Uma Série de Coisas

Fernando Martins

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James Robertson afirma, em entrevista, não ter remorso sobre o que fez
James Robertson afirma, em entrevista, não ter remorso sobre o que fezFoto: Netflix/Reprodução

Semana passada indiquei uma série documental para quem não curte documentários: “Explicando”, da Netflix. Lá no Instagram do Uma Série de Coisas (@umaseriedecoisas), algumas pessoas pediram indicações de documentários que falassem sobre um único tema, diferente do que sugeri na última sexta-feira (3). Como pedido feito é pedido atendido, a coluna de hoje é sobre “Eu Sou um Assassino”, documentário de dez episódios que fala sobre os presidiários que estão – ou estiveram – no corredor da morte, em prisões dos Estados Unidos.

“Eu Sou um Assassino” chama atenção logo pelo título. É uma afirmação forte, impactante, incomoda. Li em voz alta e pensei: “cruzes, eu não”. O segundo pensamento que apareceu foi: “o que leva uma pessoa a se colocar como responsável pela morte de alguém?”, isso foi o bastante para que eu apertasse o play. Cada episódio conta a história de um presidiário diferente, com foco em seu ponto de vista e na reflexão das consequências que os levaram até ali.

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Desde que a pena de morte foi reinstituída nos EUA em 1976, mais de 8.000 pessoas foram sentenciadas à morte por assassinato”. Esse dado é fornecido no começo dos dez episódios da série documental. Somos apresentados ao condenado por meio de entrevistas realizadas com ele e com as pessoas que se envolveram direta ou indiretamente com o caso (familiares das vítimas e presos que eram companheiros de cela, por exemplo).

A narrativa é, sem dúvida, o ponto forte do documentário. Em uma hora de duração, cada caso é analisado, dissecando qualquer possível desdobramento ou teoria e procurando externar opiniões dos dois lados do crime – vítima e agressor – paralelamente. É fascinante ou, no mínimo, curioso tentar entender as condições que levaram determinado detento a cometer um homicídio. Alguns permanecem sem arrependimentos e com clareza dos seus atos. Outros questionam se seria realmente necessária uma pena de morte para seu caso.



Outro ponto positivo vai para quem é mais sensível. Embora o assunto seja polêmico e sério, não há fotos, vídeos ou qualquer outro tipo de conteúdo que ilustre a violência cometida pelos infratores. No máximo uma fotografia embaçada ou poças de sangue no chão, mas nada visivelmente perturbador. O objetivo do documentário não é chocar e, sim, externar a realidade vivida nos Estados Unidos (um dos 57 países que permitem a pena de morte) de maneira humana, o impacto que reverbera em outras pessoas e os defeitos da lei e do sistema prisional que as penitenciarias adotam.

Para os que gostam de produções baseadas em fatos reais, crimes ou histórias que envolvem o psicológico do ser humano, “Eu Sou um Assassino” é um prato cheio para maratonar em poucos dias.

E se você já assistiu todos os episódios, conta nos comentários como se sentiu com a sinceridade dos detentos e se você concorda ou não com o que foi mostrado!

*Fernando começou a assistir a séries de TV e streaming em 2009 e nunca mais parou. Atualmente ele acompanha mais de 200 produções e já assistiu mais de 6 mil episódios. A série mais assistida - a favorita - é 'Grey's Anatomy', à qual ele reassiste com qualquer pessoa que esteja disposta a começar uma maratona. Facebook: Uma série de Coisas. Instagram: @umaseriedecoisas. Blog: Uma Série de Coisas.

*A Folha de Pernambuco não se responsabiliza pelo conteúdo das colunas.

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