Desemprego no Estado, um dos maiores, fez população gastar menos puxando para baixo a inflação
Desemprego no Estado, um dos maiores, fez população gastar menos puxando para baixo a inflaçãoFoto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

A lenta recuperação da economia brasileira fez os preços ficarem sob controle no País em 2018. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação oficial fechou o ano em 3,75%, abaixo da meta estipulada pelo Banco Central de 4,5%, mesmo depois das altas de preços registradas durante a greve dos caminhoneiros. E esse índice foi ainda menor em Pernambuco: a Região Metropolitana do Recife (RMR) apresentou a inflação mais baixa do País, com alta de apenas 2,84%.

“Em dezembro de 2018, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) variou 0,15%. Esse resultado foi o menor para o mês de dezembro do Plano Real. Por isso, o IPCA fechou o ano de 2018 com um acumulado de 3,75%, superior ao resultado de 2017, mas inferior à meta de inflação”, informou o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, revelando que o Recife registrou o menor índice das 13 capitais avaliadas durante todo o ano passado pelo IBGE. Cidades como São Paulo e Salvador, por sua vez, tiveram altas acima da média e Porto Alegre registrou a maior inflação de 2018: 4,62%. “Ainda não existe uma demanda tão aquecida a ponto de pressionar os preços, sobretudo em Pernambuco porque o Estado tem uma das maiores taxas de desemprego do País. Enquanto no Brasil essa taxa é de 11,6%, aqui é de 16,7%. E isso contribui de maneira significativa na demanda e na pressão de preços”, ponderou o economista da Fecomércio-PE, Rafael Ramos. Ele explicou que, como boa parte da população está fora do mercado do trabalho ou com medo do desemprego no Estado, as vendas permanecem baixas. E, com essa demanda está desaquecida, não há pressão para que os preços tenham aumentos contínuos.

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Foi por conta disso, segundo Ramos, que as altas registradas em maio, por conta da falta de abastecimento provocada pela greve dos caminhoneiros, se dissiparam quando os estoques voltaram ao nível normal de oferta. Também foi por esse motivo que, enquanto a inflação brasileira subiu de 2,95% para 3,75%, a inflação pernambucana caiu de 3,31% para 2,84% entre 2017 e 2018. Segundo o IBGE, ainda contribuiu com o controle de preços no Estado a baixa variação de produtos que têm um peso importante no orçamento das famílias.

O grupo de alimentos e bebidas, por exemplo, teve alta de 4,04% no País, mas subiu 3,17% na RMR. Já o de habitação, cujo principal componente é a energia elétrica, variou 4,72% no Brasil e 2,23% no Recife. E o de transportes, que engloba os combustíveis, subiu 4,19% no índice nacional e apenas 1,63% no estadual.

A gasolina foi o item que apresentou o segundo maior peso no IPCA brasileiro; mas, no Recife, ficou atrás dos planos de saúde, dos cursos regulares e do pão francês, que subiram 11,24%, 6,31% e 11,78% na RMR, respectivamente. “As quedas da farinha de mandioca e dos itens de higiene pessoal também pesaram muito no resultado do Recife”, acrescentou o analista do índice de preços do IBGE, Pedro Costa, contando que esses itens ficaram 23,83% e 2,08% mais baratos, respectivamente. Apesar de ter sido marcado pelo controle de preços, 2018 também registrou aumentos consideráveis de produtos importantes no orçamento familiar como plano de saúde, alimento e energia.

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