Vida Saudável

Ney Cavalcanti e Solange Paraíso

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Organizações mundiais estimulam campanhas para incentivar o aleitamento com famílias de todas as classes
Organizações mundiais estimulam campanhas para incentivar o aleitamento com famílias de todas as classesFoto: Da editoria de Arte

Quando as mulheres dão o peito a seus bebês, um incrível vínculo se estabelece. Além disso, considerando sua natureza enquanto mamíferos, a garantia da sobrevivência dos filhotes se dá por meio do leite materno, logo a partir do nascimento.

O leite da própria espécie tem supremacia sobre qualquer outro; mesmo que a mãe biológica esteja impedida por alguma razão, outra mulher poderá suprir o bebê levando-o diretamente ao seio ou doando o leite previamente coletado.

É possível, até, estimular a secreção do leite em mulheres que se prontificam à adoção de bebês - iniciativa louvável, estimulada e acompanhada por profissionais especializados nas instituições de atenção materno-infantil.

Organizações mundiais estimulam campanhas para incentivar o aleitamento com famílias de todas as classes sociais. Em 1992 a WABA (Aliança Mundial de Ação pró-Amamentação) instituiu a Semana Mundial de Aleitamento Materno, comemorada em 120 países. No Brasil, dá-se no período de 01 a 07 de agosto.

As metas estabelecidas por essas iniciativas visam à redução da mortalidade infantil, questão grave de saúde pública em muitos lugares no mundo. Do ponto de vista da nutrição, o tema é de uma relevância inquestionável, uma vez que o leite materno deve ser, sempre que possível, a única fonte de nutrientes até os seis primeiros meses de vida.

A partir desta idade, e pelo menos até os dois anos, a criança deve permanecer aleitada ao seio e receber em paralelo uma alimentação complementar adequada e saudável. Bebês amamentados têm menor risco para as diarreias e as infecções respiratórias, bem como para alergias; a médio e a longo prazo estarão menos susceptíveis à hipertensão, obesidade, diabetes e colesterol elevado.

Pelo estímulo contínuo da musculatura da cavidade oral durante a sucção do seio materno, estarão menos sujeitos a deformações, ao contrário dos que usam os bicos das mamadeiras. Mulheres que amamentam se beneficiam também, prevenindo nova gestação nos seis primeiros meses e enquanto não ovular; muitos estudos apontam a amamentação como protetora para a incidência de cânceres de mama, ovário e útero.

Quando o organismo materno está em gestação, a preparação para a lactação já está ocorrendo sob a regulação dos hormônios específicos; após o parto são necessárias cerca de 500 calorias a mais, diariamente, para atender à demanda nutricional da mãe nesta fase.

Estas calorias serão provenientes de alimentos saudáveis que fornecerão proteínas, carboidratos, gorduras, sais minerais e vitaminas no balanço adequado à produção do leite. A ingestão de água e outros líquidos como sucos de frutas e água de coco deverá ser abundante, de forma a produzir a secreção láctea na diluição propícia aos nutrientes nela contidos.

Em consequência do elevado gasto energético para a produção do leite, a amamentação é um fator natural positivo para a volta ao peso corporal anterior à gestação. Na lactação, dietas restritivas são contraindicadas em virtude da necessidade do suprimento de todos os nutrientes para garantir a saúde da mãe e do bebê.

Em casos específicos, o profissional nutricionista orientará os ajustes na alimentação e fará o devido acompanhamento. O mesmo se dará quanto às orientações do retorno à prática de exercícios pelos profissionais de educação física.

P.S. dedico esta matéria à querida Amanda Guimarães, a qual compartilha em redes sociais depoimentos corajosos, acerca dos desafios para amamentar nas primeiras semanas de vida!

*É nutricionista e atua no Tribunal de Justiça de Pernambuco no Núcleo do Programa Saúde Legal

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