Black Friday
Black FridayFoto: Pixabay

Aguardada por muitos, a Black Friday vai ser realizada na próxima sexta-feira (23) com descontos de até 80% no preço de produtos. Desde 2010, quando a data chegou ao Brasil, na época apenas no varejo online, o evento se consolidou no calendário do comércio. Segundo pesquisa da Ebit, só o e-commerce deve faturar R$ 2,43 bilhões com a Black Friday neste ano, 15% a mais que em 2017.

O número de pedidos também deve aumentar, de 3,76 milhões para 4 milhões - crescimento de 6,4%. Para muitos consumidores, trata-se de uma oportunidade de antecipar as compras de Natal: o estudo constatou que aproximadamente 37% das aquisições do cliente serão para o fim de ano.

No entanto, mesmo com as promoções sedutoras e o forte apelo ao consumo, é necessário ter muita atenção para evitar golpes, fraudes, e o fenômeno da “metade do dobro” - seja nas lojas físicas ou pela internet.

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Esse cuidado deve começar pela pesquisa prévia e monitoramento dos preços, de preferência com bastante antecedência. “O ideal seria ter feito esse acompanhamento no mês passado. Se o consumidor ainda não fez, faça desde já para validar se o desconto é real ou não”, orienta o educador financeiro Arthur Lemos.

“Ainda existem consumidores que não fazem a pesquisa e acabam caindo em armadilhas de fornecedores que anunciam promoções que não são tão vantajosas como parecem. Muitas vezes existe um desconto, mas ele é menor que os 40%, 50%, 60% divulgados”, alerta Bruno Bóris, professor de direito do consumidor da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas.

Algumas plataformas podem ajudar o consumidor a garantir a melhor oferta. A Proteste lançou a ferramenta Mais Barato Proteste, um plug-in para o navegador de internet Google Chrome que busca os menores preços em mais de 30 lojas. Se o produto ainda estiver com um preço elevado, é possível cadastrar o valor que deseja pagar e receber um alerta por e-mail ou SMS quando alguma loja oferecer o preço escolhido. Para baixá-lo gratuitamente, acesse maisbarato.proteste.org.br.

Segundo Bóris, também é necessário pesquisar o histórico do fornecedor ou da loja de quem se compra o produto. Para verificar a idoneidade da empresa, os sites de reclamações, como o Reclame Aqui, são boas opções. “Existem fornecedores grandes e conhecidos que se você for pesquisar vão ter algumas reclamações, mas que costumam atender na sua grande maioria as queixas do consumidor”, diz.

“É importante avaliar essa resposta porque existem casos de fraude. Às vezes as pessoas criam um site da noite pro dia, fazem promoções com descontos muito elevados, você transfere o dinheiro, mas nem o fornecedor nem o produto existem e não tem para quem reclamar”, adverte.

Nesse sentido, a forma de pagamento pode ser um aliado para prevenir um eventual problema. “Em algumas situações, ao comprar mediante cartão de crédito você consegue fazer o chargeback (estorno). O cartão é uma forma segura de rastrear o dinheiro. Mais seguros ainda são meios eletrônicos de pagamento, notoriamente conhecidos, como PayPal e Mercado Pago”, destaca.

 “No meio eletrônico de pagamento, se houver algum problema na entrega do produto, provavelmente você consegue a proteção contratual da devolução do dinheiro. Já via boleto bancário ou transferência direta na conta, você não vai conseguir o dinheiro de volta porque a transação é automática. Se o negócio for fraudulento ou de má fé, não consegue recuperar”, fala.

No entanto, é preciso ter muito cuidado na hora de inserir suas informações sigilosas nos sites de compra. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), se o vendedor não for idôneo, pode utilizar o número de cartão de crédito e senhas cedidos pelo consumidor para realizar transações, burlar bloqueios de segurança, desbloquear novos cartões e confirmar dados.

Portanto, é necessário suspeitar dos links que chegam por e-mail, Facebook e WhatApp com promoções muito exageradas. Eles até podem levar o usuário a páginas que instalam um vírus no seu dispositivo, garantindo o acesso dos criminosos aos seus dados. É a prática chamada phishing, por meio da qual é possível obter informações que permitem fazer transações bancárias.

Apesar de o momento ser propício para compras, com a temporada de promoções e a injeção do 13º salário nas rendas, Arthur Lemos faz o alerta: “Qualquer desconto, por mais relevante que pareça, sobre um produto ou serviço que você não precisa é um mau negócio”, pontua. Especialmente com as campanhas de incentivo ao consumo, é fácil se deixar seduzir pelas promoções. E o impulso de comprar pode levar ao endividamento, e, se não administrado corretamente, à inadimplência.

“Da mesma forma, qualquer desconto sobre uma parcela ou gasto que não cabe no seu orçamento sai muito caro. É necessário validar se você tem capacidade financeira de honrar os gastos das compras, e ter a certeza de que poderá pagar essa parcela”, frisa. “Em breve entraremos num período de alta solicitação do orçamento das famílias, com Natal, festa de fim de ano, férias, material escolar e imposto”.

Direitos

No caso de compras online ou por telefone, o Código de Defesa do Consumidor prevê o direito de arrependimento. Isso garante o prazo de reflexão de sete dias, a contar desde a data de recebimento do produto, para decidir se deseja mantê-lo ou desistir da compra. Entretanto, em lojas físicas, o mesmo direito não se aplica. Por isso é preciso atentar para a política de devolução de cada estabelecimento.

Para garantir que as lojas do Recife vendam produtos sem irregularidades durante a Black Friday, o PROCON Recife vai realizar fiscalizações ao longo de toda semana. Serão inspecionados a validade, a segurança, e se há defeito nos produtos.

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