meu pai, meu herói
meu pai, meu heróiFoto: Andrea Leal Fotografia / Divulgação

Nesta sexta-feira (10/08), às vésperas do Dia dos Pais, tem início uma exposição fotográfica gratuita que retrata histórias de paternidade emocionantes. O objetivo da mostra Meu Pai, Meu Herói, da fotógrafa Andréa Leal, é estimular a presença dos pais na vida dos filhos e mostrar que todo homem comum ganha superpoderes quando decide assumir este papel tão importante de maneira afetiva e verdadeira.

Com interação e acessibilidade, por meio de um aplicativo de realidade aumentada, diante de casa retrato é exibido o depoimento em vídeo de cada um dos 14 personagens.

A abertura da exposição está marcada para as 16h desta sexta-feira (10/10), na Livraria da Praça de Casa Forte, com um chá da tarde para convidados e as famílias dos personagens. Em seguida, às 18h, uma apresentação de chorinho, com Beto Bandolim, vai abrir a mostra ao público em geral. A exposição ficará em cartaz no casarão da Praça de Casa Forte, até o dia 31 de agosto.
Para Andréa Leal, idealizadora do projeto, existe um momento na vida do filho que ele vê o pai como um verdadeiro herói. Uma figura que protege dos perigos, encoraja a desafiar seus medos, atende aos seus chamados de emergência, salva o seu mundo. Superpoderes especiais que o homem comum ganha não quando veste uma capa, mas quando entende o real sentido, o propósito da paternidade e não foge à responsabilidade. Pensando em homenagear esses heróis anônimos e estimular essa presença efetiva dos pais na vida dos filhos, a fotógrafa realiza a mostra, que é pano de fundo para a aparição desses homens comuns que se transformaram em verdadeiros heróis para estar mais tempo ao lado de seus filhos, para formar cidadãos do bem, para lutar em defesa de sua vida, de seu bem-estar, de sua felicidade.

Com a curadoria do jornalista Fernando Alvarenga, pai e criador do blog “Pai de Verdade”, Andréa fotografou 14 pais para mostrar os poderes que adquiriram com a paternidade assumida e vivenciada no dia a dia.

Os personagens, cada um a sua maneira, têm uma história para contar de como conseguiram reinventar seu papel de pai e de que maneira encontraram o seu modo de viver a paternidade de forma plena e feliz. Entre os relatos, muitas histórias marcantes como a de um pai fez o parto do filho em casa, orientado pelo telefone por outro pai, um bombeiro militar, outro que luta para que seu filho com microcefalia vença o preconceito, enquanto a maioria dos bebês que nasceram com a síndrome foram abandonados pelos pais e um pai que encabeçou uma campanha pelo tratamento do filho, acometido por uma doença genética grave.

Conheça os personagens:

O dia 21 de julho de 2017 uniu para sempre as histórias de três pais: Anderson, o major Barros, o sargento Gonçalves e o cabo Marques. No início da manhã, o major recebe uma ligação. Um avô desesperado pedia ajuda do Corpo de Bombeiros para transportar a nora, em trabalho de parto, para a maternidade. A viatura foi acionada, mas o parto já estava muito avançado e era preciso agir com urgência. Com décadas de corporação, o oficial experiente pediu para falar com a pessoa que estivesse mais calma ao lado da gestante: era o pai da criança, Anderson Nascimento da Silva, de 31 anos. Pelo telefone, o major orientou o passo-a-passo: amparar a criança, desobstruir as vias respiratórias, amarrar o cordão umbilical, aquecer o recém-nascido. Quando a equipe chegou, Arthur já havia nascido, mãe e filho passavam bem e foram levados para a unidade de saúde,fora de risco, onde foi cortado o cordão umbilical. “Nesse momento, desabei. Foi uma experiência muito forte pra mim, principalmente depois que fui pai. Também foi a primeira vez que orientei um parto. Quando ouvi o choro do bebê e percebi que ele estava salvo, foi uma felicidade imensa!”, lembra, emocionado. “Já comecei sendo pai aprendendo que posso ser muitas coisas, inclusive parteiro”, completa Anderson.

Tão forte quanto a informação de que centenas de crianças foram acometidas pelo Síndrome Congênita do Vírus Zika em Pernambuco é o resultado de pesquisas que mostram que a grande maioria dos pais as abandonaram após o nascimento. Mohab Henrique, é uma exceção. Pai de Bernardo, de dois anos e meio, portador da síndrome e de Mohany, de 5 anos, ele acorda todos os dias com a missão de mostrar à sociedade que o filho é normal e que a deficiência está no preconceito. Diz que depende mais de Bernardo que Bernardo dele e que ser pai, desde a primeira filha, foi a maior experiência do mundo. Para ele, o verdadeiro herói protege e quando tornou-se pai ganhou fé, dedicação, respeito e paciência para aguardar o filho se desenvolver no tempo dele. “Enquanto ele não puder andar, vou andar por ele, enquanto não puder falar, vou falar por ele. Tem muitos pais que não querem enxergar essa responsabilidade, mas estão perdendo muito”, atesta. Na pele, fez quatro tatuagens em homenagem aos filhos, mas garante que nenhuma marca é tão importante quanto a que eles deixaram dentro dele.
Empreendedor social, idealizador do movimento Novo Jeito, da plataforma Transforma Recife, do Porto Social e da 1º Rede de Empreendedores Sociais no Brasil, Fábio Silva não é um pai comum. Ser gente, ter uma vida comprometida com as pessoas mais humildes estão entre os principais ensinamentos que dá às filhas Sofia, 10 e Nina, 7 anos. Filho de pais separados, aos 40 anos não quer ser visto por elas como um herói, mas como um igual. “Quero que elas saibam que vou errar e elas vão me perdoar e que elas também vão errar e que vou perdoá-las e vamos viver em família”. Para ele, ser pai é ter um time, é a coisa mais maravilhosa na vida. “Imagina a vida sem tomar banho de chuva, passar o dedo no bolo. Quando vi minhas filhas pela primeira vez pensei: começou a vida”.

Modesto, o cientista da computação Gabriel Fernandes, de 37 anos, titubeia ao responder que poderes adquiriu com a paternidade. A esposa Taciana dispara emocionada: “ele aprendeu a salvar a vida de uma pessoa”. O caçula Daniel sofre de uma doença genética grave, a atrofia muscular espinhal. O diagnóstico, os dias de UTI, as emergências vividas em casa, são exemplos da luta deste pai que, ao lado da família, realizou a campanha @amedaniel na internet e arrecadou R$ 960 mil para custear o tratamento e conquistou na Justiça o direito do plano de saúde arcar com a compra dos medicamentos, avaliados em R$ 3 milhões apenas no primeiro ano de terapia. Pai também de Joaquim, de 5 anos, acredita, na verdade, que o superpoder que aprendeu com os dois foi o de distinguir o que realmente importa na vida. O que mais quer ensinar a eles é que tudo é possível alcançar. Hoje, sua maior dificuldade está em responder perguntas difíceis, como porque algumas pessoas moram na calçada. “Ser pai é a verdadeira segunda chance que você tem na vida. O maior caminho sem volta é ter um filho. É construir uma base sólida para poder trazer alguém ao mundo que possa mudar tudo isso”.

No dia em que completou 36 anos, o empresário Jéfter Campos teve a certeza de um presente garantido até o final da vida: a filha Elis, que nasceu na mesma data. “Ela é a bússola que me guia, me dá a direção para ser o que sou enquanto homem, pai, trabalhador “. No pacote vieram várias transformações: uma resistência antes inimaginável para acompanhar firme 22 horas de trabalho de parto, noites insones nos primeiros dias de vida, para não enxergar problemas como obstáculos e para estar 100% disponível para o outro. O homem que sempre viu o próprio pai como seu grande herói, aprendeu a importância de respeitar que todo herói tem sua fraqueza. “Sou cheio de criptonitas que me causam medo, como a violência, o tipo de preconceito que ela vai enfrentar e se vai tirar de letra como eu. Pra mim, o pai herói foge da curva do que é o patriarcado. Você se desdobra para dar o melhor e, às vezes, o melhor é apenas estar presente. Espero que ela se orgulhe de ter um pai que fez o seu melhor”.

Simbiose. É como o corretor de 56 anos, Ricardo Furquim descreve sua relação com o caçula dos cinco filhos. Também é a sensação visual que passa quando passeia pelas ruas da cidade levando Álvaro nas costas. Pai experiente e cuidadoso, sempre fez questão que os filhos praticassem Yoga e de preparar para todos eles a mesma receita de iogurte que aprendeu há 40 anos. Acredita que a paternidade é a experiência mais transformadora, mais humana que teve e que vem se tornando ainda mais intensa a cada filho que nasce. “A gente se torna mais gente que nunca”, define. É pai de Vítor, de 28 anos, que mora em San Diego; Brunna, de 26 anos, que trabalha nas Forças Armadas dos EUA ; Thiago, de 24 anos, que mora em Nova Iorque; Pedro Felipe, que estuda Medicina em São Paulo e Álvaro, de dois amos, 8 meses e 22 dias, como faz questão de contabilizar .

Quando perdeu o pai, vítima de um enfarte fulminante, o mais difícil para Gustavo Pessoas foi o momento do sepultamento, quando cada pessoa lhe contava um motivo para agradecer ao seu pai. “Tive a certeza da grandeza do meu pai, do que ele deixou pra mim”. Na missa de 7º dia lotada, um primo lhe disse : “Se quiser ser um homem na vida, siga só o que seu pai fez”. “Quero ser metade do que ele foi e deixar para meus filhos, independente de dinheiro, bens, quero ser exemplo. Quero que eles saibam que não fiz nada melhor na vida do que isso”. Aos 36 anos, o professor e palestrante é pai de Daniel, 7 anos e de Alice, 4 anos. Com medo de sangue, conseguiu assistir aos partos; se antes não carregava bebês com menos de seis meses de vida, levou o primogênito para a mãe dar de mamar horas após nascer. “É um desafio diário e no outro dia tem que começar tudo de novo. A gente vai superando e vai vivendo. Se eu perdesse esses momentos eles não iriam acontecer de novo”, enfatiza. As lições estão sendo dadas. Quando o primogênito tinha 6 anos e pediu um videogame, o pai sugeriu que ele escrevesse um e-book para pagar o brinquedo. O “livro dos Porquês” vendeu 280 unidades. A renda foi suficiente para comprar o PSP, óculos de realidade virtual, sushi no jantar e ainda deu para guardar na poupança e comprar livros que serão doados a um orfanato.

Quando descobriu que ia ser pai, o músico Ricardo Chacon sabia que estava perdendo o pai, doente. O avô morreu quando Lis tinha 4 meses de vida. “Não tive tempo de ficar triste. Eu estava chorando, olhava para a minha filha e ela sorria”, lembra. Com shows e ensaios à noite, o músico de 40 anos assume os cuidados com a bebê diariamente às 5h30, quando a esposa sai para o trabalho. Optaram por não terem babá, por não terceirizarem o cuidado. Banho, alimentação, passeios, brincadeiras fazem parte da rotina dos dois. Quando a mãe precisou passar dois dias no Rio de Janeiro para prestar concurso, acordou com uma mensagem no celular com uma foto do parto. “No nosso primeiro encontro, eu chorei muito de emoção e coloquei as mãos no rosto”. Na legenda, a frase: “Lembre-se sempre deste momento”. Para Ricardo, a paternidade teve o poder de cura. “Antes achava que tinha todo o tempo do mundo e achava que não podia fazer nada. Hoje, com pouco tempo, faço muito mais coisas. Faço tudo por ela, ela me dá força para fazer mais. Meu pai foi muito presente, mas muitos homens não trazem isso do pai. Os homens são vítimas de outros homens. Cabe a nós quebrar isso. Com Lis me tornei mais humano, mais cuidadoso, talvez tenha ficado até mais feminista. O mundo é dela”, avisa.

Ao escutar o coração de Clarice pela primeira vez, Geraldo Lélis sentiu-se pai. Ansiava por este sinal de vida. Era um momento sonhado desde a adolescência. No dia do parto, pegou a filha nos braços, mas o momento era de euforia. “No dia seguinte, fiquei só com ela e a gente conversou pela primeira vez. Disse que ela estava passando por um momento de transição, que ela ficasse tranquila e que iria estar junto dela para sempre. É meu esforço diário”, garante o jornalista de 32 anos, que não se vê como um herói. “Nossos poderes estão na cabeça das crianças. De acordo com a reação dela me sinto mais forte, sinto o poder de acalmá-la. Às vezes ,sem precisar falar nada, apenas com a presença. Me sinto, encorajador, presente para tudo que ela precisar, explicando, alertando, ensinando”. Quer que Clarice, hoje com 2 anos, o veja sempre como amigo inseparável, como um porto seguro, um lugar onde ela pode se acalmar, ganhar confiança, se segurar na horas de turbulências, sempre quando quiser.

Mauro é o segundo filho de Rodrigo Moura, funcionário público de 29 anos. Ele e a esposa perderam o primeiro bebê. A segunda gravidez foi desejada, planejada, comemorada. Em meio ao primeiro trimestre da gravidez, o que parecia sintoma de alergia era na verdade a manifestação do Zika vírus. O diagnóstico de que o filho nasceria com microcefalia foi chocante. “Estava destruído por dentro, mas tinha que dar forças para minha esposa”. Após uma semana em estado de choque e sem aceitação, Isadora descobriu no apoio de Rodrigo que o amor por um filho vai muito além da doença. “A gente tem que viver cada dia. Não penso nos desafios”, ensina o pai. Já passaram por muitos, entre eles as sucessivas crises convulsivas que chegaram a 160 episódios diários, o choro constante, tudo controlado após um ano e muitas trocas de medicações. Hoje, orgulha-se quando ouve o filho chamá-lo de “pa”. “Qualquer ganho é motivo de felicidade. Todo mundo tem a sua deficiência”, ensina aos pais que optaram por não viverem ao lado dos seus filhos especiais: “Dificilmente a pessoa não se arrepende. Meu conselho é: se deixem levar pela paternidade. A força vem deles”.

João Paulo Farias tem 39 anos e ainda não é pai, biológico. Mas tem cerca de 50 filhos, de praticamente todas as faixas etária: crianças, adolescentes, jovens e adultos. Pastor, formado em teologia, publicidade e comunicação social, não foi indiferente à realidade da comunidade carente vizinha ao local de trabalho. Há dois anos concebeu o projeto Aurora, que ensina basquete como forma de tirar a comunidade das drogas, da violência, por meio da mudança de postura, valorização e autoestima. Para ser exemplo aos filhos que reúne, resolveu perder peso e não ser apenas o técnico do esporte praticado na infância e voltar às quadras em ótima forma. Em um dos momentos mais emocionantes, lembra de ver a arquibancada repleta de seus alunos torcendo por ele na primeira partida. Enumera histórias de superação como a de um aluno que nasceu com uma deformidade em um dos braços, mas desenvolveu o membro tão bem que supera os adversários com mobilidade normal ou a de outro atleta subnutrido e de estatura pequena que se agiganta na partida e supera a performance de jogadores mais velhos e mais altos e fortes. O comportamento social, o emocional também mudaram graças à entrega deste pai, que este ano espera encomendar o primeiro rebento biológico, após 10 anos de casamento.

O repórter Everson Teixeira, 32 anos, sempre quis ser pai cedo. Tornou-se o pai de Ian aos 23 anos, mas aos 17 conheceu o enteado Rafael, de 4 anos de idade. Começava seu aprendizado na função que mais ama: a paternidade. “Era um estágio sem chance de errar”, enfatiza. Sempre fez questão de manter a referência do pai, mas preocupou-se ser exemplo no cotidiano, no aprendizado diário. Quando era criança, achava que seu pai era um herói: forte, não adoecia. Hoje, pensa que tem o superpoder da onipresença, por se esforçar para ser presente em tudo. Também sente que ser pai o deixou mais sonhador, porém com mais força para transformar esses desejos em realidade.
Leonardo Ximenes Júnior, de 42 anos, músico, administrador de empresas e pai de Caio, de 9 anos, com quem confessa muitos pontos em comum: a teimosia, o gosto pela leitura, pelo super heróis. Acredita que a paciência é o superpoder que adquiriu com a paternidade. Para ele, ser pai é uma autodescoberta o tempo todo. Ansioso pela chegada do filho, conversava com a barriga da esposa Isly enquanto ela dormia, e já sentia esse diálogo começando entre os dois. ” Você vai se expandindo, se misturando no outro. É incrível”.

Sobre Fernando Alvarenga:
Pai de Valentina, lançou o @paideverdade quando a esposa estava grávida. Queixava-se que ela sempre encontrou facilmente informações sobre a maternidade, mas achava que o universo masculino não era contemplado na hora de encontrar esse tipo de conteúdo. Decidiu compartilhar suas experiências de pai com cuidado e responsabilidade, usando o bom senso para compartilhar as vivências com o filho sob o olhar paterno. “Ser pai é poder estar presente em todos os momentos possíveis, ajudando o filho a escolher o caminho para ele”.

Sobre Andréa Leal:
Piauiense de nascimento e pernambucana de coração, a fotógrafa Andréa Leal se especializou em fotografia de família para captar e eternizar o sentimento presente na atmosfera da gestação, partos, dos primeiros dias de vida dos bebês, em casa com a família, quando estão sendo construídos os laços que durarão para sempre.
Descobriu o amor pela fotografia ao registar os filhos. Em 2013 começou a fotografar profissionalmente. Em 2015 abriu o primeiro estúdio e em 2017 inaugurou sua nova casa, um espaço totalmente planejado e de alta tecnologia considerado por Leo Saldanha, publisher Fhox, principal revista voltada ao ramo fotográfico brasileiro, um dos melhores estúdios do Brasil.
Embaixadora da Associação Brasileira de Fotógrafos de Recém-Nascidos (ABFRN), única representante do Norte/Nordeste da Professional Photographers of América (PPA), única fotógrafa do Norte/Nordeste membro da Associação Profissional de Fotógrafos de Recém-nascidos (APNPI), única representante de Pernambuco membro da International Newborn Photography Association (INPA), membro da Associação Nacional de Fotógrafos Profissionais de Criança (NAPCP) e da Baby and Newborn Photography Association (ANPAS), Andréa fundou e preside a Associação Nordestina de Fotógrafos de Família (ANFF).

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