Cena da série 'Entrenós'
Cena da série 'Entrenós'Foto: Divulgação

Quando estava em Angola, em 2011, Pablo Polo teve a ideia de um projeto diferente do que vinha fazendo. "Queria desenvolver uma produção audiovisual voltada para o processo criativo. Essa ideia só tomou forma quando dialoguei com a produtora Manuela Costa. A gente construiu junto esse formato de série documental para a TV. Trabalho com audiovisual há muito tempo, mas queria produzir outros conteúdos que não fossem publicidade e curtas ficcionais. Queria alguma coisa na área de documentário na plataforma da TV", detalha o diretor.

Estreia nesta segunda-feira (29) a segunda temporada de "Entrenós", às 18h, no Canal Curta, série que investiga os bastidores do processo de criação de artistas brasileiros. "Gosto do ambiente artístico. Pensei em fazer uma série voltada para o processo criativo de artistas brasileiros", explica Pablo. "Me impressiona os pontos em comum e ao mesmo tempo a diversidade no processo criativo. A diversidade de como cada artista se relaciona com sua intenção de se expressar, como estabelece mecanismos e como chega até a obra", ressalta.

A escolha dos artistas entrevistados foi resultado de um processo de pesquisa e encantamentos pessoais. "Tanto na primeira quanto na segunda temporada a gente chamou alguém para fazer uma consultoria. Nessa segunda foi Mirela Luigi. A gente dialogou a partir dessa diversidade, que é um ponto central. Diversidade geográfica, diversidade de estilos", comenta Pablo. "A gente tenta também que não sejam artistas populares, porque a gente acredita que a série também pode ser uma plataforma para promover esses artistas", argumenta.

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O primeiro episódio é sobre Raphael Jacques, performer, drag queen, artista visual, conhecido por seu nome drag, Alma Negrot. "Quando a gente define o artista, tem também o encantamento pessoal. Um arrebatamento. Conhecendo a obra daquele artista, vai gerando um certo nível de paixão da nossa parte. Alma Negrot foi uma pessoa que me encantou absurdamente, porque ela representa o momento político e sociológico que a gente está vivendo, uma pessoa que o trabalho é a própria existência, a resistência, um garoto de 22 anos com uma força de discurso e de presença impactantes. Alma foi um grande presente, uma fonte de energia inspiradora, ainda mais por causa do momento político que a gente está vivendo no Brasil", detalha.

Novidades



A segunda temporada de "Entrenós" traz novidades em relação ao primeiro ano. "A gente teve uma diferença significativa de uma premissa de abordagem, que foi a de que qualquer artista selecionado tinha que estar em processo de produção. Porque na primeira temporada a gente abordou alguns artistas falando sobre o que já tinham feito ou o que iam fazer. Agora não: todo artista selecionado teria que estar em processo produtivo, porque o processo criativo é nosso foco principal", explica Pablo.

"Agora também contamos com a participação de outras diretoras, Dea Ferraz e Tuca Siqueira. Essa experiência de compartilhamento da direção foi engrandecedora", diz Pablo, que dirigiu quatro episódios, enquanto Dea assinou dois e Tuca filmou um. "Foi muito interessante ver como mantendo a equipe e as premissas você tem uma unidade, mas também, assim como os próprios artistas, as diretoras convidadas agregaram toques pessoais", diz. "O foco é sempre o processo, não a obra. Apesar de ter uma premissa, cada programa é muito influenciado pela natureza de cada artista. Temos uma unidade, mas cada episódio é particular", reforça.

   Estrutura

Cada episódio é feito a partir de um roteiro prévio. "A gente faz uma pré-entrevista online, antes, de duas horas mais ou menos, para ter informação direta do artista. A partir dessa conversa, é feito um pré-roteiro, um roteiro aberto. Não é linear. A gente tenta abordar um pouco da rotina do artista. Então é feito sim um roteiro, a gente chega lá com um roteiro, e durante as cinco diárias, a gente faz alterações, se adapta de acordo com o que vai surgindo, que é a beleza do documentário", explica Pablo.



"Nesse pré-roteiro a gente identifica o processo do artista. O escultor Leandro Gabriel, por exemplo, estava se preparando para uma exposição. A gente não mostra a exposição: mostra ele reunido com o curador, trabalhando no ateliê, e provocamos uma reflexão sobre esse processo de trabalho. A gente tinha um direcionamento, só que durante a vivência do documentário outras portas vão se abrindo", revela Pablo, destacando ainda a montagem. "Paulo Sano, que é o montador, tem total autonomia. A proposta é que ele interfira na narrativa final, fazendo conexões", destaca.

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