Calife Beach tem peixe frito muito bem acompanhado
Calife Beach tem peixe frito muito bem acompanhadoFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

A faixa de areia anda movimentada nesta época do ano. Para tanta gente em busca de sol e mar, uma infinidade de comidas é servida com a missão de aplacar toda essa fome que o verão dá. Quando se trata de pedidas clássicas, caldinho, camarão e caranguejo fazem as honras da praia. Mas você já percebeu que sempre há alguém disposto a incrementar um pouco mais esse cardápio?

A empresária Dani Gouveia abriu em setembro o seu Califa Beach, na altura do Marante Hotel, em Boa Via­gem, atenta não só às regalias co­mo almofadas, mesinhas coloridas e esteiras, mas também ao menu objetivo, porém incrementado. É assim: além de fritas e peixes frescos com salada, o cliente se depara com empada de camarão ou frango (R$ 7), quiche de alho-poró (R$ 8), chips crocante de macaxeira ou batata-doce (R$ 7) e guacamole (R$ 12). “Básico e refrescante, mas saborosíssimo”, anuncia Dani. Ao lado dos pratos, uma listinha com drinques vai além da velha caipirosca, incluindo gin tônica, aperol e mojito.

Uma estrutura de apoio foi montada ali perto, no Pina, e funciona nos dias em que a barraca abre. Ou seja, agora em janeiro é de quarta a domingo, a partir das 9h. “A cozinha nasceu depois, já que a terceirização às vezes falhava. A fabricação é diária e chega através de um portador, os pratos quentes em térmicas e os frios no gelo - que possui etiqueta adesiva contendo data de produção”, diz ela, com a expertise de quem, há oito anos, já montou uma cozinha experimental, também na orla de Boa Viagem, onde o chef Hugo Prouvot assinava o cardápio. “Hoje, é tudo muito artesanal, mas conseguimos dar conta da quantidade de nossas 20 mesas, que atendem 70 pessoas, com média de dois giros nos fins de semana”, conclui.

A poucos metros, vendedores ambulantes também circulam chamando atenção para a gastronomia. Caldinho de feijão não falta. Cocada e sanduíche natural também são facilmente encontrados. Um casal do Paraná que veio passar férias no Recife aprovou a lista de opções. Chamou a atenção deles a quantidade de salgados prontos entre outros beliscos para acompanhar com cerveja. “Vimos muita bacia de camarão e baldes de ostras. Experimentamos os dois, mas observando as condições de apresentadas, seja pelo fardamento do vendedor ou na aparência da comida”, disse a maquiadora Andreia Zabade, acompanhada do funcionário público José Roberto Fiorin.

Guacamole é pedida incrementada na praia

Guacamole é pedida incrementada na praia - Crédito: Ed Machado/Folha de Pernambuco

   Consumo exige cuidados

No frenesi das opções litorâneas, escolher a comida com olhos de lince é observar o manuseio do produto, seu acondicionamento e aspectos como aparência, cor e possíveis odores. São cuidados básicos contra as chamadas gastroenterites, ou infecções intestinais, comuns às pessoas expostas ao alimento contaminado. Problemão fácil de ser evitado, se o banhista não se preocupar apenas em matar a fome com a primeira oferta que aparece.

“Boa parte dos alimentos é preparada com ingredientes perecíveis, a exemplo do creme de leite e da manteiga, que precisam se manter refrigerados. Um ponto precário entre a maioria dos ambulantes”, adianta a médica clínica e endocrinologista Marise Lima Carvalho. O sinal de alerta aumenta para as produções que levam fervura, como os ensopados. “A forma ideal de servir é logo após o preparo, assim como fazemos em casa quando preparamos feijão. No entanto, os vendedores cozinham na madrugada e transportam a receita ao longo de todo o dia”, detalha a especialista. O caldinho e demais opções feitas em alta temperatura, só em garrafas com isolamento térmico.
A orientação para o queijo de coalho é que ele esteja limpo e bem acondicionado. Melhor ainda se enrolado em papel alumínio, porque conserva a temperatura por mais tempo dentro de um recipiente refrigerado, só retirado na hora do manuseio. Nesse momento, outro ponto deve ser notado. “Se a pessoa usa a mesma mão em contato com o dinheiro para servir esse queijo”, finaliza Carvalho.

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É risco de contaminação que se agrava quando o assunto é ostra. “Quando não são criadas em cativeiros, podem acumular compostos químicos e agentes como vírus, bactérias e protozoários causadores de doença”, resume a nutricionista Carol Chambel, lembrando ainda o fato de muitas dessas ostras virem de manguezais e regiões próximas onde os cuidados são limitados. “Mas, conhecendo o ambulante e sabendo que o mesmo tem cativeiro, elas precisam estar bem acondicionadas em caixa térmica ou cooler com bastante gelo. Aquelas que estiverem muito secas, amareladas ou esverdeadas, além de odor forte e fáceis de desprender da concha, devem ser rejeitas ou descartadas na hora”, sugere. 


Proibição
Nem mesmo a clássica carrocinha de cachorro-quente está livre de fi­car impregnada por bactérias. Segun­do a chefe do setor de alimentos da Vigilância Sanitária do Recife, Cristiane Gomes, há lei municipal proibindo o uso de bisnaga para maionese e catchup, sendo que a maneira correta de oferecer esses condimentos é na forma de sachês. Enquanto isso, milho, verdura e ervilha não podem ficar expostos. Já a salsicha, sempre em alta temperatura.

Com relação às estruturas das bar­racas, elas não podem produzir o alimento na faixa de areia. “Porque é preciso condições mínimas de manipulação, como água corrente para lavagem de mãos e utensílios, além de bancada apropriada para os cortes de carnes e verduras. Por isso, muitos vendedores usam estru­­turas próximas da praia, que o­fe­recem o espaço necessário à execu­­ção dos pratos”, completa. Fora dis­so, a dica é optar por comidas semi­prontas, como as frutas já cortadas.

Com relação às bebidas, a preocupação recai sobre o gelo que é servido. “Ele tem que seguir aos padrões da legislação e ter um selo de inspeção na embalagem. Isso garante que a água é de procedência e sua fabricação passou por verificação”, alerta Gomes. Quando o assunto é drinque para refrescar o calor, produtos industrializados como vodca, cachaça ou refrigerantes não oferecem risco direto ao consumidor. Por outro lado, é proibida a comercialização de bebidas artesanais, sem rotulagem ou origem de fabricação. São as chamadas batidas ou garrafadas, que passam por envase artesanal e merecem toda atenção antes de irem ao copo.

 

 

 

Calife Beach tem peixe frito muito bem acompanhado
Calife Beach tem peixe frito muito bem acompanhadoFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco
Caldinho de feijão é pedida que só pode estar em garrafa térmica
Caldinho de feijão é pedida que só pode estar em garrafa térmicaFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco
Na areia, ostra só com procedência certificada
Na areia, ostra só com procedência certificadaFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

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