Vida Saudável

Ney Cavalcanti e Solange Paraíso

ver colunas anteriores
Câncer de mama e mamografia
Câncer de mama e mamografiaFoto: Arte/Folha de Pernambuco

O câncer de mama é o segundo tumor mais frequente da espécie humana. É o responsável por cerca de 22% dos novos casos de câncer que são diagnosticado anualmente. É muito raro no sexo masculino e também tem baixa ocorrência entre as mulheres até o fim da terceira década de vida.

Existem alguns fatores capazes de aumentar a probabilidade do seu surgimento. Entre eles, os antecedentes familiares da doença, duração longa do período menstrual, primeira menstruação precoce e ou menopausa tardia, após os 50 anos. Também aumentam o risco a ausência de gravidez, ou que a sua ocorrência seja somente depois de 30 anos de idade, o uso de hormônios femininos, obesidade, etc. O prognóstico desta patologia experimentou melhorias quanto à mortalidade nas últimas décadas.

A incidência desse tumor é semelhante no Brasil e nos Estados Unidos, porém o número de mortes ocasionadas por ela é diferente. Enquanto na América do Norte morrem apenas 19 pacientes em cada 100 diagnosticadas, no nosso País são quase 30. Isto muito possivelmente se deve ao estágio da doença em que o diagnóstico é feito.

Enquanto só 10% dos casos são diagnosticados no Brasil na fase inicial do câncer, nos Estados Unidos este percentual é superior a 50%. Quando o diagnóstico só é feito no estágio avançado da doença, os percentuais se invertem, 45% no Brasil contra apenas 8,4% nas mulheres americanas.

Quando o tratamento se inicia só nessa fase, o prognóstico se altera substancialmente. A possibilidade da paciente permanecer viva, após dez anos, é apenas cerca de 17%. A introdução da realização de mamografia rotineira anual nas mulheres depois dos 40 anos demonstrou inicialmente a capacidade de reduzir a mortalidade.

O exame permite o diagnóstico mais precoce. No entanto, este tipo de procedimento vem sendo motivo de debate. Em primeiro lugar, a análise de várias pesquisas realizadas recentes vem demonstrando que a realização anual da mamografia não é capaz de reduzir a mortalidade. Ao contrário do que as pesquisas antigas demonstraram.

Um grande estudo avaliando estudos com 600 mil mulheres demonstrou que isto não ocorria na grande maioria delas. E, naquelas poucas que houve uma redução na mortalidade, mostraram que esta diminuição era muito discreta. Para que se diminuísse uma única morte pela doença, teria que se realizar o exame durante dez anos em mil mulheres. Relação custo-benefício difícil de ser aceita.

Muitos cientistas, hoje, acreditam que a diminuição da mortalidade demonstrada quando se produziu a mamografia sistemática não se deve a este procedimento, mas, sim, pela grande melhoria dos tratamentos. Um outro motivo de crítica, quanto à realização do exame de forma sistemática, é a probabilidade, não pequena, de falsos diagnósticos positivos de tumor.

Calcula-se que para cada mil mulheres que realize o exame anualmente, durante dez anos, entre 490 e 600 delas este erro acontecerá. Isto acarreta repercussões extremamente negativas. Terrível impacto psicológico, grande aumento, desnecessário, nos custos com a realização de novos exames.

Leia também:
Gordura faz mal à saúde?
Conheça o cardápio que garante a saúde da próstata


Com frequência também são realizados procedimentos agressivos como biopsias. Às vezes, radioterapia e até cirurgias absolutamente desnecessárias. Por conta destes dados, um grupo de trabalho da Academia de Medicina da Suíça publicou recentemente uma sugestão radical: que seja interrompida a realização sistemática do exame. Obviamente, sugestão esta que não será aceita pelos mastologistas, oncologistas e muito menos pelos radiologista, que continuam defendendo a realização anual dos exames.

Atualmente, as autoridades de saúde americana sugerem que o exame só seja realizado a cada dois anos, a partir dos 50, e até os 75 anos. Entre 40 e 50 anos só deverão ser realizados nos portadores de fatores de risco para a doença. No Brasil, a maioria dos médicos continuam defendendo que o exame seja feito a cada ano nas mulheres a partir dos 40, e para muitos sem idade para terminar. Quem tem razão???

*É endocrinologista e escreve quinzenalmente neste espaço   

veja também

comentários

comece o dia bem informado: