Presidenciável Jair Bolsonaro
Presidenciável Jair BolsonaroFoto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

O agronegócio foi um dos responsáveis pela colocação de Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno da eleição presidencial. O setor promete repetir a dose no dia 28 de outubro, quando será decidido o futuro presidente do país. Há preocupações, porém, nas lideranças do setor. Uma delas é com a inexperiência do candidato em cargos do Executivo.

Bolsonaro se cercou de um pequeno grupo, e suas diretrizes de governo ainda não estão claras. Um fracasso do eventual governo de Bolsonaro na Presidência –caso ele seja eleito, como hoje indicam as pesquisas eleitorais– será o caminho mais rápido para a saída do ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva da prisão, segundo um representante do setor.

Um dos temores é a instalação de um radicalismo no governo, que poderá vir de uma aura de autossuficiência. Um exemplo citado por uma das lideranças: a possível fusão dos Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, como sugerida, só traria mais radicalismos, gerando discussões desnecessárias para o setor. O caminho do ambiente e do bem-estar dos animais passou a ser uma questão universal e, se não for adiante no Brasil, colocará o país na contramão das exigências internas e externas.

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São necessários equilíbrio e sensatez nesses temas, segundo essa liderança. O setor espera que, em uma futura formação de governo, o responsável pela agricultura tenha uma visão moderna e de longo prazo. Há um temor de que seja indicado alguém fora desse perfil para a vaga. Para um representante da pecuária, a decisão de apoiar o candidato do PSL tem sido por exclusão. Há uma frustração contra tudo e contra todos, e não apenas contra o PT, representado pelo candidato Fernando Haddad na corrida eleitoral. Na primeira pesquisa do Datafolha sobre o segundo turno, divulgada na quarta (10), Bolsonaro apareceu com ampla vantagem sobre o petista.

O deputado tem 58% dos votos válidos, enquanto o ex-prefeito paulistano recebe o apoio de 42% dos ouvidos. O agronegócio tem de ficar atento aos próximos passos de Bolsonaro, caso ele seja eleito. Parte das pessoas que o cercam gera preocupações, acrescenta a liderança. Quem comandar o Ministério da Agricultura vai lidar não só com problemas internos, como a defesa sanitária, mas também com demandas externas crescentes. E os problemas externos têm se tornado cada vez mais complexos. Vão desde o aumento do protecionismo à guerra comercial entre os líderes da economia mundial.

O agronegócio não está sozinho em uma composição de governo. Ele deve estar ligado a outros ministérios, como Fazenda, Desenvolvimento e Relações Exteriores. O governo deve ter uma visão comercial conjunta, voltada tanto para os problemas internos como para os externos, defendem representantes do agronegócio. Uma gestão federal sem esse enfoque pode ser um desastre para o campo, segundo o setor –que prevê, nos próximos anos, um período difícil, que exigirá diálogo e negociações.

A atitude menos recomendável será a de trazer novos conflitos nas discussões.
Daí a recomendação de um ex-participante do governo federal de que o setor tem de oferecer apoio a quem for eleito, mas exigir que ele zele pelo que já foi conquistado. O vocabulário agrícola não aceita a palavra erros. O setor tem de se mobilizar para evitar uma situação de insegurança, de acordo com um ex-ocupante de um cargo executivo. É o que o agronegócio começa a fazer.

Membros da bancada ruralista já iniciaram, nesta semana, um diálogo com o líder das pesquisas para a formação mais apropriada de governo para o setor agrícola. A conjugação da inexperiência do candidato do PSL no Poder Executivo e uma eventual proximidade de pessoas despreparadas para as funções seria um caminho certo para um potencial desastre no campo, segundo eles.

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