Peso do preconceito não assusta os jovens da periferia, cujo trabalho tem ganhado destaque. Ideia é alcançar todo o Brasil
Peso do preconceito não assusta os jovens da periferia, cujo trabalho tem ganhado destaque. Ideia é alcançar todo o BrasilFoto: Jose Britto/Folha de Pernambuco

A entrevista, marcada para as 15h, começou pontualmente. Os meninos chegaram devidamente uniformizados com a camisa que estampa a sigla S.A, em referência ao bairro de Santo Amaro, comunidade que sentem prazer em representar. “É importante sempre mostrar a nossa comunidade quando estamos dançando, porque Santo Amaro é muito lembrado por ser perigoso, pelas drogas e pela criminalidade. Por isso, a gente faz questão de mostrar que o nosso lugar também tem cultura”, afirma Artur Borges, 24, barbeiro. Ele é o integrante mais velho do grupo Magnatas do Passinho S.A. Além dele, Robert Ferreira, 15; Mauricio da Silva, 17; Eduardo da Silva, 18; Sérgio Roberto, 19; e Kelviny Guimarães, 20, completam a equipe.

Leia também:
'Passinho' reúne centenas de jovens no Marco Zero
Vídeo: frevo e passinho em encontro de ritmos
O passinho e o frevo se encontram em duelo inédito


Amigos de infância, todos cresceram juntos. Alguns já faziam parte de grupos de swingueira, e outros nunca haviam dançado. “Eu tinha muita vergonha de dançar, porque tinha medo do que os outros iam falar. Mas quando eu danço, eu esqueço de tudo o que está ao meu redor”, revela Kelviny Guimarães. “Como eu já dançava swingueira, foi mais fácil de desinibir”, intercepta Mauricio. Inspirados pelos passinhos dos funks do Rio e de São Paulo, os jovens resolveram adaptar as coreografias ao ritmo local. Atualmente, o grupo ensaia duas vezes por semana. Eles escolhem a música e criam uma coreografia. "A regra é simples. Cada um tem que trazer, no mínimo, cinco passos que nunca foram feitos por nenhum outro grupo. Se combinar com a batida da música, está feito", explica Artur.

Após um vídeo postado no Youtube, em outubro de 2018, com a coreografia da música "Barulho da Kikada", dos MCs Niago, Seltinho Coreano e Reino, começou a explosão dos "passinhos". Vários grupos surgiram e começaram a montar coreografias, até que surgiu a batalha do passinho. "A batalha começou com uma competição de dança que tinha sido cancelada. Estávamos nós e outro grupo. Por coincidência, tínhamos escolhido as mesmas músicas. Então resolvemos dançar um de frente para o outro", descreve Artur. "Quem escolhe o vencedor da batalha é o público, que aplaude o que mais gostou", complementa.

Os meninos têm inúmeros fãs e já contam com um patrocínio. "O reconhecimento do público é muito importante, até para mostrarmos para a nossa família. A gente já foi muito criticado por dançar, mas as pessoas têm que respeitar a nossa cultura. Não estamos fazendo mal a ninguém, pelo contrário. Muitos jovens da comunidade poderiam estar fazendo 'coisa errada', mas estão dançando", conta Robert. Para o futuro, os meninos esperam levar o passinho dos malokas para todo o Brasil. "A gente gostaria muito de se apresentar no Olinda Beer e, principalmente, em um programa de TV de São Paulo", confessa Artur.

   Fenômeno do Brega-Funk

O movimento musical espontâneo, oriundo das periferias recifenses, vem ganhando cada vez mais força. Um dos pioneiros no movimento é o MC Cego que, ao lado de MC Metal e da Banda Lapada, expandiu o gênero pelo Estado. "Antes, era chamado de 'tamborzão do funk', mas foi renomeado para 'brega-funk', por ser algo nosso", afirma Cego. Para ele, o passinho é uma manifestação natural. "É uma forma de diversão que tem ganhado proporções gigantes. É uma parceria bacana e fundamental para o crescimento do gênero", ressalta.

MC Reino, que atuou na produção da música "Barulho da Kikada", conta que já enfrentou muitas dificuldades no cenário. "As pessoas têm muito preconceito. Com a popularização, isso tem diminuído, mas a gente ainda luta muito", destaca. Trabalhando profissionalmente no mercado há cinco anos, ele diz que hoje já existe uma preocupação maior com as letras. "A gente vem trabalhando com temas mais leves, sem conotação sexual, porque assim vai alcançando mais gente", afirma. Para o futuro, tanto Cego como Reino esperam um avanço do brega-funk por todo o País. "A internet facilita muito o nosso trabalho, além de parcerias com artistas de outros gêneros. Em breve, estaremos circulando pelo Brasil", finaliza Cego.

Peso do preconceito não assusta os jovens da periferia, cujo trabalho tem ganhado destaque. Ideia é alcançar todo o Brasil
Peso do preconceito não assusta os jovens da periferia, cujo trabalho tem ganhado destaque. Ideia é alcançar todo o BrasilFoto: Jose Britto/Folha de Pernambuco
Peso do preconceito não assusta os jovens da periferia, cujo trabalho tem ganhado destaque. Ideia é alcançar todo o Brasil
Peso do preconceito não assusta os jovens da periferia, cujo trabalho tem ganhado destaque. Ideia é alcançar todo o BrasilFoto: Jose Britto/Folha de Pernambuco
Peso do preconceito não assusta os jovens da periferia, cujo trabalho tem ganhado destaque. Ideia é alcançar todo o Brasil
Peso do preconceito não assusta os jovens da periferia, cujo trabalho tem ganhado destaque. Ideia é alcançar todo o BrasilFoto: Jose Britto/Folha de Pernambuco
Peso do preconceito não assusta os jovens da periferia, cujo trabalho tem ganhado destaque. Ideia é alcançar todo o Brasil
Peso do preconceito não assusta os jovens da periferia, cujo trabalho tem ganhado destaque. Ideia é alcançar todo o BrasilFoto: Jose Britto/Folha de Pernambuco
Peso do preconceito não assusta os jovens da periferia, cujo trabalho tem ganhado destaque. Ideia é alcançar todo o Brasil
Peso do preconceito não assusta os jovens da periferia, cujo trabalho tem ganhado destaque. Ideia é alcançar todo o BrasilFoto: Jose Britto/Folha de Pernambuco
Peso do preconceito não assusta os jovens da periferia, cujo trabalho tem ganhado destaque. Ideia é alcançar todo o Brasil
Peso do preconceito não assusta os jovens da periferia, cujo trabalho tem ganhado destaque. Ideia é alcançar todo o BrasilFoto: Jose Britto/Folha de Pernambuco
Peso do preconceito não assusta os jovens da periferia, cujo trabalho tem ganhado destaque. Ideia é alcançar todo o Brasil
Peso do preconceito não assusta os jovens da periferia, cujo trabalho tem ganhado destaque. Ideia é alcançar todo o BrasilFoto: Jose Britto/Folha de Pernambuco
Peso do preconceito não assusta os jovens da periferia, cujo trabalho tem ganhado destaque. Ideia é alcançar todo o Brasil
Peso do preconceito não assusta os jovens da periferia, cujo trabalho tem ganhado destaque. Ideia é alcançar todo o BrasilFoto: Jose Britto/Folha de Pernambuco

veja também

comentários

comece o dia bem informado: