Diplomacia Econômica

Rainier Michael

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Oceano azul
Oceano azulFoto: Pixabay

No ano de 2011, tive a oportunidade e o privilégio de conhecer e de estudar no Blue Ocean Institute, localizado no INSEAD, em Fontaienebleau, França. Grande momento de reflexão. Tenho, desde então, aplicado o aprendizado nas estratégias nacionais e globais da Diplomacia Econômica, como cônsul da Eslovênia. Trata-se de uma teoria de marketing baseada no livro publicado em 2005, escrito por W. Chan Kim e Renée Mauborgne, ambos professores do INSEAD e co-directores do INSEAD Blue Ocean Strategy Institute.

De forma concisa, podemos definir como sendo a estratégia do Oceano Azul: tornar a competição com concorrentes em algo irrelevante, criando inovação de valor fora do Oceano Vermelho, onde as margens de lucro são muito pequenas.

Vejam que, quando falamos em estratégia organizacional, as empresas, normalmente, optam por: diferenciação, liderança em custos ou exploração de um nicho, ou seja, elas fazem melhor que os concorrentes, ou produzem mais barato que eles, ou se especializam em um público muito particular. A estratégia do Oceano Azul busca, ao mesmo tempo, fugir disso e alinhar um meio termo entre as duas primeiras estratégias.

O chamado Oceano Vermelho representa um cenário extremamente competitivo, tornando as margens de lucro pequenas e, em alguns casos, à comoditização de produtos e serviços, dado que a luta acirrada entre as empresas pode transformar, rapidamente, toda a inovação, duramente alcançada, em algo obsoleto, mediante os esforços dos demais players em superar cada iniciativa do mercado.

Temos na estratégia do Oceano Azul 8 pontos fundamentais que devem ser seguidos por aqueles que desejam fugir do sangrento e competitivo Oceano Vermelho:

Dentre os 8 pontos fundamentais gostaria de destacar apenas 3 pontos e uma breve explicação que acredito seriam extremamente importantes para o futuro que chamo de “Pernambuco S.A.”

1. Uma estratégia baseada em dados e fatos concretos
A estratégia do Oceano Azul foi baseada em décadas de estudos e centenas de movimentos estratégicos que abordaram mais de 30 ramos industrias ao longo de mais de 100 anos.

2. É possível unir diferenciação e baixo custo
As estratégias do Oceano Azul buscam, simultaneamente, explorar os benefícios do baixo custo e da diferenciação. É um raciocínio de somar vantagens e não ter de optar por uma delas em detrimento da outra.

3. Ela “cria” um espaço inexplorado no mercado
O objetivo dessa estratégia de Oceano Azul não é acirrar a competição e derrotar seus adversários. A questão é tornar seus competidores irrelevantes ao se criar um novo limiar para o seguimento que se quer explorar, uma perspectiva totalmente nova.

Pernambuco S.A, entidade que deveria abrigar representantes do poder público e privado, deveria criar uma visão estratégica, alinhada com os potenciais do estado e o perfil atual da indústria, comércio e serviços.

Tenho plena convicção de que a recuperação econômica que temos observado nacionalmente, pode ser alavancada pelo desenvolvimento de Pernambuco, utilizando a estratégia do Oceano Azul; explorando os mares que banham a paradisíaca costa deste importante e estratégico estado, levando a corrente de oportunidades para o Nordeste e para o nosso Brasil.

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