Balanço na Rede

José Neves Cabral

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André
AndréFoto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco


O fim de ano futebolístico em Pernambuco caminha para ser patético e trágico. Tricolores, alvirrubros e rubro-negros rindo da desgraça dos outros, e os três abraçados na zona dos rebaixados. No sábado, Náutico e Santa Cruz perderam e, matematicamente, já confirmaram seu destino para o ano que vem: disputar a Série C do Brasileiro. Derrotado no domingo, o Leão encontra-se na UTI, em coma, dependendo de um milagre para fugir da degola. Nos últimos 17 jogos, venceu apenas um, mas, agora, precisa vencer três dos últimos quatro jogos que fará na Série A para escapar do rebaixamento.

Os adversários do Sport nesta reta final são fortes - Palmeiras, Bahia, Fluminense e Corinthians. Nenhum deles imbatível, diga-se. O que parece imbatível mesmo é a apatia dos jogadores rubro-negros. Emocionalmente instáveis, sem ânimo. O primeiro tempo da partida diante do Atlético de Goiás, domingo passado, foi assustador. Vimos um Sport catatônico enfrentando um adversário limitado tecnicamente. A derrota, então, foi mais do que justa.

Desde o ano passado, quando teve a quarta pior defesa do Brasileiro, esse time do Sport já dava sinais de exaustão, de que era necessário uma renovação mais profunda no elenco, principalmente no setor defensivo. A diretoria, porém, deu de ombros para o problema da defesa. A contratação do técnico Vanderlei Luxemburgo trouxe um novo ânimo. No primeiro turno, ele conseguiu arrumar o time e motivar o grupo, mas diante das falhas repetidas, dos gols infantis e da falta de qualidade começou a perder a paciência, destratando os jogadores. O time perdeu o resto de motivação e seguiu de ladeira abaixo.

A diretoria demitiu Luxemburgo, mas o problema está lá, na Ilha do Retiro, vivinho da silva. E é mais em cima. Revela a falta de um executivo de futebol que justifique esse nome, que seja capaz de detectar as falhas do grupo, de buscar os jogadores certos para as posições carentes. Esse homem o Sport não tem, e talvez seja alguém com este perfil o principal reforço que o clube deve buscar para a próxima temporada.

O atual quadro de dirigentes de futebol do Sport já demonstrou que não entende do assunto. E o rebaixamento iminente aponta isso. Afinal, um time com uma folha salarial de aproximadamente R$ 4 milhões não deveria ocupar a posição em que se encontra na classificação.

Quanto a Santa Cruz e Náutico há um atenuante que justifica as más campanhas. A falta de dinheiro. Há muito, os dois clubes sofrem com débitos trabalhistas que viraram uma bola de neve na Justiça do Trabalho. Talvez seja a hora de repensar a formação dos times. Passar um tempo mesmo na Série C, enquanto se organiza e paga as dívidas para quando subir, subir de verdade, e não como ocorreu com o Santa Cruz, que ascendeu à Série A em 2015, mas nos anos seguintes deu dois passos atrás, caindo para a Série C.

A lição é clara: sem uma estrutura forte não adianta subir para a Série A. Primeiro, é preciso construir o alicerce.

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