Vamos Viajar

Priscilla Aguiar

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Zona arqueológica de Moray, no Peru, que tem agrícolas que também são usados para concentrar a energia. É considerado um centro magnético da Pachamama ou Mãe Terra
Zona arqueológica de Moray, no Peru, que tem agrícolas que também são usados para concentrar a energia. É considerado um centro magnético da Pachamama ou Mãe TerraFoto: Arquivo pessoal

Por autoconhecimento, falta de agenda em comum com pessoas próximas ou pela experiência. Independente do motivo, se passou por sua cabeça a possibilidade de viajar sozinho: arrume as suas coisas e simplesmente vá. A ideia pode parecer assustadora, mas a experiência, posso afirmar com certeza absoluta, será engrandecedora e satisfatória. Foi assim, "all by myself", como diz a música de Céline Dion, que encarei tanto a minha primeira viagem internacional quanto a primeira vez no Velho Continente.

E pelo número de pessoas que enviam mensagem ou me abordam perguntando sobre isso, constatei que muita gente tem vontade, mas ainda falta coragem para cair na estrada desta forma. Imprevistos podem acontecer, mas você se sairá bem se estiver com tudo organizado e pronto para encará-los. Os primeiros dias podem parecer difíceis, mas logo você irá se acostumar e se surpreender sobre como pode aproveitar a sua "própria companhia" ou relaxar e naturalmente fazer novos amigos.

Enquanto na América do Sul, conheci várias com quem "turistei", bebi e festejei praticamente todos os dias; na Europa tive momentos bem meus. Todo dia segurava a porta do metrô para algum estranho. O objetivo era ouvir um "grazie" (obrigada) e responder "prego" (de nada) simplesmente por amar o som do italiano. Depois saía rindo sozinha do quão boba eu podia ser.

Passei um dia quase inteiro no mesmo lugar, sem respeitar cronogramas ou qualquer planilha. Sozinho, você pode refazer os planos quantas vezes quiser. Rezei, chorei, paquerei e fiz inúmeras piadas em pensamento. Aprendi a rir de mim mesma e entendi o motivo dos meus amigos me quererem por perto.

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Acredito que entendi toda essa sensação de descobrimento que a experiência me proporcionou quando sentei, depois de um mergulho na piscina de um camping hostel -onde tinha a minha própria cabana- e agradeci por estar ali sozinha graças ao meu esforço e com todos os meus pensamentos, fazendo tudo que decidi sozinha e com base apenas na minha vontade. Vivi sempre rodeada de tanta gente e finalmente entendi a importância de, em alguns momentos, ser só. Por ser tão grata, resolvi compartilhar na coluna desta terça-feira (24) esse conselho: viaje sozinho. Para ajudar a criar coragem, separei algumas informações que podem ser preciosas na hora de organizar uma viagem assim.

Museu de Arte Latino-Americano de Buenos Aires - Malba

Primeiro, escolha um destino onde você conseguirá entender as pessoas. Para nós, brasileiros, um país de língua espanhola é sempre mais tranquilo, especialmente para quem não fala outros idiomas. Na primeira viagem para fora do Brasil escolhi a Argentina e ativei o modo "portunhol" da mente, já que na época o meu inglês ainda não era legal.

O valor do destino também contou muito. Ainda hoje é um dos países onde o Real vale mais ($5,88 pesos). Depois de trocar ou "cambiar", você tem a impressão de que está rico, mas é preciso ter atenção com o preço das coisas. O fator político-econômico dos países interfere no nosso poder de compra o tempo todo e o Brasil não vive o seu melhor momento.

Se quer interagir e economizar, fique em um hostel

Quarto 305 do Milhouse Avenue, em Buenos Aires

Quarto 305 do Milhouse Avenue, em Buenos Aires - Crédito: Priscilla Aguiar/Portal FolhaPE

A minha primeira experiência em um hostel foi em Buenos Aires. O meu objetivo como lonely traveler (viajante solitária) era encontrar um lugar animado e fácil para fazer amigos. Pesquisei, li relatos, falei com amigos e olhei vários sites. Por fim, todos os caminhos me levaram ao Milhouse Hostel, com unidades na Avenida de Mayo e na Hipólito Yrigoyen, no centro da capital argentina. A localização não poderia ser melhor, já que ele fica perto de diversos pontos turísticos e conheci muita coisa andando. Fiquei em um dormitório misto no terceiro andar. Tinham oito camas e pessoas de várias nacionalidades (um canadense, três norueguesas, um irlandês e dois mineiros).

Nos três dias que passei hospedada lá, algumas pessoas iam embora, outras chegavam, mas a formação do quarto foi basicamente essa. Quem fica em hostel normalmente já tem o intuito de interagir. Logo na primeira noite descobri que o hostel é famoso no mundo inteiro por promover festas todos os dias. Desci para reconhecer o território com os mineiros e em alguns minutos o canadense chegou animado, colocou os braços em volta da gente e disse: "here is a paradise, enjoy!" Era basicamente isso. O paraíso dos solteiros e solitários era bem ali. Foram dez dias de passeios turísticos, festas e novos amigos de cada canto do Brasil e do mundo.

Quer paz? Escolhe um lugar para chamar de seu

Camping Tiber, Prima Porta, na Itália

Camping Tiber, Prima Porta, na Itália - Crédito: Priscilla Aguiar/Portal FolhaPE

Hoje não faltam opções de apartamentos no Airbnb. Na minha primeira viagem internacional, em 2012, isso nem existia. Mesmo assim, duas amigas, que encontraram uma promoção e chegaram em Buenos Aires três dias depois de mim, alugaram um apartamento extremamente aconchegante no bairro de Palermo Soho (Palermo Viejo) pelo site 4RentArgentina. Tinha tudo o que a gente precisava. Era pequeno, mas bem dividido e organizado, além de muito aconchegante, com wifi, ar-condicionado e aquecedor (que usamos muito).

Em Roma, na Itália, quase no meio do nada, foi no Camping Tiber, em Prima Porta, que me senti em paz. O deslocamento para o centro e para os pontos turísticos não é tão fácil, mas depois de caminhar o dia inteiro e explorar incansavelmente uma das cidades mais importantes da história da humanidade, tudo o que eu queria ao chegar na minha cabana no meio do mato era tomar vinho e comer uma massa no restaurante deles (lá tem de tudo, piscina enorme, restaurante e até supermercado).

E agora, criou coragem? Em breve publico uma coluna sobre os cuidados que você deve tomar para não ter problema durante uma viagem. Seguro, cadeado, atenção e juízo. Se precisarem de alguma informação em específico, podem me enviar um e-mail ou inbox nas redes sociais. Os contatos estão abaixo.

Códigos e descontos para hospedagens
R$ 130 em desconto no Airbnb
Crédito de R$ 40 no Booking

Contato:
E-mail: ahvamosviajar@gmail.com
Instagram: @ahvamosviajar
Facebook: /AhVamosViajar
Youtube: c/Ahvamosviajar


* Priscilla Aguiar é jornalista, editora adjunta do Portal FolhaPE e criadora dos perfis 'Ah, vamos viajar' no Instagram, Facebook e Youtube com dicas fotos e vídeos de suas passagens por pelo menos 15 países. Em maio, a colunista irá voltar a países como Portugal, Alemanha e Espanha, além de conhecer a Grécia.

Zona arqueológica de Moray, no Peru, que tem agrícolas que também são usados para concentrar a energia. É considerado um centro magnético da Pachamama ou Mãe Terra
Zona arqueológica de Moray, no Peru, que tem agrícolas que também são usados para concentrar a energia. É considerado um centro magnético da Pachamama ou Mãe TerraFoto: Arquivo pessoal
Com os novos amigos na Floralis Genérica, em Buenos Aires, na Argentina
Com os novos amigos na Floralis Genérica, em Buenos Aires, na ArgentinaFoto: Arquivo pessoal
Hostel MIlhouse Avenue, Buenos Aires, Argentina
Hostel MIlhouse Avenue, Buenos Aires, ArgentinaFoto: Priscilla Aguiar/Portal FolhaPE
Goiano, brasilienses, pernambucana, norueguesas, nigeriano e mineiro no Milhouse de Buenos Aires
Goiano, brasilienses, pernambucana, norueguesas, nigeriano e mineiro no Milhouse de Buenos AiresFoto: Arquivo pessoal
Camping Tiber, Prima Porta, na Itália
Camping Tiber, Prima Porta, na ItáliaFoto: Priscilla Aguiar/Portal FolhaPE
Vista do topo da Basílica de São Pedro, no Vaticano (Roma, Itália)
Vista do topo da Basílica de São Pedro, no Vaticano (Roma, Itália)Foto: Priscilla Aguiar/Portal FolhaPE

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