Vida Saudável

Ney Cavalcanti e Solange Paraíso

ver colunas anteriores
Como em outros setores, as mulheres médicas sofrem discriminação
Como em outros setores, as mulheres médicas sofrem discriminaçãoFoto: Da editoria de Arte

Praticamente todas as profissionais de Medicina femininas sofreram várias vezes discriminações por serem mulher. Interrogação da sua competência, confundida como outros membros de menor importância das equipes de saúde, procura reduzida por parte dos pacientes, etc.

A discriminação ocorre não só por parte dos clientes, também pelos outros membros das equipes e também dos próprios profissionais médicos. Este tipo de tratamento que a sociedade, como um todo, faz aos médicos do sexo feminino é extremamente injusto.

Várias pesquisas demonstram uma melhor evolução dos pacientes tratados por médicas, do que aqueles acompanhados por profissionais do sexo masculino. A quantidade e qualidade das pesquisas é igual ou superior a dos homens. Os resultados de concursos na graduação e na pós mostram quase sempre que os melhores resultados são delas.

Apesar disto, é muito menor o número das profissionais médicas que ocupam cargo de chefia nas instituições de saúde, não é porque elas não desejem ascensão profissional.
Com tantas dificuldades, seria de esperar que o número de mulheres desejando esta profissão diminuiria a cada ano. Porém acontece exatamente o contrário.

Cada vez mais estamos formando mais médicas. Nos Estados Unidos, na década de 1970, havia nove estudantes de Medicina masculino para cada mulher. Os números foram paulatinamente se modificando. No ano de 2017 já existiam mais estudantes mulheres do que homens. Isto demonstra que apesar de todas as dificuldades, as mulheres continuam querendo, cada vez mais, ser médicas.

Como resultado, cada vez mais teremos mais médicas do que médicos. Porém, o fato de esta população vir a ser majoritariamente feminina não garante que seja capaz de exercer função importante para diminuir a discriminação. Afinal, a maior parte delas é formada por jovens que demorarão e terão muitas dificuldades de assumir cargos de chefia no curto prazo.

A situação atual tem preocupado o meio universitário médico.
Associações médicas americanas têm promovido cursos presenciais e pela Internet para profissionais tentando minimizar as discriminações que sofrem as profissionais mulheres.

Necessita-se motivar os profissionais mais experientes a educar os mais jovens em modificar o tratamento com as colegas. Este movimento tem experimentado alguns progressos, mas está longe do que seria o desejado.

Uma outra atividade que precisa ser desenvolvida é uma maneira de atingir a sociedade como um todo. Afinal, a população é também uma grande e talvez a maior responsável pela discriminação das profissionais médicas mulheres. Felizmente, existe atualmente um grande movimento mundial defendendo a igualdade de tratamento da mulher em relação ao homem em todas as atividades.

Como sabemos, a discriminação feminina não ocorre só na medicina, ela também existe em várias outras atividades. Salários diferentes dos homens para o mesmo cargo, a mesma função, maior dificuldade para ascensão profissional, menor chance de contratação para o trabalho, etc.

Este movimento tem conseguido algum sucesso no tratamento igualitário dos sexos, porém está longe em atingir o patamar aceitável. Precisamos continuar trabalhando.

*É médico endocrinologista e escreve quinzenalmente neste espaço

veja também

comentários

comece o dia bem informado: