Folha Gastronômica

Lectícia Cavalcanti

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O universo da gastronomia sempre esteve ligado à música
O universo da gastronomia sempre esteve ligado à músicaFoto: Da editoria de Arte

Manuel Bandeira, na sua “Consoada”, fala na “casa limpa, a mesa posta,/ com cada coisa em seu lugar”, que pensava ter quando “a indesejada das gentes” viesse. Mas mesas como essas, para valer verdadeiramente a pena, devem ter algo mais que alimentos.

Como, por exemplo, flores e música - um hábito que vem da mais remota antiguidade. Flores, no início, eram usadas em coroas, nas cabeças dos convidados, depois colocadas sobre as mesas. Em agradecimento aos deuses, pela dádiva do alimento; ou talvez, mais provavelmente, para disfarçar cheiros - do álcool ingerido pelos convidados e das carnes quase sempre em decomposição.

Algumas dessas flores ficaram famosas por outras qualidades, inclusive terapêuticas. Violetas e rosas, por exemplo, teriam o poder de atenuar dores de cabeça - ao menos segundo Plutarco. Viraram moda; registrando, as crônicas oficiais, até alguns exageros.

Como o do imperador romano Heliogábado que, em uma de suas orgias, literalmente afogou seus convidados em um mar de pétalas de rosas, que caíam do teto como chuva. Faltando só dizer que algumas flores, hoje, são também alimento, mas essa é outra história.

Já a música acompanhava quase todos os banquetes gregos, etruscos e romanos. No início, com tocadores de flauta ou de lira. Depois, na Idade Média, grupos de instrumentistas se apresentavam com cravo, harpa, rabecas e pífaros (antecessores dos pífanos de nossas bandinhas de interior).

Assim descreveu o escritor português José Quitério, um jantar dessa época: “Cada serviço foi acompanhado ao som de clarins, trombetas e oboés; entre os serviços, a música soou mui melodiosamente. Acabada a ceia, as graças foram ditas por músicas”. Grandes compositores começaram suas vidas profissionais embalando esses banquetes. Haydn (1732-1809), considerado o pai da Sinfonia, chegou a ser contratado pelo príncipe Eszterházy, em 1761, para tocar no seu palácio durante as refeições. Beethoven (1770-1827) ainda jovem também fez isso, levado por um pai que tentou tirar partido do prodigioso talento de seu filho.

E o gordo Rossini (1792-1868) acabou sendo a mais perfeita mistura de música e arte gastronômica; não por acaso merecendo a homenagem de pratos como tornedos, canelones ou saladas “à la Rossini”. Bons tempos aqueles. Em que não havia fast foods, big macs, self-services, fornos microondas. Em que comida não se comprava por peso. Em que comer era mesmo um ritual esplendoroso, um memorável prazer, uma verdadeira epifania.

CONSELHOS ÚTEIS NA ARRUMAÇÃO DA MESA:

· Pratos devem ser colocados a um dedo da borda da mesa, com distância entre eles nunca inferior a 60cm.
· O prato individual do pão, e também o da manteiga, ficam do lado direito.

· Lavanda, à esquerda. De preferência, com água aromatizada por rodelas de limão ou pétalas de rosa. A lavanda, só para lembrar, deve deixar a mesa junto ao alimento que deva ser comido com as mãos.

· Facas (com a serra virada para o prato) e colher de sopa ficam à direita. Garfos à esquerda. Ao se servir, na dúvida sobre o talher adequado, basta usá-los de fora para dentro, à medida em que os pratos forem sendo servidos. Faca, colher e garfo de sobremesa, nessa ordem a contar do prato, ficam, horizontalmente, logo à frente dele.

· Os copos estarão dispostos da esquerda (os maiores) para a direita, pela ordem de tamanho - maiores para água, médios para vinho tinto, menores para o branco.

· Guardanapos são colocados sobre os pratos ou à direita deles. Durante as refeições, deixe-o no colo e use só quando necessário.

· Por fim, recomenda-se de todo coração, e mesmo à custa de muito sofrimento, resistir à tentação de usar palitos.

*É especialista em Gastronomia e escreve semanalmente neste espaço

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