Moçambicana Lenna Bahule abre temporada de shows
Moçambicana Lenna Bahule abre temporada de showsFoto: Divulgação

Novembro é o mês nacional da Consciência Negra, e a Caixa Cultural traz para o Recife vários shows com artistas africanos e brasileiros. As apresentações começam na quinta-feira (8) e seguem até o dia 24. Ao longo destas três semanas, de quinta a sábado, serão celebradas a ancestralidade e a memória que nos ligam, mesclando as raízes à contemporaneidade.

O coordenador e idealizador do projeto, Emílio Mwana, diz que a proposta é fazer uma provocação artística e, ao mesmo tempo, desconstruir estereótipos ao juntar artistas de países e sonoridades bem distintas. O projeto Sons da África já teve duas edições anteriores, realizadas em Salvador, na Bahia.

A temporada de shows abre com as apresentações da cantora Lenna Bahule (de Moçambique) e o percussionista Luizinho do Jeje (de Salvador-BA), que dividem o palco de hoje a sábado.

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Ansiosa por se apresentar no Recife, Lenna disse à reportagem da Folha de Pernambuco que sua fonte de inspiração são "as experiências cotidianas, os encontros, os perrengues, as conquistas", e que "conciliar a raiz e a contemporaneidade é um eterno desafio". Lenna considera que o Brasil é um lugar muito fértil criativamente, por formar um "combo cultural" que congrega pessoas de vários lugares do mundo. Ela mora em São Paulo desde 2012, tem formação em música clássica e em seu trabalho mescla voz e percussão, destacando influências como Bob McFerrin, Maria João e Camille. "Gosto bastante de música africana e de música popular, em seu lado mais B", explica.




 
 Junto com Lenna, apresenta-se o baiano Luizinho do Jeje, que já se apresentou em vários países e iniciou sua carreira ainda nos 1980, no Afoxé Rumpilé, e integra o bloco afro Olodum. Luizinho tem como influências os tambores do Terreiro Jeje, as músicas e cânticos do candomblé, as bandas de percussão da Bahia e a música tribal africana.

Mariama é uma das cantoras que participa da segunda semana do projeto Sons da África

Mariama é uma das cantoras que participa da segunda semana do projeto Sons da África - Crédito: Divulgação

Na semana seguinte, entre os dias 15 e 17, será a vez das cantoras Mariama (Serra Leoa) e Aiace (de Salvador). A sintonia entre as duas cantoras é um dos pontos altos do projeto, explicitando a força e a suavidade das mulheres. Nascida na cidade de Freetown (Serra Leoa), Mariama cresceu em Colônia, na Alemanha, e hoje vive em Paris, na França. Sua apresentação tem inspirações livres que vão do jazz ao reggae.

De seu lado, Aiace tornou-se conhecida com a premiada banda Sertanília, e em seu primeiro disco solo, "Dentro Ali", contou com a participação do cantor carioca Luiz Melodia.





 Já no encerramento, de 22 a 24, encontram-se no palco Mû Mbana (Guiné Bissau) e Tiganá Santana (também de Salvador). Mû Mbana nasceu na Ilha de Bolama e cresceu influenciado pela música de seu entorno, especialmente o canto das mulheres e as músicas religiosas.

E Tiganá apresenta uma forma autêntica de criação, que inclui a concepção do seu próprio violão-tambor. Seu álbum Maçalê (2009) foi o primeiro registro fonográfico brasileiro de composições autorais em línguas africanas: o músico compõe e canta em kikongo, kimbundu (línguas da Angola e do baixo Congo), português, inglês, espanhol e francês.






Todos os artistas vão se apresentar acompanhados por uma banda-base formada pelos músicos Ldson Galter (contrabaixo acústico, elétrico e arranjos), Marcelo Galter (piano elétrico, teclados e arranjos) e Reinaldo Boaventura (bateria, percussão e arranjos). Nas apresentações dos sábados, entre as duas sessões de shows, o público poderá participar de um bate-papo com os artistas.


Serviço:
Projeto "Sons da África"

Lenna Bahule (Moçambique) e Luizinho do Jeje (Brasil): 8 a 10/11
Mariama (Serra Leoa) e Aiace (Brasil): 15 a 17/11
Mû Mbana (Guiné Bissau) e Tiganá Santana (Brasil): 22 a 24/11

Onde: Espaço Caixa Cultural - Av. Alfredo Lisboa, 505, Praça do Marco Zero, Bairro do Recife
Quando: Quinta e sexta-feiras, às 20h. Sábados, às 18h e às 20h.
Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)
Informações: (81) 3425-1915

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