Balanço na Rede

José Neves Cabral

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Mbappé, revelação da Copa do Mundo
Mbappé, revelação da Copa do MundoFoto: EWEL SAMAD / AFP

O mundo torceu pela Croácia. O espírito guerreiro, a capacidade de enfrentar situações adversas e virar o jogo de Modric e Cia conquistaram a simpatia dos torcedores. Mas diante da França havia um algo mais para a seleção vermelha e branca superar: os lances inusitados que uma partida de futebol oferece: de repente, uma falta que não foi falta em Griezmann gerou um tiro indireto que Mandzukik mandou para as próprias redes ao tentar desviar a bola. Em desvantagem, os croatas reagiram e empataram num belo gol. Mas eis que o acaso veio novamente atravessar seu caminho. Após um escanteio, a bola foi de encontro à mão de Perisic, logo ele, o autor do gol de empate e herói da vitória sobre os ingleses nas semifinais. Griezmann converteu a cobrança.

Tenho pra mim que esses dois gols minaram o time de Modric, que vinha de três prorrogações. Os outros dois gols franceses, de Pogba e Mbappé, foram muito mais consequências do desabamento mental dos croatas. Não quero aqui desvalorizar o título da França, mas o fato de ter chegado mais inteira à decisão acabou facilitando o seu trabalho. Em volume de jogo e organização tática, a Croácia esteve sempre forte. Pena que a Copa que entrou para a história como a das "bolas paradas", devido ao número de gols marcados neste fundamento, tenha sido decidida desta forma.

Aqui, cabe uma reflexão sobre a forma como futebol se transformou nas últimas décadas. Os times que alinham duas linhas de quatro atrás da linha da bola conseguem igualar jogos que, teoricamente, não seriam tão equilibrados. Os sistemas táticos estão vencendo a habilidade. Modric foi o melhor jogador da Copa, eleito pela Fifa. Um prêmio merecido, diga-se, mas, na verdade, geralmente, esse prêmio era dado a alguém que tivesse mais contundência para decidir uma partida, para ganhar o jogo, como Maradona, em 1986, e Romário, em 1994.

A seleção francesa, agora bicampeã, tem bons jogadores e Mbappé, um atacante que deve evoluir muito nos próximos anos e provavelmente vai ganhar o prêmio de melhor do mundo em breve.

Pulso, Brasil

Do Brasil, o que podemos dizer é que naufragou num mar de convicções do técnico Tite, o mesmo que boa parte da crônica defende como solução para os próximos quatro anos, o novo ciclo da Copa. Discordo desta ideia. Acho que ele deveria passar o bastão. A seleção merece um treinador que recupere e estimule o futebol alegre do Brasil e que tenha mais pulso com os jogadores. O que Neymar fez nos primeiros jogos do Mundial foi decisivo para a eliminação da Seleção. De repente, toda vez que um jogador brasileiro sofria uma falta, os juízes marcavam com a maior má vontade, e quando marcavam. Sinal de que o País não é conhecido mundialmente apenas pelos políticos corruptos, mas por jogadores que simulam faltas.

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