Vida Saudável

Ney Cavalcanti e Solange Paraíso

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A onda de programas de TV e Internet que exploram o nicho de gastronomia, ao que parece, veio para ficar
A onda de programas de TV e Internet que exploram o nicho de gastronomia, ao que parece, veio para ficarFoto: Da editoria de Arte

Estava eu assistindo ao noticiário de economia, quando saltou uma frase de um popular: “estou aprendendo umas receitinhas para variar minhas refeições e levar comida para o trabalho, ao invés de gastar com restaurante”. Exultei. De vez em quando, troco umas experiências com uma colega de trabalho, acerca do cultivo de quéfir, aquele iogurte caseiro que se faz, a partir de amostra obtida por doação.

Da última vez, fiz a observação de quanto ela se empoderara, ao inserir em sua rotina puxada os procedimentos da troca do leite, da composição de lanches saudáveis a partir de uma pequena porção do quéfir em diversas misturas com frutas, por exemplo.

Nos dias de hoje, são algumas atitudes simples assim, que sinalizam as mudanças de comportamento esperadas, no contexto da adoção de hábitos saudáveis de alimentação. E não é à toa, que o Guia Alimentar brasileiro inclui, textualmente, diretrizes, como: “aprenda a cozinhar e preparar alimentos e compartilhe esse momento com a família e os amigos”, e “organize seu tempo para dar à sua alimentação o espaço que ela merece”.

Conheço mães dedicadas, que, embora se ocupem com trabalho fora de casa o dia inteiro, planejam os lanches que os filhos levarão à escola, no dia seguinte.

Dá trabalho? Sim, algum. Mas nada sobrenatural, dispendioso, ou elaborado demais. Pelo contrário, a lógica da escolha de tais alimentos segue a rotina familiar e as preferências dos pequenos, diferenciando, inclusive, entre irmãos.
  
Convivo com pessoas que, habitualmente, se envolvem com as compras de alimentos e todas as etapas tidas como chatas, que vão desde a seleção de frutas e verduras numa quitanda ou feira livre, (com direito a pechincha, inclusive), até as entradas em mercados públicos num dia de semana para “garimpar” novidades ou encarar as famigeradas filas de supermercados em final de mês, atrás das promoções. E pasmem, elas são felizes com isso.

A onda de programas de TV e Internet que exploram o nicho de gastronomia, ao que parece, veio para ficar. Oficinas de preparo de café, tanto para iniciantes e apreciadores, como para treinamento dos que pretendem se profissionalizar, idem.

Varandas “gourmet” são incluídas como opção de planta em apartamentos em construção, esnobando as simplórias churrasqueiras (mas sem desbancá-las, pois estão cristalizadas em nossa cultura e contam ainda com o gosto de muitos).

Nos subúrbios, muitos negócios florescem a partir da vocação de um bom churrasqueiro doméstico que se coloca à disposição para aumentar a produção, a pedido de amigos. Na esquina da minha rua há um desses, que fabrica caldeirões de feijoada e dobradinha, e se instala ali mesmo, embaixo de um toldo, nos sábados e domingos, e “não chega para quem quer”.

Talentos e dotes especiais à parte, os que possuem domínio de técnicas culinárias triviais, podem e devem investir em elaborar suas próprias refeições, ao invés de terceirizar com pessoas ou estabelecimentos que nem sempre prezam por boas práticas de higiene, sem falar no custo financeiro.

 Outras vantagens: otimizar a escolha de alimentos que estejam na safra, poder usar sal, açúcar e gordura em quantidades moderadas, priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, administrar o tamanho da porção que se adéqua às necessidades individuais, evitar o desperdício e descartar os resíduos corretamente.

*É nutricionista e atua no Tribunal de Justiça de Pernambuco no Núcleo do Programa Saúde Legal

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