Diplomacia Econômica

Rainier Michael

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Cônsul Britânico, Sr. Graham Tidey
Cônsul Britânico, Sr. Graham TideyFoto: Reprodução/Youtube

Esta semana a coluna “Diplomacia Econômica” entrevista o Cônsul Britânico, Sr. Graham Tidey, que apresenta um resumo das atividades desenvolvidas pelo consulado em Recife.

Breve história da presença dos britânicos em Pernambuco:

As relações entre o Pernambuco e o Reino Unido são históricas e impactantes deixando traços importantes na identidade, vida social e econômica de Pernambuco até hoje.

No início do século XIX, quando o príncipe regente D. João abriu os portos do País, os ingleses começaram a chegar ao Brasil - em especial para as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Recife. Sendo a Inglaterra possuidora de uma frota poderosa que percorria o mundo, os ingleses esperavam encontrar aqui uma boa oportunidade para expandir sua indústria e comércio.

Recife com aproximadamente 200.000 habitantes na época, tinha uma colônia inglesa que já se apresentava de forma bastante expressiva, com a presença das seguintes firmas, bancos e empresas concessionárias de serviços públicos: a Western Telegraph Company (que possibilitava o contato com o mundo, através de um cabo submarino), Pernambuco Tramways and Power Company (que interligava o Recife, com os seus trens, às demais cidades de Pernambuco e do Nordeste), Pernambuco Paper Mills, Western of Brazil Railway Company, Bank of London & South America, London & River Plate Bank, Boxwell & Cia. (o maior estabelecimento de enfardamento de algodão), Williams & Cia.(exportadores de açúcar e algodão), Conolly & Cia. (casa de câmbio) e White Martins entre outras empresas.

Em 1919, já existiam no Recife pelo menos três clubes de origem britânica: o Pernambuco Cricket Club, o Lawn Tennis Club e o Pernambuco British Club. Em 1920, foi a vez de ser fundado o The British Country Club, no bairro dos Aflitos, que pertencia ao Clube Náutico.

Em 1928, George Litlle, funcionário graduado da Great Western, e alguns de seus amigos criaram um clube de golf, denominado The Pernambuco Golf Club, que deu origem ao atual Caxangá Golf & Country Club.

A inauguração do consulado britânico no Recife, em 2011 teve a presença do ministro-adjunto das Relações Exteriores do Reino Unido, Jeremy Browne. O escritório já existia, mas deixou de ser honorário para transformar-se em consulado efetivo. "O Reino Unido deseja aprofundar seu relacionamento com o Brasil e o restante da América Latina e este consulado é uma demonstração concreta de nosso objetivo. Ele nos possibilitará trabalhar de forma mais eficiente com as empresas britânicas que se estabeleceram na região e fortalecerá nossos laços culturais com o país", disse o ministro-adjunto, em comunicado divulgado à imprensa em 2011.

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Rainier Michael: Graham Tidey poderia mencionar algumas das atividades mais importantes no Consulado Britânico em Recife que tem atuação em projetos para o desenvolvimento local?

Graham Tidey: Por meio do Prosperity Fund (Fundo de Prosperidade), o governo britânico apoia projetos internacionais com impacto positivo nos âmbitos econômico, social e ambiental. Como Cônsul, meu papel é de trazer recursos deste fundo diretamente dos quatro países que formam o Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) para o Nordeste. Veja abaixo o que já foi realizado em 2017, e nossos projetos para 2019.
Em 2017... o Recife:
• Foi selecionado pelo Prosperity Found para receber o Projeto de Aceleração da Saúde (Health Accelerator Programme), que procurou tornar mais eficiente o atendimento na atenção básica, melhorando a assistência ao usuário;
• O Porto Digital recebeu o UK-Recife Tech & Cities Week, que promoveu uma semana sobre inovação, tecnologia e cidades;
• Fechou uma parceria entre Fiocruz PE e Glasgow University, que sequenciou o genoma do Zika;
• Apoiou parcerias entre organizações brasileiras e britânicas para implementar soluções e protótipos de problemas persistentes nas cidades brasileiras por meio de um fundo para soluções de cidades inteligentes.

Rainier Michael: O que podemos esperar para os próximos anos?

Graham Tidey: O Brasil deve receber em torno de £86 milhões do Fundo de Prosperidade nos próximos cinco anos. Estou ainda passando pelos processos de aprovação em Londres e Brasília, porém estou desenvolvendo os seguintes projetos:
1) Ambiente de Negócios: Reduzir o custo de fazer negócios e diversificar as oportunidades de mercado. Também aumentar o fluxo de trânsito nos portos, abrir o acesso à exportação para pequenas e microempresas e ajudar a região a se alinhar com os padrões da OECD.
2) Desenvolvimento Urbano Sustentável: Usar soluções inteligentes para melhorar a eficácia do gerenciamento de água e aumentar o acesso à água potável e saneamento.
3) Data, Indicadores e Monitoramento de Saúde: Desenvolver indicadores de qualidade que podem ser usados para melhorar a coleta e monitoramento de dados sobre a performance de hospitais e sistemas de saúde. Fazer educação sobre atenção básica e secundária e criar parcerias de pesquisa sobre doenças preveníeis.
4) Acesso Digital: Dar acesso à internet às populações mais pobres e excluídos, fazer da internet um espaço mais seguro para fazer negócios e capacitar empreendedores e start-ups para serem capazes de fazer negócios internacionais.
Estamos falando com potenciais parceiros locais em cada área desses projetos.
Lembrando, as quatro prioridades do consulado são:
• ajuda ao desenvolvimento
• parcerias de educação e pesquisa
• parcerias comerciais entre empresários e empresas nordestinas e britânicos
• apoio a britânicos na região.

Agradecemos ao Consul Geral Geram Graham Tidey e sua equipe pela entrevista reforçando a importância de valorizarmos, poder público e privado de usarmos a estrutura consular existente em Pernambuco.

*Empresário há 35 anos, Rainier Michael tem ampla experiência em trocas internacionais. O trabalho realizado por ele junto ao consulado esloveno, e designado “Diplomacia Econômica”, interpreta sob uma visão humana o desenvolvimento e o crescimento do Nordeste. Paulista de nascença, Michael se mudou para Pernambuco há dez anos, quando seus negócios no Estado cresceram de forma a tornar indispensável sua presença aqui. Seu comparecimento nos mercados pernambucanos, entretanto, é mais antigo do que isso. Antes de assumir o consulado, já era representante da Sociedade Brasil-Alemanha no Nordeste. É destacável, também, sua atuação enquanto presidente do Rotary Club Recife. (colunadiplomacia@gmail.com)

* A Folha de Pernambuco não se responsabiliza pelo conteúdo das colunas.

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