Uma Série de Coisas

Fernando Martins

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Na série 'SKAM', Noora e Sana trazem debates importantes sobre feminismo e religião
Na série 'SKAM', Noora e Sana trazem debates importantes sobre feminismo e religiãoFoto: Reprodução/NRK

Em um ano de eleições e Copa do Mundo, além da disseminação de assuntos valiosos como feminismo e a luta contra o machismo, nesta sexta-feira (22) vamos falar sobre discurso de ódio nas redes sociais. Essa temática faz parte do universo de ‘SKAM’ (‘vergonha’, em português), uma série norueguesa que tem dominado o Facebook e o Twitter, com trechos de cenas e diálogos sendo compartilhadas diversas vezes.

O sucesso de ‘SKAM’ está no fato dela ter sido produzida e transmitida no meio online. A criadora, Julie Andem, aborda temas contemporâneos – assédio moral e sexual, bulimia, combate a intolerância religiosa, imigração, preconceito e saúde mental – na visão dos jovens da Geração Y e, claro, adaptar a série para o meio mais utilizado por esse nicho é válido e trouxe resultados. Assim, o público pôde acompanhar a vida de Eva (Lisa Teige), Noora (Josefine Pettersen), Vilde (Ulrikke Falch), Sana (Iman Meskini) e Chris (Ina Svenningdal), originalmente, apenas no site da emissora NRK.

A série norueguesa recebeu aclamação da crítica e reconhecimento entre jovens de vários lugares do mundo, garantindo adaptações para a TV nos Estados Unidos, Alemanha, França, Itália, Espanha e Holanda. Cada temporada (quatro no total) é focada no ponto de vista de uma personagem da história, não necessariamente do grupo principal, como é o caso de Isak (Tarjei Sandvik), na terceira temporada.

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No mundo dos Millennials (geração do milênio), as pessoas estão imersas na tecnologia desde o berço, crescem familiarizados com dispositivos móveis e em ter informação chegando no visor do celular a todo tempo. Por isso, cresce entre eles um individualismo desenfreado em um ambiente propício para a competição. Em ‘SKAM’, ao passo que dois personagens conversavam por SMS, os internautas tinham acesso em tempo real ao conteúdo.

Segundo o filósofo Pierre Bourdieu, a violência psicológica é originada a partir da linguagem. Nos dias de hoje, os chamados haters (odiadores) disseminam discursos preconceituosos e intolerantes quando querem, para qualquer pessoa, dando margem para a violência física. Em época de eleições e Copa do Mundo, onde a intolerância costuma prevalecer, é preciso entender que – como dito em ‘SKAM’ – “o que você faz hoje terá efeito amanhã; (...) o medo se espalha, mas com sorte o amor também”.



*Fernando começou a assistir a séries de TV e streaming em 2009 e nunca mais parou. Atualmente ele acompanha mais de 180 produções e já assistiu mais de 5,3 mil episódios, uma média de 23 por semana. A série mais assistida - a favorita - é "Grey's Anatomy", à qual ele reassiste com qualquer pessoa que esteja disposta a começar uma maratona. Facebook: Uma série de Coisas. Instagram: @umaseriedecoisas.

*A Folha de Pernambuco não se responsabiliza pelo conteúdo das colunas.

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