Holística

Mariomar Teixeira

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Roberta do Espírito Santo
Roberta do Espírito SantoFoto: Horst Lambert

Eu amo dançar, quem convive comigo não tem dúvida. Mas tenho sede de conhecer e aprender sobre culturas e costumes diferentes do meu cotidiano (talvez seja a razão da leitura diária). Quando pedi aos meus amigos sugestões sobre tema para os textos desta coluna, surgiu Dança Cigana.

Entrei em contato com a minha Amiga Vera Rabelo (Grata! Eu te amo muito.) que há anos participa do grupo de Dança Cigana coordenado por Roberta do Espírito Santo, que na correria da sua vida se dispôs à entrevista.

Só desejo para vocês internautas que dancem e se inebriem com mais um dos nossos textos.

Roberta, como ocorreu o seu envolvimento com a dança cigana?
Meu trabalho de dança cigana sistêmica completará 10 anos em dezembro, mas meu relacionamento com a cultura cigana e sua sinergia vem de muito tempo, desde as histórias da minha mãe, amigos da faculdade e amigos de moradas. Cada momento desses me trouxe uma experiência diferente e era surpreendente. Então este encontro já estava realmente programado pelo universo.

Na cultura cigana tem de tudo que que há em nossa cultura, porém, há também suas especificidades naturais que difere-se em cada etnia. Contudo, existia mais mito no que se contou sobre os ciganos do que verdades. E assim, fui pesquisando além das informações de dança, a filosofia real, a força existente e não fictícia de cada grupo cigano, cada movimento, cada dança e o que eles trazem, o que levam, do que precisam. Fiquei pensando em como eu poderia colaborar com esta cultura, com estas etnias e assim atingir meu propósito, o de cuidar dos seres, dos corpos, da alma das pessoas, da minha alma e corpo, através da dança. Então a aliança da dança cigana com movimentos terapêuticos trouxe força, leveza e claridade. Utilizo a filosofia, alguns princípios das etnias Rom-ciganas, mas apenas o que nos serve.

Vale salientar, que cigano é um termo dado a estes povos, mas eles se subdividem em três grandes grupos. Rom, Sinti e Calon, não vieram da Espanha, o que usualmente se exprime pelas vestes e conceitos da maioria das pessoas no Brasil. Eles surgem a mais de mil anos na Índia e assim se dá um êxodo por todo o mundo com diferentes características mesmo entre os grupos denominados Rom. Enfim, são tantas informações deturpadas a cerca destas etnias que aí decidi além de utilizar a dança cigana para um movimento terapêutico me direcionei ao campo de pesquisa para disseminar as histórias reais. Para isto fiz várias viagens à São Paulo, estabeleci contatos com Ciganos também no Nordeste para obter informações. Conheci Calons, Kalderash, Machuaias, e Sintis Ramanush. Este enriquecimento de informações das tradições e das danças Rom-ciganas fortaleceu muito o trabalho, pois a genuína energia destes nossos ancestrais abençoou a continuidade com consciência, com honestidade e com honradez ao que estava surgindo a serviço desta humanidade. Inclusive para melhor trabalharmos as tradições ciganas eu trouxe a Recife a Embaixada Cigana do Brasil para palestrar e dançar conosco. A contribuição desta cultura para nós, para os seres em geral é o reencontro com sua fonte natural do ser. É tocar a força de manter-se mais próximo desta dinâmica de crescimento pessoal com clareza. Firmes, alegres e prontos ao que vier.”

Quais os benefícios da dança cigana para quem faz?
Bem mais que benefícios físicos a dança cigana sistêmica que tem seu propósito de caminho terapêutico, contempla uma consciência sobre si mesmo, o que está em seu entorno e o que vem de nossos antepassados e ancestrais, que interfere em nossa caminhada na vida. Esta consciência vem através das danças trabalhadas e exercícios sistêmicos, bem como a criatividade fenomenológica que envolve o trabalho, que também pode ser chamada de intuitiva.

Um grande pedido da alma foi trabalhar o feminino, trazer as mulheres de volta a si, ao acolhimento do ser feminino em sua ancestralidade, antepassados, sua presença atual e não ficar remoendo emoções carcomidas (apodrecidas, corroídas, gastas). Trazer para o agora, acolher o passado. Limpar essas histórias tão mal vividas. Expandir a percepção de que tudo pode mudar,de que somos conectados a algo maior em nós e no universo. E que o masculino faz parte, não podemos excluí-lo. Um não deve excluir o outro. Neste espaço que foi sendo elevado, a dança cigana se tornou uma extensa magia de autoconhecimento, e eu pude ver como ela abre campos de possibilidades principalmente aliadas a outros movimentos terapêuticos. Eu os introduzi e o casamento é perfeito.

Introduzi à dança os exercícios sistêmicos pelo método das constelações familiares e sistêmicas de Berth Hellinger. Também agreguei conhecimentos sobre masculino e feminino adquiridos durante trabalhos em ONGs e grupos de estudos e prática unindo minha habilidade como educadora Social - Pedagoga e meu saber interno e as experiências de vida que vivi dos 7 anos quando minha consciência soube o que eu queria até hoje, meus 45 anos.”

Quais são os resultados?
Os resultados não são mensuráveis, eles são sentidos, percebidos, exercitados, e quem está presente aqui hoje é quem pode falar do que lhe traz o trabalho da dança cigana sistêmica.

Uma mudança muito evidente tem sido a harmonia do masculino e feminino em nós em primeiro plano e depois reverbera nas relações interpessoais e afetivas. Começamos a construir novos relacionamentos.

Durante a construção do trabalho eu percebi que meu intento foi mais inspirado pelo olhar terapêutico, facilitar o autoconhecimento, auto-estima, favorecer o harmonioso relacionamento entre feminino e masculino, no interno e externo. As relações de gênero e a relação geracional dentro de uma compreensão sistêmica. Mas a cada passo que dava logo percebi um além mar. Eu não podia ficar dando aulas de dança cigana sem expandir, e clarear as pessoas a respeito deste encanto que toda cultura traz, com suas dores e amores.

A partir do desenvolvimento do trabalho terapêutico surgiu um encontro com o artístico, conheci o ator e dançarino Adriano Cabral, nos conectamos pelo interesse desta provocação do despertar para si, do colaborar com os seres em conflitos internos e qualquer que seja a dificuldade. Assim eu, minhas alunas e alunos, junto com Adriano que trouxe a força da Companhia Ciganos de luz (idealizado pelo grupo esotérico Ramatis) dançamos em pousadas geriátricas, creches, hospitais, eventos beneficentes e também vamos aos palcos com espetáculos sobre a dança cigana e sua filosofia terapêutica que utilizo em minhas aulas.

Bem, aqui deixo um caminho para a liberação do ser que nós somos e vida viva, que durante muito tempo ficou suprimido por culturas, pensamentos antigos, crenças limitantes. Abriremos portas internas para podermos respirar a vida. Dançar é um movimento da vida, não uma estética compartimentada, ela nos mostra quem somos de verdade.”

Várias alunas quiseram dar os seus depoimentos, os quais colocamos aqui:
Janine Primo - “Essa dança é a melhor coisa que me aconteceu na vida. Pode faltar dinheiro para o plano de saúde, mas para essa dança não falta. Pois é onde eu me curo, celebro minha alma, celebro as coisas da vida, posso chorar minhas dores sem pesar, eu celebro as outras mulheres, honro as outras mulheres. Vejo nossas belezas. Todas a terças para mim é uma celebração, tenho muito amor e gratidão por este trabalho, pois a dedicação e força de Roberta é de total inteireza... fico presente com meu corpo e alma com esta dança.”

Iara - “Aqui é muito importante, pois com esta dança cigana sistêmica o foco é ver a si mesmo, não é a estética, nem a plástica, vc pode ser gorda, magra, jovem, madura. Não tem idade, não tem coreografia, tem liberdade. Vim procurar uma dança e achei muito mais que isso, me senti mulher, achei a minha dança.”

Sandra Pontes - “Entro em conexão comigo e com a essência do feminino e do masculino dentro de mim, acessando e fortalecendo as energias que se encontravam adormecidas, além de resgatar os conhecimentos e a memória de um povo que faz parte da nossa ancestralidade terrena e espiritual, de maneira que ao dançar trago para meu corpo a consciência do dançar na presença e na intenção. Quando termino inteira!”

Amélia - “Este trabalho resgata em mim o que é meu natural que se perdeu nas entranhas da vida.”

Ingrid Souza - “Ouvi falar do Trabalho de Roberta e depois que fiz primeira aula decidi atravessar a cidade inteira e ainda caminha mais 20min pois me deparei com algo totalmente diferente do que já fiz em teatro ou dança. Uma aula que aceitava meu corpo do jeito que é, sem rigidez ou coreografias, a valorização do meu corpo, encontro com minha alma, nos ensinando a estar com o outro com a outra, consigo mesma.”

Maria Aparecida - “Dá a força e a coragem para mim na resolução das coisas do cotidiano e autoconfiança, ser mais generosa comigo e acordando o feminino em mim me sinto reconstruída.”


Rilda Jordão - “Com a dança cigana sistêmica eu sou tomada por uma alegria e meu corpo fica bem. Aprendi muito neste trabalho a confiar em mim, procuro amar as pessoas, a me amar. Perguntam o porquê eu sorrio tanto com esta dança, é porque eu me apaixono sempre que danço.”.


Luciane Cordeiro - “A dança é libertadora. O corpo pouco a pouco assimila os movimentos e a alma sente libera e se liberta através dos nossos movimentos. No tocante ao corpo, posso dizer que é um exercício muito prazeroso, nenhum pouco monótono, pois a riqueza da cultura cigana nos apresenta vários ritmos que podem ser trabalhados, partindo dos ritmos mais suaves para os mais agitados, fazendo com que possamos perder preciosas calorias.”


Rita Cavalcante - “A Dança Cigana Sistêmica, traz ao corpo consciência, ao físico força e gestual de expressão e, ao espírito, o leque do caminho, ao qual o coração pode vivenciar sua escolha na dança da vida em sintonia com o equilíbrio e o amor! Rita Cavalcante.”

Kaline - “Na aula sinto que estou no caminho certo, respeitando meu eu, não sendo só esposa e mãe, mas sendo mulher.”

Finalizo com a precursora da dança moderna e que rompeu dogmas do balé clássico, a bailarina norte-americana, Isadora Duncan (1877-1927): Dançar é sentir, sentir é sofrer, sofrer é amar... Tu amas, sofres e sentes. Dança!

Profissional que contribuiu com a coluna (grata pelo carinho de sempre):

Roberta do Espírito Santo - Pedagoga, Terapeuta Holística, Facilitadora e especialista em danças sistêmicas. Cigana e Áurica em Recife e João Pessoa; facilita grupos de Constelação Familiar. Criadora do método Corpo Musical. Contatos: (81) 98834.2888, (81) 98579.1499 e (81) 99925.5403.

Milhões de beijos iluminados,

Mariomar Teixeira - Numeróloga & Consultora: de Feng Shui, de 4 Pilares e de Zi Wei Dou Shu. Contatos: (81) 99807.4568 - Tim e WhatsApp / (81) 99100.9617 (Claro) – E-mail: holisticarec@gmail.com. Instagram: @mariomar_teixeira

Perfil
Mariomar Teixeira é formada em Secretariado na UFPE com mestrado em Extensão Rural e Desenvolvimento Local na UFRPE. Filha, esposa e mãe. Ama ler, estudar, tricotar e cozinhar. Dedica-se aos estudos de metafísica desde 1980, principalmente Numerologia. Em 1993, além de assumir um concurso público federal, também o trabalho como numeróloga é reconhecido. Colunista da Folha de Pernambuco de 1998 a 2005, coluna Numerologia. No mesmo período foi colunista da Revista Club com as colunas: Holística e Lançamento de livros. Professora e Consultora de Feng Shui desde 1997.

* A Folha de Pernambuco não se responsabiliza pelo conteúdo das colunas.

Roberta do Espírito Santo
Roberta do Espírito SantoFoto: Horst Lambert
Abertura da aula janeiro 2018
Abertura da aula janeiro 2018Foto: Horst Lambert
Abertura da aula janeiro 2018 - 2
Abertura da aula janeiro 2018 - 2Foto: Horst Lambert

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