Lenny (Aubrey Plaza) dá rosto a principal personalidade que assombra a mente de David (Dan Stevens)
Lenny (Aubrey Plaza) dá rosto a principal personalidade que assombra a mente de David (Dan Stevens)Foto: Divulgação

Quando uma das produtoras-executivas de “Legion”, série de TV que chega agora a Netflix, afirmou que ela era “diferente de tudo o que já se viu neste gênero”, foi recebida com uma pitada de ceticismo. Tal afirmação atiçava a curiosidade dos possíveis telespectadores.

Afinal, se trata de mais uma produção sobre super-heróis - ou mutantes, nesse caso -, em uma época em que o cinema e a televisão transbordam de adaptações de quadrinhos que, querendo ou não, acabam caindo em padrões e repetições de histórias de origem e enredos. Mas quem vê a série sabe que ela não se enganou. Sabe que, de fato, o criador Noah Hawley (o mesmo de "Fargo") acertou em cheio ao se jogar na liberdade criativa que lhe foi dada, trazendo uma série cheia de nuances no enredo, na fotografia, na estética.

“Legion” conta a história de David Haller (Dan Stevens), paciente diagnosticado com esquizofrenia que foi internado em um hospício por ter tentado se matar. Ao longo de sua vida, David escutou vozes, presenciou acidentes estranhos, entrou em depressão, viciou-se em drogas.



Seu mundo vira de ponta cabeça graças a um acidente que provoca a destruição do hospício onde vive e é a partir daí que ele é reconhecido como mutante pelo governo e encontra uma equipe especializada que lhe ajuda a fugir e, eventualmente, entender seus poderes.

As relações com “X-Men” acabam aí. Apesar da mesma origem - David é, afinal, filho de um dos poderosos mutantes que protagonizam os filmes e quadrinhos -, “Legion” vai além da narrativa comum, adotando linguagens interessantes para compor seus episódios.

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A possibilidade de jogar com a mente de David (e, assim, com a do telespectador, já que a série acompanha a visão do personagem), em uma dualidade em que nunca se sabe o que é real ou não, é um ponto que permite à produção tomar rumos diversos que vão, voltam, se circulam e colidem em um roteiro tão fragmentado quanto a mente caótica de seu protagonista.

David, com um tipo de desordem de multi-personalidade que confunde seu cérebro, cria personalidades e versões para controlar cada um dos poderes que desenvolve - telepatia, teletransporte e telecinese são apenas alguns.

Sydney Barrett (Rachel Keller) faz parte da equipe que ajuda David (Dan Stevens) a controlar seus poderes

Sydney Barrett (Rachel Keller) faz parte da equipe que ajuda David (Dan Stevens) a controlar seus poderes - Crédito: Divulgação


A genialidade na composição da série, que vai da estética psicodélica às atuações exemplares e tem um toque final com sua trilha sonora harmonizada, fazem com que a produção se renove a cada episódio. Cada um é único, introduz um conceito novo e testa uma nova narrativa - em um deles, por exemplo, tudo acontece como num filme mudo. “Legion” é a prova de que o problema não é a quantidade de adaptações sobre heróis: tudo gira em torno de suas qualidades e habilidades para se reinventar.

Cotação: Ótimo

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