Vida Saudável

Ney Cavalcanti e Solange Paraíso

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Obesidade é distúrbio alimentar
Obesidade é distúrbio alimentarFoto: Leo Motta/Arquivo FolhaPE

O número de pessoas com dimensões ponderais maiores do que o desejável não para de crescer. Com isso muitas doenças mais freqüentes e mais graves em que tem excesso de gordura corporal como Diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, várias formas de câncer, etc. na sua prevalência cada vez maior.Como resultado aumento muito grande dos custos da medicina. Este problema ocorre num grane número de países e acomete todas as faixas sócio econômicas. Inclusive mais freqüente entre os menos ricos. Uma provável justificativa é que nesta faixa de renda o consumo de carboidratos é usualmente muito maior.

Afinal este tipo de alimento é o mais barato. A sociedade e a medicina não tem sequer sabido estacionar o número crescente de portadores de excesso de peso. É estabelecido que o crescimento do números de pessoas com obesidade são os hábitos atuais da sociedade. Muito pouco gastos calóricos principalmente nas cidades para que uma pessoa realize suas tarefas diárias, automóvel, elevador, computador, controle remoto, TV, etc. Do outro lado, acesso ilimitado à alimentação que ocorre na maioria das populações. Muitas vezes alimentos de alto valor calórico e pouco nutritivo.

Até há poucos anos atrás não existia quase legislação para os produtores deste tipo de alimento. Felizmente nos últimos anos os governos tem feito ações para diminuir os malefícios destes tipos de alimentos. Obrigação de colocar no rótulo destes produtos a composição e valor calórico. Estímulo às industrias de modificar a composição do seus produtos visando a diminuição das calorias e melhoria do seu valor nutritivo. Estas medidas governamentais são relativamente recentes e ainda não surtiram os efeitos desejados. Esperamos que isto aconteça. Não existem dúvidas que o pouco gasto calórico e o acesso ilimitado à alimentação hipercalórica são os fatores mais importantes para a epidemia crescente da obesidade.

Porém, eles não são os únicos. Caso isto fosse verdadeiro todos nós que vivemos numa sociedade em que os dois fatores são permanentemente presentes teríamos excesso de peso ou obesidade. Apesar do aumento do número de pessoas com excesso de peso, a maioria da população não tem gordura corporal aumentada.A ciência médica não sabe que outro fatores metabólicos estejam envolvidos no desenvolvimento do excesso de peso. Por conta disto resolveu encontrar um culpado, o próprio gordo.

Alimentação excessiva, sedentariedade, ansiedade, depressão, ausência de força de vontade são algumas das acusações que o portador de excesso de peso recebe. A sociedade absorveu estas "acusações" e por conta disto é extremamente discriminadora dos que tem excesso de peso. Quantas pessoas você conhece, com peso normal, que são sedentárias e que tem problemas emocionais sérios e que ingerem alimentos com muitas calorias? Existem milhares de indivíduos com dimensões ponderais normais e que ingerem mais calorias do que pessoas obesas. O aproveitamento calórico é diferente por mecanismos ainda desconhecidos. Em resumo, o gordo não é o grande culpado. Os fatores ambientais, sedentariedade e ingesta calórica são importantes, mas existe uma alteração metabólica que ainda não foi esclarecida.

*É médico endocrinologista e escreve quinzenalmente neste espaço

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