Vida Saudável

Ney Cavalcanti e Solange Paraíso

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A família toda pode se envolver na rotina alimentar da casa
A família toda pode se envolver na rotina alimentar da casaFoto: Da editoria de Arte

“Planejar o uso do tempo para dar à alimentação o espaço que ela merece”. Esta recomendação do Guia Alimentar brasileiro retrata a necessidade das famílias para se adequarem às demandas do cotidiano.

O gerenciamento do tempo despendido para as tarefas de uma casa ou de uma família interfere nas outras esferas de movimentação - casa, escola, trabalho, lazer, etc. As pressões que os indivíduos sofrem por parte de seus chefes, professores e colegas (e de mesmos) para otimizarem seu desempenho, fazem com que espremam cada vez mais o curto tempo que sobra em casa.

Os cuidados com a alimentação dizem respeito a todas as fases, desde o planejamento dos cardápios e o abastecimento de alimentos com diversos graus de perecibilidade, até o preparo das refeições propriamente ditas e a higienização dos utensílios e áreas físicas.

Pelo traço cultural peculiar de país colonizado herdamos hábitos como o de ter a figura da cozinheira, serviçal incansável, à qual não restavam opções de ascensão social. Muitas vezes esse papel era acumulado pela mulher-patroa-mãe-esposa. Atualmente não é mais assim.

Mesmo que hoje em dia a função gerencial da família ainda esteja centrada nos pais, deve haver um maior compartilhamento de atividades por todos os membros, incluindo crianças e adolescentes, sem distinção de gênero.

A figura da empregada doméstica rareia mais e mais, e as pessoas que prestam serviços de cozinheira ou faxineira diarista chegam às casas com atribuições e horários bem definidos, sendo apenas elos da cadeia de executores da chamada administração do lar.

É claro que o acúmulo de tarefas dentro e fora do lar requer o estabelecimento de prioridades, e a alimentação deve estar entre as principais. Se se tornar impossível para alguns elaborarem suas próprias refeições, devem ter em mente os cuidados na terceirização.

Mesmo que disponham de recursos financeiros para comer em restaurantes, os critérios de qualidade nutritiva e higiênica devem ser rigorosos, e também aí se torna importante atribuir à alimentação o devido tempo.

Com boa vontade e conscientização é possível reavaliar como tem sido usado o tempo do indivíduo e da família, para identificarem quais atividades podem ceder espaço para a alimentação. Há pessoas que incrementam o visual logo às primeiras horas da manhã, mas alegam não ter tempo para preparar (ou até somente ingerir) a primeira refeição do dia; ou mães de família que providenciam tudo para os pequenos mas saem em jejum de casa, deixando para comer “qualquer coisa” no trabalho, à custa, muitas vezes de cotinhas solidárias com os colegas, o que resulta em refeições incompletas, do ponto de vista nutricional.

É mais prático planejar os cardápios e abastecer para uma semana com as carnes, laticínios, legumes, frutas, verduras, cereais e leguminosas. A operacionalização da estocagem, higienização e preparo dos alimentos deve ser negociada com todos os membros da família, dentro das suas reais possibilidades de contribuição.

Pode parecer pouco, mas isso tem uma função social e afetiva inesquecível na esfera familiar. Nessa lógica, crianças podem ajudar a guardar as compras e a lavar os vegetais e as frutas. Adolescentes podem chegar antes dos pais no mercado e adiantar a seleção de alguns itens da lista de compras.

Preparações mais trabalhosas podem ser elaboradas em etapas. Vegetais podem ser higienizados e guardados em sacos plásticos, separados por tipo, para facilitar a montagem das saladas. Pessoas com mais habilidades culinárias se dispõem a treinar as demais...

*É nutricionista e atua no Tribunal de Justiça de Pernambuco no Núcleo do Programa Saúde Legal 

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