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Murilo Guimarães

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As confrarias começaram com os "collegia" romanos
As confrarias começaram com os "collegia" romanosFoto: Da editoria de Arte

Enxergo uma atual proliferação delas. A maioria com vinho no seu foco, mas cerveja também tem ocupado seu espaço. Mas por que elas existem? Tudo começou com os “collegia” romanos, seguidos, na idade média, pelas “gildas” ou “guildas” germânicas. Na época denominadas irmandades, ou fraternidades, reuniam pessoas tendo como objetivo e fundo ideológico a doutrinação cristã.

Porém, segundo as “boas” línguas, incluindo um bom banquete, com belas servas sendo disputadas pelos confrades, literalmente, “a tapas”. Essa história (ou costume) sempre se reciclando e se repetindo, amigo! Existiam igualmente associações laicas, invariavelmente envolvidas por interesses comuns.

Sendo essa a grande essência das confrarias. Mas além do lado espiritual, muitas promoviam ações assistenciais, a exemplo de hospitais para vítimas das guerras e das grandes epidemias, como a devastadora Peste Negra. E de caridade, distribuindo alimentos.

Ações tão necessárias no Brasil de hoje! Talvez você já esteja se questionando: também existe interesse comercial nas confrarias? Pois é, não tem jeito, amigo. Juntou gente, o olho grande no dinheiro aparece logo. Como escrevi em artigo de 2006, ao falar da SBAV-PE: “...a mais famosa associação de enólogos e enófilos do mundo é a Confraria Cavaleiros do Tastevin, fundada em 1934, na cidade de Nuits-Saint-Georges, por Georges Faiveley e Camille Rodier, dois renomados vinhateiros.

A Borgonha, na França, vivia uma forte crise econômica e as garrafas encalhavam nas adegas das vinícolas. A confraria, composta por 30 cavaleiros (hoje são mais de 10 mil, em todo mundo), tinha por objetivo final estimular as vendas”. Deu tão certo que a experiência foi replicada em outros locais. Em Portugal há muitas, desde o século XII.

Quase todas, na ocasião, com sede nas regiões de Tomar e Torres Novas. Hoje, espalham-se pelo país. Uma delas, cujo objetivo é promover o cordeiro assado de Pias-Monção, rotulada com um nome pornográfico, impublicável nesse jornal (português gosta disso, né?).

As mais organizadas - e muitas são - ostentam trajes garbosos, individualizados para cada entidade. Tal qual a Confraria do Vinho do Porto, que tem entre seus mestres o conterrâneo João Carlos Paes Mendonça. Pra nossa honraria! Aqui no Brasil, temos algumas. Como tudo no nosso país, não tão organizadas. Nem duradouras.

Como a já citada Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho - Pernambuco, fundada em 1997 e sem atividades há uns dois anos. Pena. Promovia reuniões agradabilíssimas. Ademais, fez um belo trabalho pela enogastronomia local.

Quem sabe, qualquer dia ressuscita. Ao contrário de tantas, mudo afora, era mista, homens e mulheres. Enquanto isso - leio nas mídias - as mulheres nordestinas, respaldando o tão decantado empoderamento feminino, estão criando confrarias exclusivas, tipo clube da Luluzinha. Faz mal não.

Nem vou dar troco, criando um clube do Bolinha. Vou preferir entrar no clima do próximo dia 12, brindando à “confraria” dos namorados. Taí, gostei. Vamos criar essa, amigo?

E pros necessitados de “empurrão”, deixo aqui uma dica, que me foi enviada pela Universidade Laureate Brasil. Procure no site deles uma pesquisa - essa, garanto que Bolsonaro apoia! - da Cintia Gama Rolland sobre “Alimentos afrodisíacos na história da gastronomia”. Muito interessante. E animador! De minha parte, pra ganhar pontos, vou brindar à minha namorada. D. Ana Christina, tim, tim, brinde à vida.

*É médico e enólogo. Escreve quinzenalmente neste espaço

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