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Poupança
PoupançaFoto: Reprodução/Pixabay

Criado para conscientizar a população sobre a importância de ter reservas financeiras, o Dia da Poupança é celebrado nesta quarta-feira (31) com um grande desafio. Afinal, devido à recessão, são poucos os que ainda conseguem poupar algum dinheiro no País. Em agosto, por exemplo, só 16% dos brasileiros fizeram isso, segundo a CNDL/SPC Brasil. E a maior parte dessa pequena parcela da população colocou o dinheiro na caderneta de poupança, que já não rende mais tanto quanto antes e pode ter a rentabilidade novamente reduzida nesta quarta caso o Copom volte a cortar a taxa básica de juros (Selic).

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Na pesquisa da CNDL/SPC Brasil, a maior parte dos não poupadores (45%) explicou que não guardou dinheiro porque não teve renda suficiente. Outros 15% reforçaram essa situação dizendo que estão desempregados. Já o restante admitiu imprevistos (15%) e descontrole financeiro (12%). “O contexto econômico afetou o orçamento. Mas, mesmo com algumas melhorias na economia, os brasileiros seguem sem poupar, porque não têm uma cultura de poupança”, avaliou o financista Arthur Lemos, dizendo que, por isso, é importante escolher bem o destino do que for poupado. “Já é tão desafiador fazer sobrar dinheiro no fim do mês que, quando sobra, deveríamos buscar o investimento que entrega o maior retorno possível”, afirmou.

Não há consenso, porém, quanto à melhor fonte de investimento. Até a poupança, que é usada pela maioria dos poupadores (59%), é alvo de discussões. É que a caderneta perde rentabilidade quando a Selic fica menor que 8,5%, como acontece hoje. Diretor da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Oliveira explicou que, com juros acima de 8,5%, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR). Quando os juros estão menores, porém, essa rentabilidade reduz para o equivalente a 70% da Selic mais a TR. Atualmente, como a TR está zerada e a Selic bate 6,5%, a poupança rende 0,37% ao mês ou 4,55% ao ano.

“Já a rentabilidade do Tesouro Direto entrega, ao menos, a Selic”, afirmou Lemos, que, por isso, recomenda o investimento nesse título público. “É preciso ficar atento, porém, às taxas de administração cobradas pelos bancos. Muitas são altas para um pequeno investidor. Então, a poupança pode ser boa para pequenos investimentos”, frisou Oliveira.

Com a dúvida, os poupadores têm começado a diversificar os investimentos. O Tesouro Direto, por exemplo, nunca teve tantos investidores ativos: foram 697 mil em setembro. Outra aplicação que tem crescido é a previdência privada, porque, como explicou a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, com a possibilidade da Reforma da Previdência, “a preocupação com a aposentadoria começa a entrar no radar do poupador brasileiro”. Segundo o SPC Brasil, o número de poupadores que recorre a esse instrumento subiu de 9% para 19% neste ano.

Poupadores têm diversas opções de escolha de reservas financeiras
Poupadores têm diversas opções de escolha de reservas financeirasFoto: Pixabay

Apenas dois em cada dez brasileiros pouparam algum valor da renda, pensando na aposentadoria. Os números, que correspondem a 19% de poupadores, foram apresentados pelo Indicador de Reserva Financeira da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Embora pequeno, houve um crescimento na comparação com o janeiro deste ano (9%). Já outros 45% destinam reservas para possíveis imprevistos, enquanto 28% fizeram para garantir um futuro melhor da família e 25% para o caso de ficarem desempregados. De acordo com o levantamento, o valor médio poupado foi de R$ 354.

E entre as principais formas de reserva financeira está a previdência privada, mencionada por 10% dos entrevistados, à frente de outros investimentos menos tradicionais, como Tesouro Direto (7%), CBD (5%), LCI (3%) e bolsa de valores (2%). No entanto, a velha caderneta de poupança ainda lidera o destino das reservas com folga (59%). Já 18% afirmam deixar o dinheiro em casa e outros 18% na conta corrente, enquanto 10% aplicam em fundos de investimento.

Aposentadoria
Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, a crise fiscal dos últimos anos e a questão previdenciária ocuparam lugar de destaque no debate político e econômico. Os números do levantamento revelam que a preocupação com a aposentadoria começa a entrar no radar do poupador brasileiro, mas a principal motivação para a formação de reserva ainda são os imprevistos.

Outra dado importante é de que a conjuntura econômica, com alto índice de desemprego e queda do poder de compra, segue prejudicando o orçamento familiar. Pelo menos quatro em cada dez pessoas (40%) que possuem reserva financeira tiveram de sacar ao menos parte desses recursos em setembro. Desse universo, 16% disseram destinar para uma situação inesperada e 9% para pagar dívidas. Outros 9% usaram para realizar uma compra e 7% para complementar renda.

Metodologia
O objetivo da sondagem é acompanhar mensalmente a formação de reserva financeira do brasileiro, destacando a quantidade daqueles que tiveram condições de poupar ao longo dos meses. O indicador abrange doze capitais das cinco regiões brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Salvador, Fortaleza, Brasília, Goiânia, Manaus e Belém. Juntas, essas cidades somam aproximadamente 80% da população residente nas capitais.

A amostra foi composta por pessoas com idade superior ou igual a 18 anos, de ambos os sexos e de todas as classes sociais. A pesquisa completa pode ser acessada no link https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas/indices-economicos



Dívidas
DívidasFoto: Felipe Ribeiro / Arquivo Folha

Ter problemas financeiros em decorrência de dívidas em excesso, é o óbvio. Mas, além deles, as consequências emocionais e de comportamento que os devedores adquirem, também devem ser levados em conta. E não são poucos os casos de pessoas que se sentem mais ansiosos por causa dos débitos.

De acordo com levantamento feito nas capitais pela Confederação Nacional de Dirigentes (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), pelo menos seis em cada dez inadimplentes – o que equivale ao percentual de 58% - passaram a ter sintomas de ansiedade.

Outros sentimentos que a maioria dos inadimplentes passou a vivenciar em algum grau foram também a insegurança em não conseguir pagar as dívidas (59%) e o estresse (52%). Há ainda uma parcela considerável de devedores que passaram a se sentir angustiados (47%), com sentimento de culpa (46%) e desanimados (41%) após as pendências.

A pesquisa também mostra que os atrasos de pagamento afetaram a autoestima de 41% dos entrevistados e quase um terço (31%) sente-se envergonhado perante a família e amigos por estarem devendo. Além disso, a preocupação com a imagem transmitida aos outros é algo que parte dos entrevistados leva em conta: 12% citam o medo de não conseguir um emprego por estarem devendo e 5% temem ser considerados desonestos pelas demais pessoas. De modo geral, 56% dos inadimplentes demonstram um alto grau de preocupação com as dívidas em atraso que possuem.

De acordo com a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o estado emocional do devedor interfere de forma direta na maneira com que ele lida com suas finanças. Sentimentos negativos dificultam o processo de organização das contas e é preciso que ele encontre formas de não se deixar abater pelas preocupações.

Vícios
A inadimplência também fez com que os consumidores buscassem meios de fugir de preocupações com a situação financeira. De acordo com a pesquisa, 22% das pessoas com contas atrasadas passaram a descontar a ansiedade em algum vício como cigarro, comida ou álcool e 15% passaram a gastar mais do que o costume com compras. Mesmo inadimplentes, 26% dos entrevistados admitem não terem feito ajustes no orçamento e 22% não abriram mão de compras que costumavam fazer.

O humor de boa parte dos entrevistados também foi impactado pelo endividamento, causando abalos até mesmo na vida social das pessoas. Os principais efeitos incluem ficar facilmente irritado (40%) ou mal-humorado (40%), além de ter menos vontade de sair e de se socializar com outras pessoas (32%). Outra constatação é que as pessoas podem reagir de forma oposta entre si em um momento de abalo emocional por causa das dívidas. Assim, enquanto uns sentem insônia (33%) e mais vontade de comer (26%), outros sofrem com perda de apetite (16%) e vontade de dormir fora do normal (24%).

Metodologia
A pesquisa ouviu consumidores com contas em atraso há mais de 90 dias, abrangendo ambos os gêneros de pessoas acima de 18 anos, de todas as classes sociais. A íntegra da pesquisa pode ser acessada em https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas

Semana Municipal do Crédito Produtivo segue até a próxima sexta-feira (26)
Semana Municipal do Crédito Produtivo segue até a próxima sexta-feira (26)Foto: Henrique Lima

Em alusão aos 19 anos da Lei da Micro e Pequena Empresa, começa nesta segunda-feira (22) e segue até a próxima sexta (26) a Semana Municipal do Crédito Produtivo realizada pela Prefeitura do Recife (PCR), em parceria com os bancos Santander e Banco do Nordeste do Brasil (BNB). A ideia é de que micro e pequenos empreendedores tenham a possibilidade de solicitar crédito e negociar dívidas.

A ação, gratuita, acontecerá nas unidades da Sala do Empreendedor localizadas no edifício-sede da prefeitura (Bairro do Recife), em Casa Amarela e no Compaz Ariano Suassuna (Cordeiro) – neste, o atendimento terá início a partir da terça-feira (23).

De acordo com a gerente de Captação de Empreendimentos da PCR, Márcia Melo, o intuito é facilitar o acesso dos pequenos empresários a informações sobre crédito e estimular o crescimento dos negócios de forma sustentável. Para tanto, os interessados poderão conversar diretamente com os agentes financiadores.

O crédito produtivo varia de R$ 500 a R$ 15 mil. O investimento dos valores pode ser empregado como capital de giro ou em compras de equipamentos para melhoria da estrutura de pequenos negócios. A operação financeira pode ser realizada através de grupos solidários ou de forma individual, com juros que variam de 2% a 3,2% ao mês.

Sala do Empreendedor
O espaço foi pensado para orientar as pessoas sobre temas como formalização de empresas, créditos produtivos para Microempreendedor Individual (MEI), microempresas, Empresas de Pequeno Porte (EPPs) e empreendedores informais, cursos de aperfeiçoamento, informações sobre o Programa Municipal de Compras Governamentais e concessão de alvará, licenças ambientais e sanitárias e tributações.

Os Postos de atendimento da Sala do Empreendedor estão localizados no andar térreo do edifício-sede da Prefeitura (Centro Público de Casa Amarela – Av. Norte, 5600), Compaz Governador Eduardo Campos (Av. Aníbal Benévolo, s/n, Alto Santa Terezinha, Zona Norte do Recife) e Compaz Escritor Ariano Suassuna (Av. General San Martin, s/n, esquina com a Abdias de Carvalho, Zona Oeste do Recife).

Serviço:
Semana Municipal do Crédito Produtivo
De segunda-feira (22) a sexta-feira (26)
 

Os presentes mais procurados foram roupas e calçados (38%), bonecas (37%), aviões e carrinhos de brinquedo (21%)
Os presentes mais procurados foram roupas e calçados (38%), bonecas (37%), aviões e carrinhos de brinquedo (21%)Foto: Agência Brasil

Em comparação com o mesmo período do ano passado, as vendas a prazo nas duas semanas anteriores ao Dia das Crianças cresceram 7,71%, de acordo com dados apurados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). A alta de 2017 sucede um crescimento de 8,25% observado no mesmo período e já entre 2015 e 2016, as vendas haviam caído -3,59% e -12,20%, respectivamente.

Apesar das vendas para o Dia das Crianças acumularem dois anos seguidos de alta, o movimento nas lojas ainda não recuperou as perdas aprofundadas no período da recessão econômica. Mesmo com a alta de 7,71% em 2018, as vendas a prazo amargam um resultado 1,30% menor do que em 2014, por exemplo.

Dia das Crianças



Para o presidente da CNDL José Cesar da Costa, o crescimento das vendas é positivo, especialmente, quando se considera que o Dia das Crianças é a última data comemorativa antes do período natalino. Ainda de acordo com ele, o balanço é positivo para o varejo, que já começa a sentir um pequeno reaquecimento das vendas, depois de enfrentar um cenário econômico desfavorável nos últimos anos.

Na data comemorada este ano, de acordo com o SPC Brasil e CNDL, os presentes mais procurados foram roupas e calçados (38%), bonecas (37%), aviões e carrinhos de brinquedo (21%), com um gasto médio de R$ 187.

Metodologia
O cálculo de vendas a prazo é baseado no volume de consultas realizadas ao banco de dados do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), com abrangência nacional, entre os dias 28 de setembro e 11 de outubro deste ano.

 

O desperdício é um dos atos não-sustentáveis praticados pelo consumidor brasileiro
O desperdício é um dos atos não-sustentáveis praticados pelo consumidor brasileiroFoto: Divulgação/Senado Federal

O consumo consciente ainda não é uma realidade concreta para mais da metade do consumidor brasileiro, embora as pessoas reconheçam a importância de atitudes sustentáveis, poucos vêm adotando práticas mais responsáveis no dia a dia. Foi o que constatou uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) realizada em todas as capitais do país.

De acordo com o levantamento, 55% dos brasileiros se encaixam no grupo de ‘consumidores em transição’, ou seja, com hábitos de consumo consciente ainda aquém do desejado. Os pouco ou nada conscientes somam 14% de entrevistados, ao passo que apenas 31% podem ser considerados ‘consumidores conscientes’.

Os dados fazem parte do Indicador de Consumo Consciente (ICC), que em 2018 atingiu 73%, mantendo-se estável em relação ao ano passado (72%). O ICC pode variar de 0% a 100%: quanto mais próximo de 100% for o índice, maior é o nível de consumo consciente. Para chegar-se ao resultado são aplicadas perguntas relativas aos hábitos, atitudes e comportamentos da rotina dos brasileiros, considerando os aspectos financeiros, ambientais e sociais.

O estudo indica que embora as pessoas enxerguem o consumo consciente como fator que pode fazer diferença na qualidade de vida, essa preocupação nem sempre se traduz em ações concretas. Prova desse contrassenso é que se por um lado os entrevistados demonstram não praticar com muita frequência atitudes sustentáveis, por outro quase a totalidade (98%) considera importante ou muito importante ter uma vida com hábitos de consumo mais consciente — seja pela economia de recursos de água e energia, reduzindo as compras ou pelo reaproveitamento das coisas.

O aspecto financeiro é o que mais influencia as práticas de consumo consciente entre as pessoas. Sair comprando de forma inconsequente tem diversas implicações negativas e a mais percebida pelo consumidor é aquela que impacta sua vida de forma imediata, ou seja, quando pesa no bolso.

Práticas conscientes
O levantamento aponta que dentre as várias práticas que já fazem parte da rotina dos brasileiros, destacam-se: sempre pesquisar preço, que resulta na compra dos itens mais baratos (92%), avaliar previamente o orçamento para saber se é possível levar ou não um determinado produto (91%) e optar por não adquirir algo novo quando o bem ainda pode ser usado ou até mesmo consertado (90%).

Além disso, 88% dos entrevistados disseram ter o costume de fazer na própria casa alguns serviços que poderiam ser contratados fora para economizar, como manicure, pet shop, cinema e lanches. Outros 87% garantem que sempre planejam as compras do dia a dia, como supermercados, feiras e pequenas aquisições.

A pesquisa também indica que há um esforço por parte dos consumidores em controlar o orçamento e economizar ao máximo. Enquanto 78% sempre pedem descontos em suas compras, 77% não recorrem ao cheque especial ou ao limite do cartão de crédito para conseguir fechar as contas do mês. Para 75%, uma forma de economizar é consumir somente frutas e verduras da época, por serem mais baratas. Outros 72% evitam fazer compras parceladas para não comprometer o seu rendimento mensal.

Daqui a alguns anos...
Uma boa notícia refere-se à adoção de hábitos sustentáveis do ponto de vista ambiental, que já estão incorporados à rotina dos brasileiros, segundo revela a pesquisa. Ao considerar o consumo racional de água, a atitude mais adotada pelos entrevistados (92%) é fechar a torneira enquanto se escova os dentes.

Em seguida, aparecem os que afirmam controlar todo mês o valor da conta de água (86%), ensaboar a louça com a torneira da pia fechada (85%), não considerar um exagero a crença de que um dia a água irá acabar (85%) e não lavar a casa ou a calçada com mangueira (83%).

Quanto ao uso racional de energia elétrica, que tem grande impacto social e ambiental, há também uma conscientização crescente dos brasileiros. Apagar as luzes de ambientes que não estão sendo utilizados é a principal prática (95%) mencionada. O segundo hábito mais comum de economia está ligado ao controle do valor da conta de luz (90%) e o terceiro é passar roupas apenas quando existe um volume grande de peças (82%).

Há ainda 76% de consumidores que têm a preocupação em verificar a quantidade de energia que determinado eletrodoméstico gasta antes de comprá-lo e 73% que dão preferência à utilização de lâmpadas de LED na residência.

Entre as ações de preservação do meio ambiente, as mais comuns citadas na pesquisa são doar ou trocar um produto antes de jogá-lo fora (86%) e evitar imprimir papéis para reduzir gastos e prejuízos ao planeta (79%). Em contrapartida, há um sinal de alerta: mais da metade só acha importante praticar o consumo consciente daqui a alguns anos, quando problemas mais graves atingirem o meio ambiente (55%).

Metodologia
Foram entrevistados 824 consumidores entre os meses de maio e junho, nas 27 capitais brasileiras. A pesquisa pode ser acessada na íntegra no endereço https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas


A pesquisa revela que o aumento mais acentuado da inadimplência acontece entre a população mais velha
A pesquisa revela que o aumento mais acentuado da inadimplência acontece entre a população mais velhaFoto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O número de consumidores inadimplentes no país aumentou, pelo menos, em 3,9% em setembro, de acordo com levantamento feito pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito. Os dados indicam que mais de 60 milhões de brasileiros estão com restrições ao CPF, o que representa um percentual de 40,6% da população adulta acima de 18 anos.

Para o presidente da CNDL, José Cesar da Costa, o desemprego permanece elevado e a renda não superou os patamares anteriores à crise, prejudicando o orçamento e a capacidade de pagamento dos consumidores. Um quadro, de acordo com ele, que só deve ser revertido com a melhora do mercado de trabalho - o que exigiria uma recuperação econômica mais vigorosa.

Idosos
O indicador revela que o aumento mais acentuado da inadimplência acontece entre a população mais velha. Na comparação entre setembro deste ano e do ano passado, houve um crescimento de 10,0% na quantidade de inadimplentes entre 65 e 84 anos. Em número absoluto, estima-se um total de 5,4 milhões de consumidores com o CPF restrito nessa faixa etária.

Considerando os brasileiros de 50 a 64 anos, a alta no número de negativados foi de 6,2%, com 12,9 milhões, e na população de 40 a 49 anos foi de 4,9%, com 14 milhões de inadimplentes.

Os dados apontam ainda que a maior parte dos inadimplentes (51,5%) permanece na faixa dos 30 aos 39 anos. São 17,7 milhões de pessoas que não conseguem honrar seus compromissos financeiros. Na população mais jovem, os números também são expressivos: 7,7 milhões de inadimplentes entre 25 a 29 anos e 4,4 milhões com contas atrasadas têm entre 18 e 24 anos.

Na avaliação do presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, o fato de os idosos estarem tendo cada vez mais acesso a linhas de crédito acaba levando à inadimplência nessa faixa etária. Além do aumento na expectativa de vida, razão pela qual a população idosa participa cada vez mais ativamente do mercado de crédito, com um leque maior de produtos e serviços voltados para ela.

Regiões
A Região Nordeste aparece em terceiro lugar, em relação ao número de devedores, com cerca de 2,7% da população inadimplente. O Sudeste continua à frente, apresentando maior alta na quantidade de devedores, com 11,9%. Em segundo lugar ficou o Norte, com aumento de 4,0 e em quarto está a Região Sul, 3,7%. O Centro-Oeste aparece em último, com 1% da população inadimplente.

Outro número calculado pela CNDL e pelo SPC Brasil foi o volume de dívidas que está no nome de pessoas físicas. No último mês de setembro, houve um crescimento de 1,50%ante 2017. Na base mensal de comparação, isto é, setembro frente agosto, foi observado uma leve queda de -0,04% no volume de dívidas em atraso.

Os dados das pendências por setor credor revelam que as dívidas bancárias — cartão de crédito, cheque especial e empréstimos — apresentou a alta mais expressiva em setembro: 8,5% na comparação com o mesmo mês de 2017. Já no comércio observou-se queda de -6,1% com atrasos no crediário. Depois vem os serviços básicos, como água e luz, cuja queda foi de -1,1%.

Metodologia

As informações disponíveis na pesquisa se referem a capitais e interior das 27 unidades da federação. A íntegra do indicador e a série histórica pode ser acessada no endereço https://www.spcbrasil.org.br/imprensa/indices-economicos


Setor de comércio e serviços deve começar as contratações de final de ano
Setor de comércio e serviços deve começar as contratações de final de anoFoto: Leo Motta/Folha de Pernambuco

Com a proximidade das festas de final de ano, os setores de comércio e serviços começam a abrir as portas para a contratação de trabalhadores. O período é uma oportunidade para uma pretensa recuperação de prejuízos e, ao mesmo tempo, de chances para pessoas que estão desempregadas.

Uma pesquisa realizada nas capitais e no interior do país pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) estima que, pelos próximos meses, aproximadamente 59,2 mil vagas serão abertas nos segmentos. Números levemente superiores aos 51 mil novos postos que foram previstos para o mesmo período do ano passado.

Os dados também mostram um cenário de moderada melhora na comparação com 2017. Embora ainda representem a maioria, caiu de 82% para 72% o percentual de  empresários que não têm a intenção de fazer contratações extras neste fim de ano. Em sentido oposto, aumentou de 13% para 17% o percentual dos que devem integrar ao menos um novo colaborador à sua equipe.

Reforçar o quadro de funcionários para dar conta do aumento da demanda neste período do ano é o motivo mais citado na hora de justificar as contratações, mas há também empresários que contratam pensando em melhorar a competição no mercado e aqueles, também, que se planejam para lidar com a rotatividade de funcionários.

A maior parte, no entanto, deve contratar apenas um funcionário – 46% dos empresários consultados - enquanto 28% pretendem contratar dois novos colaboradores.

Já 49% se enquadram entre aqueles que não irão contratar, porque acham que o movimento nas lojas não crescerá de forma que justifique admissões. Em alguns casos, mesmo sem contratar funcionários, os empresários devem adotar outras estratégias para lidar com o período aquecido de vendas, como por exemplo ampliar as horas trabalhadas por dia da atual equipe – pelo menos 17% dos que participaram da pesquisa, têm essa pretensão.

Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, embora o número de 59,2 mil vagas seja uma pequena fração diante do contingente de quase 13 milhões de desempregados no país, os dados sinalizam uma recuperação gradual da economia e injetam algum otimismo para o início do novo ano.

Ainda de acordo com ela, quem procura há meses uma recolocação no mercado de trabalho pode encontrar nas vagas de fim de ano a chance para começar a colocar a vida financeira em ordem.

Maioria das vagas temporárias deve durar até três meses
Dentre os empresários que já contrataram ou que irão contratar neste fim de ano, 43% empregarão temporários, 33% abrirão vagas formais e 29% informais ( sem carteira assinada). Há ainda 16% de casos em que a contratação será terceirizada. E dentre os que recorrerão a mão-de-obra informal, a maioria (61%) justifica que se trata de uma contratação específica para o período natalino, sendo inviável a carteira assinada. Outros 19% argumentam que dessa forma reduzirão as despesas com folha de pagamento.

A pesquisa também descobriu que 26% dos empresários que pretendem contratar devem empregar funcionários por meio do regime de trabalho intermitente, aquele que adota o regime de hora móvel em vez de hora fixa e que passou a vigorar com a nova legislação trabalhista.

O estudo mostra ainda que quem procura uma vaga de trabalho neste fim de ano deve ficar atento, pois a maioria das contratações deve ocorrer entre os meses de outubro (28%) e novembro (33. Apenas 8% já efetuaram as contratações nos meses de agosto e setembro e 17% devem realizá-las somente em dezembro, quando faltarem poucas semanas para o Natal.

De qualquer modo, há motivos para o trabalhador temporário se esforçar para permanecer no emprego com a chegada do novo ano. Em cada dez empresários que vão contratar funcionários temporários, 28% planejam efetivar ao menos um colaborador após o término do contrato. A maior parte, contudo, não deve efetivar nenhum.

Perfil do trabalhador
Considerando quem contratou ou pretende contratar funcionários neste ano, a remuneração média dos novos trabalhadores deve ser de aproximadamente R$ 1.421,56, o que corresponde a uma média de um salário mínimo e meio. As funções mais procuradas devem ser as de vendedores (28%), ajudantes (21%), balconistas (11%), recepcionistas (4%), cabeleireiros (4%), estoquistas (4%) e caixas (4%). Em média, a jornada de trabalho deve ser de sete horas diárias.

Na comparação entre gêneros, nota-se um relativo equilíbrio: 34% dos empresários devem optar por homens, enquanto 31% por mulheres e 33% mostram-se indiferentes com relação a isso. No que diz respeito a faixa etária, a idade média dos novos funcionários deve ser de 28 anos. Além disso, espera-se que o novo funcionário tenha ao menos o ensino médio completo (48%).

Metodologia
A pesquisa ouviu 1.168 empresários de todos os portes que atuam no comércio e ramo de serviços nas 27 capitais. A pesquisa completa pode ser acessada no endereço https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas



Indicador mostra que empresários têm visão mais negativa sobre a economia do país do que do próprio negócio
Indicador mostra que empresários têm visão mais negativa sobre a economia do país do que do próprio negócioFoto: Arquivo

Micros e pequenos empresários se mantêm confiantes, mesmo com o quadro de eleições no Brasil. Dados apurados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostram que o índice registrou 51,0 pontos em setembro - em agosto o índice foi de 51,1 pontos. A escala do indicador varia de zero a 100, sendo que o resultado observado está muito próximo da marca que separa o ambiente de otimismo e pessimismo dos empresários.

Indicador de confiança do MPE


A avaliação do atual desempenho da economia tem puxado o indicador para baixo, em contraste com as perspectivas para o futuro da própria empresa e da economia, que apresenta pontuações melhores. Já o Indicador de Condições Gerais, que avalia a percepção dos últimos meses, ficou em 39,8 pontos e o Indicador de Expectativas, que projeta um horizonte futuro de seis meses, marcou 59,4 pontos.

De acordo com o presidente da CNDL, José César da Costa, os dados mostram que a maioria dos empresários de menor porte está otimista com o futuro, mas ainda em compasso de espera.

Micro e pequenos empresários avaliam que economia piorou, embora percepção sobre desempenho dos negócios seja menos negativa. Mais da metade (53%) dos micro e pequenos empresários consideram que a economia piorou nos últimos seis meses e apenas 17% dos entrevistados notaram uma melhora no período.

Por outro lado, quando analisado o desempenho do próprio negócio, a percepção é um pouco melhor, já que 24% notaram avanços na sua empresa,enquanto 36% observaram uma piora. E dentre os que perceberam uma piora em seus negócios, a queda das vendas desponta como principal razão, mencionada por 77% dos entrevistados.

Já outros 30% destacaram aumento nos preços de matéria prima e produtos, enquanto 10% ainda sentem consequências da inadimplência de seus clientes. Para os que notaram melhora na performance do próprio negócio, mais de metade (61%) disse ter vendido mais no período e 23% atribuem a uma melhora da gestão da empresa.

E se o último semestre frustrou a maioria dos micro e pequenos empresários, o indicador mostra que as expectativas para os próximos meses são de otimismo. Em termos percentuais, mais da metade (57%) disse estar confiante no futuro do próprio negócio, ante 11% que demonstrou pessimismo.

Entre os que demonstram confiança, a maior parte (29%) novamente afirma fazer uma boa gestão da empresa. Além desses, 27% alegam não saber ao certo a razão de estarem otimistas, apesar de acreditarem que coisas boas irão acontecer.

Pensando na economia, os resultados são um pouco piores, mas ainda há um clima de otimismo: 36% estão confiantes, mas quase a metade (47%) também não sabe justificar os motivos. Além disto, 21% apostam no amplo mercado consumidor e 21% esperam um cenário político mais favorável.

Embora a maioria relativa dos entrevistados tenha boas expectativas com relação ao futuro do próprio economia, há os que se consideram pessimistas (24%), principalmente em razão das incertezas políticas (65,6%).

Ainda de acordo com o levantamento, 39% consideram ter tido um bom desempenho de vendas. Para 41%, o resultado foi regular e 18% avaliam como ruim ou péssimo. Em relação às perspectivas para os próximos seis meses, a maior parte acredita que o faturamento irá crescer (46%) e apenas 4% apostam em queda na receita. Já 42% esperam um faturamento igual.

Para o presidente do SPC Brasil, o segundo semestre tem datas comemorativas importantes para o varejo que devem aquecer as vendas. É natural perceber esse otimismo com relação ao faturamento.

Entre os que têm expectativa de crescimento no faturamento, 32% atribuem essa performance a novas estratégias de vendas. Outros 31% não possuem uma razão concreta, 24% apostam na diversificação do portfólio de produtos para ampliar a receita e 19% pretendem investir na melhoria da gestão.

Metodologia

O Indicador e suas aberturas mostram que houve melhora quando os pontos estiverem acima do nível neutro de 50 pontos. Quando o indicador vier abaixo de 50, indica que houve percepção de piora por parte dos empresários. A escala do indicador varia de zero a 100. Zero indica a situação limite em que todos os entrevistados consideram que as condições gerais da economia e dos negócios “pioraram muito”.Os dados podem ser acessados, na íntegra, através do endereço https://www.spcbrasil.org.br/imprensa/indices-economicos

 


Dia das Crianças deve movimentar R$ 9,4 bilhões no varejo, aponta pesquisa CNDL/SPC Brasil
Dia das Crianças deve movimentar R$ 9,4 bilhões no varejo, aponta pesquisa CNDL/SPC BrasilFoto: Bruno Campos/Folha de Pernambuco

Mais da metade dos brasileiros deve ir às compras no Dia das Crianças – comemorado no próximo dia 12 de outubro. Dados de uma pesquisa feita pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) apontam que pelo menos 72% dos consumidores vão comprar presentes, um aumento que traz a expectativa de que o varejo movimente uma média de R$ 9,4 bilhões. Em 2017 o percentual de pessoas que compraram presentes foi de 67%..

Ainda de acordo com o levantamento, 39% das pessoas presentearão filhos, sobrinhos, netos ou afilhados, mas pretendem gastar o mesmo valor que o ano passado, enquanto 24% planejam comprar menos. No total, cada consumidor deve desembolsar, em média, R$ 187 com presentes.

O Dia das Crianças representa a última festa comemorativa antes do Natal e dará sinais de como será o desempenho das vendas no final do ano. As intenções de compra da data servirão de termômetro para o fim de ano, ao trazer as primeiras impressões do que deve acontecer no Natal, principalmente em um momento que o poder de compra das famílias continua sendo afetado pelas dificuldades econômicas, de acordo com a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Orçamento apertado
Os impactos da crise ainda estão presentes no dia a dia das pessoas e contribuem para que boa parte gaste menos nas datas comemorativas. A principal razão para que haja um freio no consumo daqueles que pretendem gastar menos este ano deve-se ao orçamento apertado, pelo menos é o que pensa 34% dos entrevistados. Enquanto 24% desejam economizar, 18% estão desempregados e por essa razão se veem impossibilitados de comprar e 9% têm outras prioridades de aquisição, como carro e casa. Há ainda os que precisam pagar dívidas em atraso (8%).

Apesar da cautela, a pesquisa mostra que 30% pretende comprar dois presentes e 25% apenas um. E 66% espera pagar os produtos à vista e o dinheiro será a opção de 51% dos entrevistados. Em segundo lugar, aparece o cartão de crédito parcelado (34%) e em terceiro, o cartão de débito (28%). Entre os que planejam parcelar as compras, a média de prestações é de quatro parcelas.

os shopping centers são o lugar preferido de 42% dos consumidores para fazer suas compras, embora 35% optem pela internet, provavelmente motivados pela comodidade e praticidade de encontrar seus presentes. Já 28% mencionaram que buscarão o tradicional comércio de rua.

Inadimplência
O estudo aponta ainda que oito em cada dez consumidores – o que representa 80% - pretendem pesquisar preços antes de comprar, principalmente as mulheres (84%) e as classes C e D (82%). Entre os que adotam a prática da comparação pela internet, o índice é de 77%, com o Google sendo o meio de pesquisa mais utilizado como site de busca (66%). Também há os que recorrem aos portais e aplicativos de comparação de preços (51%) e os sites de ofertas (48%). Muitos entrevistados disseram ter o hábito de pesquisar preços também em lojas de rua (46%), principalmente as mulheres (51%).

Presentes
No ranking dos itens que devem ser mais comprados aparecem as roupas e calçados (38%), bonecas (37%), aviões e carrinhos de brinquedo (21%). Em tempos de dificuldades, uma opção que atrai muitos consumidores é dividir o valor dos presentes com outras pessoas como forma de economizar. Cerca de 15% afirmaram que pretendem dividir o valor das compras, sendo que 50% vão fazê-lo com o cônjuge, enquanto 24% com o pai ou mãe da criança e 21% com outros familiares.

Para 32%, a divisão do preço do presente será usada como estratégia de redução dos gastos. Mas parcela significativa dos consumidores também respondeu que vai dividir a compra por estar com o orçamento apertado (26%) ou por estar desempregado (22%). Já um em cada oito entrevistados respondeu que espera pagar os presentes sozinhos (80%), sobretudo os homens (86%).

Em relação ao protagonismo dos pequenos no momento da escolha dos presentes e a influência do círculo de convívio e dos meios de comunicação nos hábitos de consumo das crianças, o estudo indica que para 37% dos entrevistados existe pressão da criança para comprar o que ela deseja. Por outro lado, 62% das crianças não fazem qualquer tipo de pressão para ganharem o presente almejado.

Metodologia
A pesquisa foi realizada com 819 casos em um primeiro levantamento para identificar o percentual de pessoas com intenção de compras no Dia das Crianças. Em um segundo levantamento, 600 casos mostrou o público interessado em comprar presentes na mesma data. Veja a pesquisa na íntegra da pesquisa em https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas

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