Marcelo Odebrecht
Marcelo OdebrechtFoto: Cicero Rodrigues / World Economic Forum

Com dificuldades para pagar suas dívidas neste ano, a Odebrecht S.A negocia um novo empréstimo com os bancos credores. As instituições financeiras só estão dispostas a oferecer R$ 1 bilhão, conforme dois banqueiros envolvidos nas conversas, mas a empresa pressiona por até R$ 3,5 bilhões.

Os bancos querem evitar um default da Odebrecht, mas não aceitam pagar toda a conta e insistem que a companhia também faça uma reestruturação completa de suas dívidas com os detentores de bônus no exterior. A Odebrecht resiste a essa exigência.

Segundo uma fonte próxima à companhia, a intenção é pagar os bondholders para evitar fechar as portas no mercado externo, mas já começaram as sondagens com assessores financeiros porque pode acabar sendo necessário.

Leia também:
Odebrecht não queria ser identificada por obra em sítio, diz engenheiro
Presidente do PP diz que Odebrecht lhe ofereceu R$ 5 milhões no caixa dois


As conversas com os bancos começaram no início do ano e devem se estender por mais um mês. Os principais credores do grupo são Bradesco, Itaú, Banco do Brasil e Santander, mas também há bancos estrangeiros envolvidos.

A Odebrecht S.A não divulga o valor de suas dívidas de curto prazo, mas o grupo tem vencimentos próximos em vários negócios: Odebrecht Engenharia e Construção (OEC), Odebrecht Transport (OTP), que atua no ramo de concessões de obras, no Estaleiro Enseada e etc.

Em abril, a OEC, coração dos negócios do grupo, tem que pagar uma amortização de R$ 500 milhões de sua dívida. O valor não é tão alto, mas seu caixa está justo. Sem conseguir novas obras por conta da crise de reputação provocada pela Operação Lava Jato, a OEC queimou R$ 888 milhões de caixa em 2016 para continuar operando. Os dados de 2017 ainda não foram divulgados, mas as perdas prosseguiram.

Braskem
Para tentar obter o novo empréstimo, a Odebrecht argumenta que há espaço para mais endividamento por conta da valorização das ações da Braskem. A fatia do grupo na petroquímica, que foi dada em garantia às instituições financeiras em meados de 2016, valia cerca de R$ 9,5 bilhões. Hoje, segundo fontes da empresa, chega a R$ 14,5 bilhões.

Já os bancos argumentam que naquela época já injetaram muito dinheiro no grupo para salvá-lo após a prisão de antigo presidente e herdeiro, Marcelo Odebrecht. Foram R$ 7 bilhões em novos recursos para a holding, além de alongar uma dívida de R$ 10 bilhões da Odebrecht Agroindustrial, braço que atua no setor de açúcar e álcool.

A venda da Braskem poderia solucionar os problemas da Odebrecht, mas trata-se de uma operação delicada, por causa do complicado acordo de acionistas entre o grupo baiano e a Petrobras, que também quer vender sua fatia no negócio. A Braskem é o único negócio do grupo Odebrecht que tem bom desempenho.

Desde que recebeu os recursos adicionais dos bancos em 2016, a holding vem vendendo ativos para pagar as dívidas. O principal deles foi a Odebrecht Ambiental, braço de empresas de saneamento do grupo, que foi repassado para a canadense Brookfield por R$ 2,9 bilhões.

Segundo fontes da empresa, até agora já foram apurados R$ 7 bilhões a venda de ativos, mas a meta é conseguir R$ 12 bilhões. Os compradores estão inseguros, porque o grupo ainda não fechou acordos de leniência com vários dos países em que atua. Procurada, a Odebrecht não comentou.

veja também

comentários

comece o dia bem informado: