Vida Saudável

Ney Cavalcanti e Solange Paraíso

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Sal em excesso é prejudicial
Sal em excesso é prejudicialFoto: Leo Motta/Arquivo FolhaPE

A cada ano, em abril, o Ministério da Saúde alerta a população brasileira para a prevenção e o tratamento da Hipertensão Arterial, responsável por um grande número de mortes em nosso país. Quando a medição ultrapassa 14 x 9, é hora de acompanhar mais de perto a saúde e os hábitos como um todo. Aí algumas medidas são recomendadas: o controle do peso corporal, da atividade física regular, de hábitos como tabagismo e alcoolismo, do estresse, do sono e da alimentação.

O principal nutriente envolvido no controle da pressão sanguínea dentro das artérias é o sódio. Ele se encontra em vários alimentos, mas é no sal de cozinha, na forma de cloreto de sódio, que está mais concentrado. A ingestão de sal e de sódio vem aumentando a cada ano. Além do sal de cozinha com que temperamos as preparações e os alimentos em casa, há uma grande quantidade que se acrescenta na indústria, para dar sabor e para conservar os alimentos.

O sódio tem muita afinidade por água; quando salgamos um alimento, toda a água disponível se liga ao sódio, e não “sobra água” para as bactérias se desenvolverem. Por causa desta mesma afinidade, quando ingerimos muitos alimentos salgados, o sódio faz reter água dentro das artérias, fazendo aumentar a pressão. Se isso persistir, haverá danos em órgãos nobres como o cérebro, os rins, e o coração.

Quando o indivíduo não é hipertenso e o consumo aumentado de sal é apenas ocasional (p. ex., passar um domingo comendo churrasco ou exagerar no bacalhau da páscoa), o próprio organismo compensa, aumentando a sede, induzindo a ingestão de água, e fazendo a eliminação do excesso de sódio pela urina. As coisas se complicam quando os fatores de risco para a doença se somam, e as ocorrências de elevado consumo são frequentes.

Quanto à questão da industrialização e do apelo de consumo de alimentos prontos ou semiprontos, o preparo requer pouco trabalho e as pessoas valorizam a praticidade. Nunca tivemos uma oferta tão grande de opções de lanches e comidas assim, rápidas de fazer e de servir. Os aparelhos de micro-ondas estão aí para fazer o resto. Não negamos as vantagens da tecnologia; apenas alertamos para usar o bom senso e a moderação nas escolhas, optando por uma variedade de alimentos naturais, no dia-a-dia.

Os alimentos que compramos já temperados ou em forma de conserva não devem ser consumidos com tanta frequência; na realidade eles deveriam ser exceção, com uso apenas esporádico, principalmente porque vão conter também grande quantidade de gordura saturada e colesterol, se forem de origem animal (charque, carne de sol, salsicha, linguiça, hambúrguer, espetinho, empanados, presunto, mortadela, pizzas, etc.). Estas gorduras contribuem para o endurecimento e a obstrução das artérias, agravando as consequências da pressão alta.

Há também alimentos aparentemente inofensivos como ervilha, milho verde, extrato de tomate, molhos prontos (enlatados), temperos concentrados em forma de tabletes ou pó, sopas de pacote, etc., que escondem boa quantidade de sódio em seu preparo. Isto sem falar nas batatas fritas e nos salgadinhos, que se tornaram verdadeiros campeões de consumo entre crianças e adolescentes... Ah, e por falar nestes grupos, nem eles escapam da hipertensão, sendo necessário educá-los para a prevenção e o tratamento precoce.

Vamos, pois, consumir mais cereais, leite, carnes magras, frutas e verduras, sementes oleaginosas e azeite, e saborear o gosto original dos alimentos!

*É nutricionista e atua no Tribunal de Justiça de Pernambuco no Núcleo do Saúde Legal e escreve quinzenalmente neste espaço.



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