! Reflita no dia 07/10.


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Bom livro de vinhos

Este ano a importadora Porto a Porto, nascida em Curitiba e representada em Recife pela Veloz Distribuidora, completa duas décadas e como parte das comemorações lançou o livro digital “O Mundo do Vinho da Porto a Porto”. A intenção é disseminar conhecimento, contribuindo para a apreciação desta bebida.

A publicação é dividida em quatro capítulos que estarão disponíveis a partir de 11/09 (um capítulo por semana e posteriormente a obra completa). O texto é bem explicativo e com interessante diagramação. Para fazer download, basta acessar o link https://bit.ly/2oVgIDD, preencher um cadastro e baixar gratuitamente. Se tiver dificuldade, contate a Porto a Porto.

*É médico e enólogo. Escreve quinzenalmente neste espaço

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