Folha Gastronômica

Lectícia Cavalcanti

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Nasceu José o terceiro neto, o mesmo nome do pai, do avô e do bisavô
Nasceu José o terceiro neto, o mesmo nome do pai, do avô e do bisavôFoto: Cortesia

Nasceu José. Filho de Paula e de nosso filho José. O terceiro neto. Primeiro veio Luiza, depois Leticia, e agora ele. Terá o mesmo nome do pai, do avô e do bisavô. Tomara que herde, deles, todas as qualidades. E de sua mãe, também - doce, forte, inteligente, generosa, determinada, organizada. E além de tudo, linda.

Dizem que só se descobre o verdadeiro amor com a chegada dos netos. Talvez seja mesmo. Um presente de Deus. “A vida nos dá netos para compensar todas as perdas trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes, que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis”, assim disse Rachel de Queiroz.

Com a chegada dos netos, descobri que ser avó é muito melhor do que ser mãe. Todos somos responsáveis pela educação das gerações que virão. Mas os avós já cumpriram, com os filhos, seu papel na criação. Agora, com os netos, têm um papel bem mais leve. Sem cobranças. Sem horários rígidos. Sem limites.

Costumo dizer até que na nossa casa podem tudo. Ali, como escreveu Rachel de Queiroz, “Não há linha divisória entre o proibido e o permitido”. Podem dormir fora de hora. E não são obrigados a comer e beber nada de que não gostem - espinafre, fígado, papa, sopa, verduras. Quando chegarem aqui em casa vai ser sempre uma grande festa, com tudo que tenham direito - bolo, bombom, brigadeiro, cachorro-quente, chocolate, sorvete. Os pais que me perdoem.

Por um momento, volto ao passado. E percebo que quase todas as lembranças agradáveis, da minha infância, se passaram na casa de minhas avós. Com rostos, barulhos, cheiros e, sobretudo, sabores que para sempre guardarei na memória. Manuel Bandeira, em sua Evocação do Recife, fala da casa do seu avô, onde “tudo parecia impregnado de eternidade”.

 Talvez porque, disse uma vez Mauro Mota, “ninguém se muda jamais do domicílio da infância”. Espero, então, fazer com Luiza, com Leticia e agora com José, tudo o que minhas avós fizeram comigo. Para que um dia, mais tarde, eles queiram fazer com seus netos, o mesmo que faço agora com eles. E esses netos com os netos deles, e assim por diante, até o fim dos tempos.

Seja, então, muito bem-vindo José, neto já tão querido. A festa está só começando. Nos dê as mãos. Entre na dança. Vamos todos cirandar/ Vamos dar a meia volta/ Volta e meia vamos dar.

*É especialista em Gastronomia. Escreve toda semana neste espaço.

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