Vamos Viajar

Priscilla Aguiar

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Buenos Aires, Argentina
Buenos Aires, ArgentinaFoto: @ahvamosviajar/Instagram

A primeira etapa de qualquer viagem é o planejamento. E ela vai muito além de estimativa de gastos, hospedagem e roteiro com os pontos turísticos que quer visitar. Seja no Recife ou em Jayapura, cidade na Indonésia e também o ponto do Planeta mais distante da capital pernambucana (18,740km), ter informação é essencial para não se meter em apuros ou ao menos reduzir riscos.

Na era do excesso de informação, é preciso foco para usar ferramentas de buscas e redes sociais ao seu favor. Uma das primeiras medidas para construir um planejamento seguro é ir direto na fonte. Marque um café ou uma cerveja com aquele amigo que conhece bem o destino que você pretende visitar, separe um bloquinho ou um celular com bateria cheia e mãos à obra.

O Google também será um grande aliado nesta fase, então use a abuse do site que mudou a história dos mecanismos de pesquisas. Se na sua cidade você sabe exatamente por onde e como andar, em um lugar desconhecido a falta de conhecimento pode ser perigosa. Quem nunca criticou um gringo andando pelas ruas em horários perigosos com câmeras caríssimas nas mãos? São em momentos de diversão que ficamos mais despreocupados e terminamos virando alvo fácil de aproveitadores. E eles estão pelo mundo inteiro, independente do desenvolvimento econômico e social do país.

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Não faltam histórias de amigos que passaram por situações complicadas e eu mesma tenho algumas para contar. Fui assaltada pela primeira vez em Pernambuco quando tinha uns 17 anos e tirava fotos na praia. Depois disso e de algumas outras tentativas, fui furtada em Buenos Aires (Argentina), Roma (Itália) e perseguida nas ruas do centro de Paris (França). Também quase perdi todo o meu dinheiro e cartões em Cusco (Peru) por pura distração.

Por isso, abuse das lições que aprendeu com o Carnaval de Olinda. Além de reunir informações, é preciso tomar medidas práticas como esconder bem o celular, separar o dinheiro em lugares diferentes, ter cadeados, alugar armários e ter um seguro e cartão de crédito para situações emergenciais. E o mais importante de tudo: confiar sempre no meu instinto. Se algo parecer estranho e uma dúvida fizer acender uma luz imaginária de alerta, preste bastante atenção.

Cuidado com as notas falsas
Dois dias. Esse foi o tempo necessário para que eu conhecesse os principais truques aplicados contra os turistas que visitam Buenos Aires. O primeiro e mais famoso deles é o golpe das notas falsas aplicado por taxistas. Estava viajando sozinha pela primeira vez e, após a primeira noite porteña e de algumas bebidas, resolvi voltar para o hostel e peguei o primeiro táxi que apareceu.

O motorista era muito simpático e puxou conversa a viagem inteira. Também chegou a me dar o número do telefone dele para que eu ligasse no outro dia caso precisasse de um táxi para algum passeio. Na hora de pagar a corrida a surpresa: mesmo sabendo que ali era muito importante andar com dinheiro trocado, percebi que não tinha o suficiente para pagar a corrida na minha bolsa. Sabia do famoso golpe, mas, depois de tanta conversa, não imaginava que o simpático taxista iria trocar a minha nota de $ 100 pesos por uma falsa.  

Peso argentino

Primeira lição, sempre desconfiar um pouco da simpatia e “boa fé” dos estranhos que encontrar pelo caminho. Ele disse que não tinha troco e me devolveu uma nota falsa. No fim das contas, ainda fez um "desconto" de $ 2 pesos, já que era o que faltava para fechar o valor com o que tinha na bolsa em notas mais baixas. No outro dia, ao tentar comprar uma água no hostel, a surpresa: "oh, sorry, that note is fake". Pois é, a atendente constatou que a nota era falsa e me senti uma estúpida em cair em um golpe sobre o qual ouvi tanto falar. Alertei todos os meus amigos do hostel, mas mesmo assim uma carioca e um nigeriano terminaram também sendo vítimas, sempre voltando da balada. É quando o cuidado tem que ser redobrado. 

Muitos deles são assim, complicados ou golpistas, mas você também encontra gente legal pelo caminho. Um taxista que adorava Roberto Carlos me mostrou que, para identificar as notas falsas, você passa o dedo nela de leve. Todas têm um alto relevo em algum ponto. Não é tão difícil identificar, já que a falsificação é extremamente primária. Em Buenos Aires, pegue taxistas da RádioTáxi (remises), que têm um letreiro em cima. Eles são cadastrados e, por isso, mais seguros.

 

 

Em Buenos Aires, pegue taxistas da RádioTáxi (remises), que tem um letreiro em cima

Em Buenos Aires, pegue taxistas da RádioTáxi (remises), que tem um letreiro em cima - Crédito: @ahvamosviajar/Instagram


Furtos também são comuns
No segundo dia, fui para a Terraza del Este, uma das principais boates em Buenos Aires. A alça da minha bolsa quebrou e precisei segurar ela o tempo todo. Em algum momento, esqueci em cima de mesa e quando percebi já haviam levado o meu iPhone, $ 400 pesos e a câmera fotográfica com boa parte das minhas fotos. Uma amiga também teve a câmera roubada e outro amigo o celular, mas em outra boate porteña, a Crobar.

Depois das lições desses dois primeiros dias, os outros foram mais tranquilos. Um taxista não quis aceitar uma nota minha de $ 50 pesos. Com medo de ser roubada novamente, fingi que não estava entendendo, agradeci e desci do táxi. Ele ficou irritado, "deu com as mãos" e foi embora. Outro dia dividi o táxi com um amigo e, ao chegar no local que eu iria ficar, o motorista zerou o taxímetro.

Dando voltas com o táxi
Também é importante ter um mapa e tentar acompanhar o trajeto que é feito pelos taxistas. Hoje há vários aplicativos que podem ajudar, como Waze e Google Maps. Um taxista resolveu dar voltas antes de chegar ao destino e só resolveu ir para lá porque expliquei que o apartamento era a uma quadra e mostrei que sabia exatamente onde estava. Só então ele parou de dar voltas.

Golpes do bar e da massagem
Andando pelas ruas, especialmente a Florida, é comum alguém fazer uma abordagem convidando para conhecer um bar ou oferecendo uma massagem. Cuidado. Alguns turistas são levados para dentro do estabelecimento, que normalmente possui alguma luz vermelha, e depois roubados. Outro lugar que percebi movimentações semelhantes foi em Cusco, no Peru.

Caminito, um caminho de casas coloridas no bairro de La Boca

Caminito, um caminho de casas coloridas no bairro de La Boca - Crédito: Wanessa Wasserman/Cortesia


Atenção em "La Boca"
O bairro de La Boca, onde fica La Bombonera, estádio do Boca Juniors, e o Caminito, um caminho de casas coloridas, é um lugar onde a atenção precisa ser redobrada. É importante tomar precauções lá como não ir sozinho e garantir o transporte. É uma localidade considerada um pouco perigosa, apesar de bastante turística. Ou seja, o que aqui em Pernambuco poderíamos chamar de "uma bocada" mesmo.

No Caminito, também vale um alerta sobre os dançarinos de tango. Se quiser tirar uma foto com eles, combine o preço antes ou podem tentar te extorquir. O assédio é enorme com os turistas que chegam lá. Já ouvi casos de que quiseram cobrar até $ 100 dólares por uma foto. E eles não são nada amistosos ao cobrar.

Tome algumas precauções
Abuse das lições que aprendeu com o Carnaval de Olinda. Além de reunir informações, é preciso tomar medidas práticas como esconder bem o celular e separar o dinheiro em lugares diferentes, além de ter cadeados, alugar armários e de fazer um seguro e disponibilizar um cartão de crédito para situações emergenciais. E o mais importante de tudo: confie sempre no seu instinto. Se algo parecer estranho e uma dúvida fizer acender uma luz imaginária de alerta, preste bastante atenção.

Códigos e descontos para hospedagens:
R$ 130 em desconto no Airbnb
Crédito de R$ 40 no Booking

Contato:
E-mail: ahvamosviajar@gmail.com
Instagram: @ahvamosviajar
Facebook: /AhVamosViajar
Youtube: c/Ahvamosviajar


* Priscilla Aguiar é jornalista, editora adjunta do Portal FolhaPE e criadora dos perfis 'Ah, vamos viajar' no Instagram, Facebook e Youtube com dicas, fotos e vídeos de suas passagens por pelo menos 17 países. 

*A Folha de Pernambuco não se responsabiliza pelo conteúdo das colunas.

Buenos Aires, Argentina
Buenos Aires, ArgentinaFoto: @ahvamosviajar/Instagram
Floralis Genérica em Buenos Aires, na Argentina
Floralis Genérica em Buenos Aires, na ArgentinaFoto: @ahvamosviajar/Instagram
Buenos Aires, Argentina
Buenos Aires, ArgentinaFoto: @ahvamosviajar/Instagram
Buenos Aires, Argentina
Buenos Aires, ArgentinaFoto: @ahvamosviajar/Instagram
Buenos Aires, Argentina
Buenos Aires, ArgentinaFoto: @ahvamosviajar/Instagram
Buenos Aires, Argentina
Buenos Aires, ArgentinaFoto: @ahvamosviajar/Instagram
Buenos Aires, Argentina
Buenos Aires, ArgentinaFoto: @ahvamosviajar/Instagram

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