Vida Saudável

Ney Cavalcanti e Solange Paraíso

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Saúde
SaúdeFoto: Rafael Furtado / Folha de Pernambuco

O funcionamento do nosso organismo necessita de fornecimento contínuo de energia. Afinal, os nossos órgãos não param de funcionar. Essa energia nos é fornecida pelos alimentos. Como não nos alimentamos continuamente, necessitamos ter uma reserva de combustível, que nos forneça energia nos intervalos entre as refeições. Nós, animais, escolhemos as gorduras como forma de armazenamento e são os triglicerídeos a forma de os lipídios terem o melhor rendimento energético.

Por conta disso, as nossas células gordurosas, os adipócitos, têm como principal reserva os triglicerídeos. Apesar de os carboidratos serem mais facilmente metabolizados, eles não são os escolhidos. O motivo é que eles são um combustível muito pesado para servirem como reserva energética. Afinal, cada grama de carboidrato produz apenas quatro calorias, ao passo que a mesma quantidade de gordura gera nove.

Além disso, o armazenamento dos açúcares exige a quantidade equivalente da água. Em resumo, se tivéssemos optado pelos carboidratos, em vez de gordura, o peso do nosso reservatório de energia seria três vezes maior. A ninguém interessa carregar um tanque mais pesado se é possível ter um mais leve. Os triglicerídeos que são armazenados na célula adiposa chegam de duas maneiras. A maior quantidade vem da fabricação pelo fígado. Este órgão é capaz de produzir utilizando vários tipos de matéria-prima.

A outra maneira que esta gordura atinge o adipócito vem da gordura que ingerimos. Depois de absorvidos no intestino, os triglicerídeos vão diretamente do para as nossas células adiposas. É importante ressaltar o papel importante que o hormônio insulina tem sobre o metabolismo dos triglicerídeos. No fígado, este hormônio controla para que não haja produção exagerada desta gordura, além de ajudar essa substância na entrada na célula armazenadora.

É por isso que quando não existe uma ação insulínica adequada, os níveis dos triglicerídeos sanguíneos costumam se elevar. É também por esta razão que a maioria dos que apresentam esta alteração tenha excesso ponderal. Quantidade excessiva de tecidos gordurosos produz resistência à ação da insulina.

Como resultado, o fígado produz quantidades excessivas dessa gordura. Além disso, também, com a deficiência da ação do hormônio, existe dificuldade de sua entrada - dos triglicerídeos no adipócito. Como consequência, há uma elevação dos níveis dos triglicerídeos no sangue. 

Obviamente, também no diabetes - doença devida à ação deficiente da insulina - eles podem estar elevados. A dosagem sanguínea deve ser feita com jejum de 12h a 14h. São considerados ideais níveis iguais ou inferiores a 150 mg/dl e aceitáveis até 200mg/dl. Além do excesso de peso, os outros fatores que aumentam a chance de ter triglicerídeos elevados são o sedentarismo e a ingestão de álcool. Alguns medicamentos também podem acarretar a elevação sanguínea dessa gordura. Diuréticos, hormônios femininos, corticoides, remédios para HIV etc.

A elevação dos níveis dos triglicerídeos causam malefícios à saúde? Quando muito elevados, em torno de 1000 mg/dl, podem causar uma doença grave conhecida como pancreatite. Nos casos em que o aumento é discreto, é discutível o seu malefício. No entanto, com a frequência, os que apresentam a anormalidade evidenciam outros fatores de risco como hipertensão arterial e/ou diabetes e/ou intolerância aos carboidratos, e/ou HDL baixo, e/ou LDL (colesterol ruim, o mais agressivo).

Caso existam estes fatores, eles deveram ser tratados. A grande medida terapêutica para a hipertrigliceridemia é a mudança de estilo de vida. Perder peso, fazer atividade física, diminuir ou suprimir o álcool. Quando isso não é conseguido ou é insuficiente pode-se, em alguns casos, usar medicamentos.


*É médico e escreve neste espaço sobre saúde


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