Para Joaquim Gondim, presidente da ANA, a reserva técnica  deve ser poupada até novembro
Para Joaquim Gondim, presidente da ANA, a reserva técnica deve ser poupada até novembroFoto: Divulgação

Este será o ano mais crítico para a Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco desde 1930. A constatação do superintendente da Agência Nacional de Águas (ANA), Joaquim Gondim, chega como mais um revés para quem depende das águas do Velho Chico para sobreviver e deixa sem perspectiva os que aguardam as chuvas para aumentar a produtividade.

A mobilização dos agentes, agora, se concentra em minimizar os estragos e evitar que Sobradinho - principal lago do Nordeste para geração de energia - alcance o volume mínimo ainda este ano. Ele está 14,27% preenchido. Embora a capacidade emergencial seja suficiente para abastecer a população ribeirinha por meses, Gondim defende que a reserva não seja usada até novembro, quando há previsão que a quadra chuvosa recomece, para não colocar em xeque a segurança do sistema.

O primeiro passo para evitar isso,segundo ele, seria continuar revendo os índices de redução das vazões. Esta semana a Agência decidiu que a saída de água por Sobradinho e Xingó cairá para uma média diária de 600 metros cúbicos por segundo (m³/s) e instantânea de até 570 m³/s. Na prática, a redução por Sobradinho será de 700 m³/s para 650m³/s a partir de hoje e para 600m³/s a partir do dia 29 de maio. Em Xingó, a redução de 700m³/s para 650m³/s começa no dia 22 e a partir do dia 29 de maio cai para 600m³/s.

"Isso, no entanto, não é garantia alguma para evitar o volume morto. Para não usar a reserva, a sugestão seria uma liberação 540 m³/s por Xingó e de 600 m³/s por Sobradinho. Vamos consultar os agentes para saber se os números são viáveis", antecipou Gondim, durante a XXXlll Plenária Ordinária do CBHSF, que tratou sobre a transposição e a escassez de recursos hídricos, ontem, no Hotel Golden Tulip. Segundo ele, a metodologia de redução de vazão trouxe uma economia de 35 bilhões de m³ de água entre os anos de 2013 e 2017. Essa quantidade é bem superior à capacidade de Sobradinho, projetado para receber 28 bilhões de m³. Evitou ainda que o reservatório secasse em 2014.

Para o presidente da Associação dos Exportadores Hortigranjeiros e Derivados do Vale do São Francisco (Valexport), José Gualberto de Almeida, as ações são fundamentais para preservar o estoque de água disponível. "Porém, essa indefinição onera as contas dos produtores, que têm que refazer os cálculos toda vez que a profundidade das captações muda", alerta.

Além da queda das vazões, o representante da ANA, Joaquim Gondim, chegou a falar em outro projeto com o objetivo de racionalizar o uso múltiplo da água.

"Estamos analisando a possibilidade de implementarmos o Dia do Rio, no qual todas as captações serão suspensas por um dia", sugeriu. Se o projeto for adiante, frisou, de junho a novembro de 2017, a economia pode chegar a 40 m³/s de água.

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