Duas mil pessoas foram atendidas na edição do Mutirão realizada ano passado
Duas mil pessoas foram atendidas na edição do Mutirão realizada ano passadoFoto: Arthur Mota/Arquivo Folha

Começa nesta terça-feira o 5º Mutirão de Renegociação de Dívidas do Programa de Orientação e Proteção ao Consumidor do Recife (Procon-Recife). Até sexta-feira, os recifenses que estão com o nome negativado podem negociar descontos nos juros e parcelamentos diferenciados em contas de água, energia, telefone, empréstimos, financiamentos, de cartão de crédito, cheque especial e outros. A ação vai atender 500 pessoas por dias, em ordem de chegada, das 9h às 14h, no Compaz Governador Eduardo Campos, no Alto Santa Terezinha. Na edição do ano passado, duas mil pessoas foram atendidas pelo Mutirão.

Para participar, é necessário ser morador do Recife ou ter contraído a dívida num fornecedor local. O consumidor precisa saber a quem está devendo, uma vez que o Mutirão não realiza consulta ao SPC ou Serasa. O cidadão deve apresentar RG, CPF (ou outro documento de identificação com foto) e comprovante de residência. Se for negociar dívidas em nome de terceiros, levar também procuração pública com firma reconhecida.

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Segundo o secretário-executivo de Defesa do Consumidor do Procon-Recife, José Neves, os consumidores terão condições especiais para negociar, diferente do atendimento normal. “No Mutirão, as instituições financeiras têm o propósito de resolver a vida do consumidor que está pendurado. Por exemplo, no cheque especial é cobrado juros de aproximadamente 12% ao mês. No Mutirão, eles reduzem os juros para uma taxa menor”, disse ele.

“Já tivemos redução de quase 80% no valor total da dívida. Estavam cobrando R$ 10 mil e o consumidor pagou R$ 2,5 mil”, contou. “Teve cidadão com dívida dele R$ 19 mil no cheque especial. Quando foi fazer a ação, caiu pelo valor nominal. Ficou por R$ 1,9 mil”, revelou José Neves.

Quinze instituições financeiras (Bradesco, Itaú-Unibanco, Banco do Brasil, Santander, Caixa, Citi, Mercantil, PAN, Safra, BMG, BNB, Carrefour, Cetelem-BGN, Daycoval e Votorantim) participarão do evento, além de empresas de telefonia móvel e fixa (Oi, TIM, Claro e Vivo), da Compesa, da Celpe e Prefeitura do Recife - para negociar débitos com IPTU e ISS. De acordo com o Procon-Recife, algumas entidades vão fechar acordos na hora, enquanto outras devem responder em um prazo de 10 dias.

Inadimplência

No Recife, onde 74,8 mil famílias (14,7%) estão inadimplentes, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) de outubro, a ação traz a possibilidade de reintegrar os consumidores negativados ao mercado. “Os feirões são interessantes porque dão oportunidades de ganhar desconto nos juros”, disse o economista da Federação do Comércio de Pernambuco (Fecomércio-PE), Rafael Ramos. Ele sugere que, no momento da negociação, o cidadão verifique se a parcela proposta cabe no orçamento. “É importante a pessoa ter noção da parcela máxima que tem condições de pagar para não ocorrer descontrole novamente”, aconselhou.

O economista destaca ainda que a inadimplência no Recife vem caindo. No mesmo período do ano passado, o número de famílias que não conseguiam sanar as dívidas era de 90,9 mil (18%), número expressivamente maior. Para ele, essa melhora pode ser explicada pela recessão econômica no País. “A crise forçou o consumidor da fazer uma educação financeira. Muitas famílias diante da crise e do orçamento apertado passaram a valorizar mais a renda e planejar as finanças. Hoje temos um consumidor que pesquisa mais, que tenta comprar mais a vista e usar menos o cartão de credito”, explicou. 

Black Friday
Black FridayFoto: Pixabay

Aguardada por muitos, a Black Friday vai ser realizada na próxima sexta-feira (23) com descontos de até 80% no preço de produtos. Desde 2010, quando a data chegou ao Brasil, na época apenas no varejo online, o evento se consolidou no calendário do comércio. Segundo pesquisa da Ebit, só o e-commerce deve faturar R$ 2,43 bilhões com a Black Friday neste ano, 15% a mais que em 2017.

O número de pedidos também deve aumentar, de 3,76 milhões para 4 milhões - crescimento de 6,4%. Para muitos consumidores, trata-se de uma oportunidade de antecipar as compras de Natal: o estudo constatou que aproximadamente 37% das aquisições do cliente serão para o fim de ano.

No entanto, mesmo com as promoções sedutoras e o forte apelo ao consumo, é necessário ter muita atenção para evitar golpes, fraudes, e o fenômeno da “metade do dobro” - seja nas lojas físicas ou pela internet.

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Esse cuidado deve começar pela pesquisa prévia e monitoramento dos preços, de preferência com bastante antecedência. “O ideal seria ter feito esse acompanhamento no mês passado. Se o consumidor ainda não fez, faça desde já para validar se o desconto é real ou não”, orienta o educador financeiro Arthur Lemos.

“Ainda existem consumidores que não fazem a pesquisa e acabam caindo em armadilhas de fornecedores que anunciam promoções que não são tão vantajosas como parecem. Muitas vezes existe um desconto, mas ele é menor que os 40%, 50%, 60% divulgados”, alerta Bruno Bóris, professor de direito do consumidor da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas.

Algumas plataformas podem ajudar o consumidor a garantir a melhor oferta. A Proteste lançou a ferramenta Mais Barato Proteste, um plug-in para o navegador de internet Google Chrome que busca os menores preços em mais de 30 lojas. Se o produto ainda estiver com um preço elevado, é possível cadastrar o valor que deseja pagar e receber um alerta por e-mail ou SMS quando alguma loja oferecer o preço escolhido. Para baixá-lo gratuitamente, acesse maisbarato.proteste.org.br.

Segundo Bóris, também é necessário pesquisar o histórico do fornecedor ou da loja de quem se compra o produto. Para verificar a idoneidade da empresa, os sites de reclamações, como o Reclame Aqui, são boas opções. “Existem fornecedores grandes e conhecidos que se você for pesquisar vão ter algumas reclamações, mas que costumam atender na sua grande maioria as queixas do consumidor”, diz.

“É importante avaliar essa resposta porque existem casos de fraude. Às vezes as pessoas criam um site da noite pro dia, fazem promoções com descontos muito elevados, você transfere o dinheiro, mas nem o fornecedor nem o produto existem e não tem para quem reclamar”, adverte.

Nesse sentido, a forma de pagamento pode ser um aliado para prevenir um eventual problema. “Em algumas situações, ao comprar mediante cartão de crédito você consegue fazer o chargeback (estorno). O cartão é uma forma segura de rastrear o dinheiro. Mais seguros ainda são meios eletrônicos de pagamento, notoriamente conhecidos, como PayPal e Mercado Pago”, destaca.

 “No meio eletrônico de pagamento, se houver algum problema na entrega do produto, provavelmente você consegue a proteção contratual da devolução do dinheiro. Já via boleto bancário ou transferência direta na conta, você não vai conseguir o dinheiro de volta porque a transação é automática. Se o negócio for fraudulento ou de má fé, não consegue recuperar”, fala.

No entanto, é preciso ter muito cuidado na hora de inserir suas informações sigilosas nos sites de compra. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), se o vendedor não for idôneo, pode utilizar o número de cartão de crédito e senhas cedidos pelo consumidor para realizar transações, burlar bloqueios de segurança, desbloquear novos cartões e confirmar dados.

Portanto, é necessário suspeitar dos links que chegam por e-mail, Facebook e WhatApp com promoções muito exageradas. Eles até podem levar o usuário a páginas que instalam um vírus no seu dispositivo, garantindo o acesso dos criminosos aos seus dados. É a prática chamada phishing, por meio da qual é possível obter informações que permitem fazer transações bancárias.

Apesar de o momento ser propício para compras, com a temporada de promoções e a injeção do 13º salário nas rendas, Arthur Lemos faz o alerta: “Qualquer desconto, por mais relevante que pareça, sobre um produto ou serviço que você não precisa é um mau negócio”, pontua. Especialmente com as campanhas de incentivo ao consumo, é fácil se deixar seduzir pelas promoções. E o impulso de comprar pode levar ao endividamento, e, se não administrado corretamente, à inadimplência.

“Da mesma forma, qualquer desconto sobre uma parcela ou gasto que não cabe no seu orçamento sai muito caro. É necessário validar se você tem capacidade financeira de honrar os gastos das compras, e ter a certeza de que poderá pagar essa parcela”, frisa. “Em breve entraremos num período de alta solicitação do orçamento das famílias, com Natal, festa de fim de ano, férias, material escolar e imposto”.

Direitos

No caso de compras online ou por telefone, o Código de Defesa do Consumidor prevê o direito de arrependimento. Isso garante o prazo de reflexão de sete dias, a contar desde a data de recebimento do produto, para decidir se deseja mantê-lo ou desistir da compra. Entretanto, em lojas físicas, o mesmo direito não se aplica. Por isso é preciso atentar para a política de devolução de cada estabelecimento.

Para garantir que as lojas do Recife vendam produtos sem irregularidades durante a Black Friday, o PROCON Recife vai realizar fiscalizações ao longo de toda semana. Serão inspecionados a validade, a segurança, e se há defeito nos produtos.

A pesquisa também apontou que pelo menos 66% idosos mantêm independência financeira
A pesquisa também apontou que pelo menos 66% idosos mantêm independência financeiraFoto: Fotos Públicas

Quase metade da população idosa é a principal fonte de renda nos lares do país. Pelo menos é o que aponta levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) quando apontam que 43% dos brasileiros acima de 60 anos são os principais provedores e responsáveis por pagamento de contas e despesas.

O percentual aumenta entre os homens (53%) e, de um modo geral, 91% dos idosos no Brasil contribuem com o orçamento da residência, sendo que em 25% dos casos colaboram com a mesma quantia que os demais membros da família. Somente 9% não ajudam com as despesas.

Para Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil, uma mudança demográfica e comportamental dessa população ajuda a explicar os percentuais, com casos de aposentado que, por exemplo, é a única fonte de sustento da família. E o aumento da expectativa de vida dos brasileiros também é um fator importante, com idosos mais ativos, com mais autonomia financeira e trabalhando por mais tempo.

Outro dado que reforça a independência financeira de boa parte dos idosos é que 66% não recebem ajuda financeira de parentes, amigos, pensão ou programa social. Além dos 34% que contam com algum tipo de ajuda.

Padrão de vida piorou na terceira idade

Se por um lado o estudo mostra que os idosos são de grande importância para o sustento de seus lares, por outro, se observa também que muitos deles apenas conseguem pagar suas contas, sem que haja sobras de dinheiro para realizar um sonho de consumo ou investir. De modo geral, 39% dos idosos brasileiros até conseguem pagar suas contas sem atrasos, mas fecham o mês sem recursos excedentes.

Outros 14% nem sempre conseguem pagar as contas e algumas vezes precisam fazer esforço para administrar o dinheiro que recebem e 4% nunca ou quase nunca conseguem honrar os compromissos financeiros. Os idosos em situação financeira confortável, ou seja, pagam as contas e ainda sobra dinheiro, são 42% da amostra.

Para manobrar o orçamento, recorrer ao crédito acaba sendo uma saída prática, apesar de arriscada. Pelo menos 51% dos idosos costuma fazer empréstimos, utilizar cartão de crédito ou cheque especial para pagar as contas e conseguir cumprir compromissos mensais. Recorrer a uma reserva financeira seria a solução mais indicada, mas apenas 39% dos idosos possuem dinheiro guardado.

Metodologia
Foram entrevistados consumidores com idade acima de 60 anos de ambos os gêneros e de todas as classes sociais, nas 27 capitais brasileiras. A pesquisa pode ser acessada na íntegra no endereço https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas



Educação financeira via WhatsApp
Educação financeira via WhatsAppFoto: Paullo Allmeida / Folha de Pernambuco

Lidar com as próprias finanças ainda é algo difícil para a maior parte dos brasileiros, tanto que 62 milhões de pessoas estão inadimplentes no País, segundo o SPC. Mas a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) quer mudar essa realidade. Por isso, elaborou um guia básico de educação financeira para a população. E essas dicas serão repassadas gratuitamente pelo WhatsApp.

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Superintendente de Proteção e Orientação aos Investidores da CVM, José Alexandre Vasco explicou que o WhatsApp é um modo simples e efetivo de alcançar a população, já que mais de 120 milhões de brasileiros, de todas as idades e classes sociais, usam o aplicativo. “Queremos nos aproximar dos cidadãos e percebemos que o WhatsApp tem uma ampla aceitação, especialmente no público que queremos atingir: a nova classe média e as pessoas da classe C que não têm renda estável”, explicou Vasco, contando que o projeto teve um resultado positivo quando foi testado em comunidades do Rio de Janeiro. “As pessoas gostaram de receber nossas mensagens e várias disseram que conseguiram poupar com as dicas. Por isso, agora lançamos o projeto em larga escala em todo o Brasil”, contou.

Batizado de Precisamos Falar Sobre Dinheiro, o projeto começa na próxima segunda-feira (19) com um programa de educação financeira elaborado por especialistas da CVM e psicólogos. São três meses de mensagens sobre organização financeira, poupança e noções básicas de investimentos - dicas que chegarão diariamente pelo WhatsApp de diversas formas: texto, áudio e até memes. Os interessados em receber essas informações só precisam se cadastrar na lista de transmissão da CVM enviando, também pelo aplicativo, a mensagem “Quero Participar” para o número (21) 99450-5914. E quem perder o início do “curso” não precisa se preocupar, pois a CVM promete reiniciar o programa depois desses três meses.

“A informação é o primeiro passo para que o indivíduo tenha uma visão clara do seu orçamento e encontre um caminho adequado para atingir seus objetivos. Por isso, vamos trabalhar com finanças pessoais básicas para ajudar as pessoas a organizar sua vida financeira, saindo do endividamento e se possível começando a poupar”, contou Vasco, garantindo que todos conseguirão acompanhar o programa. “Vamos tratar de competências básicas, como orçamento doméstico. Ou seja, são mensagens para quem está começando a enveredar nas finanças pessoais”, afirmou Vasco, destacando que o objetivo do Precisamos Falar Sobre Dinheiro é fomentar a poupança mesmo nas classes mais baixas.

"O Brasil tem uma taxa de poupança muito baixa. E essa taxa ainda vem caindo. Mesmo nos anos de crescimento, quando 40 milhões de pessoas saíram da pobreza, essa taxa caiu. Ou seja, não é só uma questão de renda, mas uma questão cultural. Precisamos, então, ampliar a conscientização financeira da população”, justificou Vasco, afirmando que um alto grau de poupança amplia o bem estar financeiro dos cidadãos e também da economia nacional, pois favorece os investimentos produtivos. E quem já pode pensar em investimentos desse tipo também pode contar com orientações da CVM, só que no site e nas redes sociais do órgão, que é vinculado ao Ministério da Fazenda.

Pets são mimados no Ano do Cão em Hong Kong
Pets são mimados no Ano do Cão em Hong KongFoto: Isaac Lawrence / AFP

Para quem acha que cuidar de um animal de estimação basta comprar a ração todo mês, atenção: você pode acabar endividado. O educador financeiro Fabrizio Gueratto, do Canal 1Bilhão, fez essa conta e concluiu que a criação de um pet pode passar de R$ 66 mil até o fim da vida.

Segundo ele, é como comprar um carro. Além da gasolina é preciso levar em conta os gastos com IPVA, seguro e manutenção, por exemplo. Gueratto fez a conta considerando os gastos de um brasileiro de classe média com um cão de médio porte. A ração custa em torno de R$ 135 por semana, ou R$ 1.620 ao mês. Em dez anos, são R$ 16,2 mil.

O banho em pet shops pode resultar em mais de mil reais por ano. Se o dono resolve fazer um plano de saúde para o animal - e assim evitar sustos com a fatura do veterinário - a conta fica ainda mais alta. Entram na conta também remédios, antipulgas e acessórios. E se o animal foi comprado, não adotado, esse valor deve entrar na conta também.

O lado bom de ter um cachorro ou gato, todo mundo já sabe. Mas vale ir para a ponta do lápis e fazer a conta direitinho para ver se o bichinho cabe ou não no seu orçamento. 

Prefeitura do Recife distribui carnês do IPTU
Prefeitura do Recife distribui carnês do IPTUFoto: Arthur de Souza

Os moradores do Recife têm até o dia 30 de novembro para indicar o imóvel que vai receber o desconto de até 50% no IPTU de 2019. Só pode participar quem está em dia com os pagamentos da taxa. O processo é incrivelmente burocrático, mas vale a pena: o abatimento chega a 50% do valor do IPTU, podendo ser transferido para outro imóvel caso passe desses 50%. Confira o passo a passo:

Primeiro, crie uma senha web para acessar o serviço, neste link. Depois de preencher o formulário desta página, imprima o documento gerado, assine, digitalize e salve como PDF. Deixe à mão também versões em PDF do seu RG e CPF. O tamanho total dos aquivos não pode ultrapassar 15 MB.

Em seguida, clique neste link para fazer o procedimento de desbloquear a senha.  Preencha seus dados e clique no botão 'Enviar senha para o email' - você vai precisar desse código para concluir o processo e ele pode demorar alguns minutos. Você vai receber um segundo email da Prefeitura com o número do processo de liberação da senha. Esse passo é o mais demorado, pode nem chegar no mesmo dia.

Clique nesse link para acompanhar se a senha foi liberada.  

Nesse outro link você pode fazer o cadastro do imóvel

A partir daí, ao fazer compras, lembre de informar o CPF para inserir na nota fiscal e depois receber um crédito de 30% do valor pago de Imposto Sobre Serviços (ISS). Ou seja: toda vez que pagar a mensalidade escolar, reparos no carro, estacionamentos ou consultas médicas, por exemplo, você gera créditos que depois viram desconto no seu IPTU. O desconto não precisa estar vinculado ao CPF.

Poupança
PoupançaFoto: Reprodução/Pixabay

Criado para conscientizar a população sobre a importância de ter reservas financeiras, o Dia da Poupança é celebrado nesta quarta-feira (31) com um grande desafio. Afinal, devido à recessão, são poucos os que ainda conseguem poupar algum dinheiro no País. Em agosto, por exemplo, só 16% dos brasileiros fizeram isso, segundo a CNDL/SPC Brasil. E a maior parte dessa pequena parcela da população colocou o dinheiro na caderneta de poupança, que já não rende mais tanto quanto antes e pode ter a rentabilidade novamente reduzida nesta quarta caso o Copom volte a cortar a taxa básica de juros (Selic).

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Na pesquisa da CNDL/SPC Brasil, a maior parte dos não poupadores (45%) explicou que não guardou dinheiro porque não teve renda suficiente. Outros 15% reforçaram essa situação dizendo que estão desempregados. Já o restante admitiu imprevistos (15%) e descontrole financeiro (12%). “O contexto econômico afetou o orçamento. Mas, mesmo com algumas melhorias na economia, os brasileiros seguem sem poupar, porque não têm uma cultura de poupança”, avaliou o financista Arthur Lemos, dizendo que, por isso, é importante escolher bem o destino do que for poupado. “Já é tão desafiador fazer sobrar dinheiro no fim do mês que, quando sobra, deveríamos buscar o investimento que entrega o maior retorno possível”, afirmou.

Não há consenso, porém, quanto à melhor fonte de investimento. Até a poupança, que é usada pela maioria dos poupadores (59%), é alvo de discussões. É que a caderneta perde rentabilidade quando a Selic fica menor que 8,5%, como acontece hoje. Diretor da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Oliveira explicou que, com juros acima de 8,5%, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR). Quando os juros estão menores, porém, essa rentabilidade reduz para o equivalente a 70% da Selic mais a TR. Atualmente, como a TR está zerada e a Selic bate 6,5%, a poupança rende 0,37% ao mês ou 4,55% ao ano.

“Já a rentabilidade do Tesouro Direto entrega, ao menos, a Selic”, afirmou Lemos, que, por isso, recomenda o investimento nesse título público. “É preciso ficar atento, porém, às taxas de administração cobradas pelos bancos. Muitas são altas para um pequeno investidor. Então, a poupança pode ser boa para pequenos investimentos”, frisou Oliveira.

Com a dúvida, os poupadores têm começado a diversificar os investimentos. O Tesouro Direto, por exemplo, nunca teve tantos investidores ativos: foram 697 mil em setembro. Outra aplicação que tem crescido é a previdência privada, porque, como explicou a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, com a possibilidade da Reforma da Previdência, “a preocupação com a aposentadoria começa a entrar no radar do poupador brasileiro”. Segundo o SPC Brasil, o número de poupadores que recorre a esse instrumento subiu de 9% para 19% neste ano.

Poupadores têm diversas opções de escolha de reservas financeiras
Poupadores têm diversas opções de escolha de reservas financeirasFoto: Pixabay

Apenas dois em cada dez brasileiros pouparam algum valor da renda, pensando na aposentadoria. Os números, que correspondem a 19% de poupadores, foram apresentados pelo Indicador de Reserva Financeira da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Embora pequeno, houve um crescimento na comparação com o janeiro deste ano (9%). Já outros 45% destinam reservas para possíveis imprevistos, enquanto 28% fizeram para garantir um futuro melhor da família e 25% para o caso de ficarem desempregados. De acordo com o levantamento, o valor médio poupado foi de R$ 354.

E entre as principais formas de reserva financeira está a previdência privada, mencionada por 10% dos entrevistados, à frente de outros investimentos menos tradicionais, como Tesouro Direto (7%), CBD (5%), LCI (3%) e bolsa de valores (2%). No entanto, a velha caderneta de poupança ainda lidera o destino das reservas com folga (59%). Já 18% afirmam deixar o dinheiro em casa e outros 18% na conta corrente, enquanto 10% aplicam em fundos de investimento.

Aposentadoria
Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, a crise fiscal dos últimos anos e a questão previdenciária ocuparam lugar de destaque no debate político e econômico. Os números do levantamento revelam que a preocupação com a aposentadoria começa a entrar no radar do poupador brasileiro, mas a principal motivação para a formação de reserva ainda são os imprevistos.

Outra dado importante é de que a conjuntura econômica, com alto índice de desemprego e queda do poder de compra, segue prejudicando o orçamento familiar. Pelo menos quatro em cada dez pessoas (40%) que possuem reserva financeira tiveram de sacar ao menos parte desses recursos em setembro. Desse universo, 16% disseram destinar para uma situação inesperada e 9% para pagar dívidas. Outros 9% usaram para realizar uma compra e 7% para complementar renda.

Metodologia
O objetivo da sondagem é acompanhar mensalmente a formação de reserva financeira do brasileiro, destacando a quantidade daqueles que tiveram condições de poupar ao longo dos meses. O indicador abrange doze capitais das cinco regiões brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Salvador, Fortaleza, Brasília, Goiânia, Manaus e Belém. Juntas, essas cidades somam aproximadamente 80% da população residente nas capitais.

A amostra foi composta por pessoas com idade superior ou igual a 18 anos, de ambos os sexos e de todas as classes sociais. A pesquisa completa pode ser acessada no link https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas/indices-economicos



Dívidas
DívidasFoto: Felipe Ribeiro / Arquivo Folha

Ter problemas financeiros em decorrência de dívidas em excesso, é o óbvio. Mas, além deles, as consequências emocionais e de comportamento que os devedores adquirem, também devem ser levados em conta. E não são poucos os casos de pessoas que se sentem mais ansiosos por causa dos débitos.

De acordo com levantamento feito nas capitais pela Confederação Nacional de Dirigentes (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), pelo menos seis em cada dez inadimplentes – o que equivale ao percentual de 58% - passaram a ter sintomas de ansiedade.

Outros sentimentos que a maioria dos inadimplentes passou a vivenciar em algum grau foram também a insegurança em não conseguir pagar as dívidas (59%) e o estresse (52%). Há ainda uma parcela considerável de devedores que passaram a se sentir angustiados (47%), com sentimento de culpa (46%) e desanimados (41%) após as pendências.

A pesquisa também mostra que os atrasos de pagamento afetaram a autoestima de 41% dos entrevistados e quase um terço (31%) sente-se envergonhado perante a família e amigos por estarem devendo. Além disso, a preocupação com a imagem transmitida aos outros é algo que parte dos entrevistados leva em conta: 12% citam o medo de não conseguir um emprego por estarem devendo e 5% temem ser considerados desonestos pelas demais pessoas. De modo geral, 56% dos inadimplentes demonstram um alto grau de preocupação com as dívidas em atraso que possuem.

De acordo com a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o estado emocional do devedor interfere de forma direta na maneira com que ele lida com suas finanças. Sentimentos negativos dificultam o processo de organização das contas e é preciso que ele encontre formas de não se deixar abater pelas preocupações.

Vícios
A inadimplência também fez com que os consumidores buscassem meios de fugir de preocupações com a situação financeira. De acordo com a pesquisa, 22% das pessoas com contas atrasadas passaram a descontar a ansiedade em algum vício como cigarro, comida ou álcool e 15% passaram a gastar mais do que o costume com compras. Mesmo inadimplentes, 26% dos entrevistados admitem não terem feito ajustes no orçamento e 22% não abriram mão de compras que costumavam fazer.

O humor de boa parte dos entrevistados também foi impactado pelo endividamento, causando abalos até mesmo na vida social das pessoas. Os principais efeitos incluem ficar facilmente irritado (40%) ou mal-humorado (40%), além de ter menos vontade de sair e de se socializar com outras pessoas (32%). Outra constatação é que as pessoas podem reagir de forma oposta entre si em um momento de abalo emocional por causa das dívidas. Assim, enquanto uns sentem insônia (33%) e mais vontade de comer (26%), outros sofrem com perda de apetite (16%) e vontade de dormir fora do normal (24%).

Metodologia
A pesquisa ouviu consumidores com contas em atraso há mais de 90 dias, abrangendo ambos os gêneros de pessoas acima de 18 anos, de todas as classes sociais. A íntegra da pesquisa pode ser acessada em https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas

Semana Municipal do Crédito Produtivo segue até a próxima sexta-feira (26)
Semana Municipal do Crédito Produtivo segue até a próxima sexta-feira (26)Foto: Henrique Lima

Em alusão aos 19 anos da Lei da Micro e Pequena Empresa, começa nesta segunda-feira (22) e segue até a próxima sexta (26) a Semana Municipal do Crédito Produtivo realizada pela Prefeitura do Recife (PCR), em parceria com os bancos Santander e Banco do Nordeste do Brasil (BNB). A ideia é de que micro e pequenos empreendedores tenham a possibilidade de solicitar crédito e negociar dívidas.

A ação, gratuita, acontecerá nas unidades da Sala do Empreendedor localizadas no edifício-sede da prefeitura (Bairro do Recife), em Casa Amarela e no Compaz Ariano Suassuna (Cordeiro) – neste, o atendimento terá início a partir da terça-feira (23).

De acordo com a gerente de Captação de Empreendimentos da PCR, Márcia Melo, o intuito é facilitar o acesso dos pequenos empresários a informações sobre crédito e estimular o crescimento dos negócios de forma sustentável. Para tanto, os interessados poderão conversar diretamente com os agentes financiadores.

O crédito produtivo varia de R$ 500 a R$ 15 mil. O investimento dos valores pode ser empregado como capital de giro ou em compras de equipamentos para melhoria da estrutura de pequenos negócios. A operação financeira pode ser realizada através de grupos solidários ou de forma individual, com juros que variam de 2% a 3,2% ao mês.

Sala do Empreendedor
O espaço foi pensado para orientar as pessoas sobre temas como formalização de empresas, créditos produtivos para Microempreendedor Individual (MEI), microempresas, Empresas de Pequeno Porte (EPPs) e empreendedores informais, cursos de aperfeiçoamento, informações sobre o Programa Municipal de Compras Governamentais e concessão de alvará, licenças ambientais e sanitárias e tributações.

Os Postos de atendimento da Sala do Empreendedor estão localizados no andar térreo do edifício-sede da Prefeitura (Centro Público de Casa Amarela – Av. Norte, 5600), Compaz Governador Eduardo Campos (Av. Aníbal Benévolo, s/n, Alto Santa Terezinha, Zona Norte do Recife) e Compaz Escritor Ariano Suassuna (Av. General San Martin, s/n, esquina com a Abdias de Carvalho, Zona Oeste do Recife).

Serviço:
Semana Municipal do Crédito Produtivo
De segunda-feira (22) a sexta-feira (26)
 

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