Balanço na Rede

José Neves Cabral

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Neymar ainda não decolou em relação aos seus objetivos
Neymar ainda não decolou em relação aos seus objetivosFoto: Divulgação

Neymar é Neymar, mas poderia ser Narciso, "aquele que acha feio tudo o que não é espelho", nos versos de Caetano Veloso. Pois bem, aos 26 anos, o ex-craque santista ainda não decolou em relação aos seus objetivos: conquistar um título de melhor jogador do mundo no embalo, talvez, de um título de campeão do mundo pela Seleção Brasileira. Vejam que na ordem vem primeiro o prêmio individual, pois em se tratando do nosso personagem, o projeto pessoal esteve e sempre estará à frente de um projeto coletivo.

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Há muito, Neymar sinaliza que foi este o caminho que escolheu. Ao trocar o Barcelona pelo Paris Saint-Germain, ele mostrou que não estava mais a fim de ser um "assistente" de Messi, de quem poderia, muito bem, herdar a coroa de protagonista do clube catalão daqui a alguns anos. Mas o nosso garoto-prodígio não quis esperar. Então, aceitou a proposta da agremiação parisiense, onde, pretensamente, seria o "dono do time". Pra começar, uma briga com Cavani, o então batedor oficial de penalidades para assumir a função. Ora, o manual dos bons líderes ensina que o comando cai no colo naturalmente daqueles que estão habilitados para tal. Basta deixar o rio correr. Mas Neymar preferiu o desgaste da briga com um atleta íntegro e correto. Desgastou-se com a torcida, que andou lhe vaiando em alguns jogos. E ele não se fez de rogado. Após algumas boas exibições, deu as costas até para os aplausos.

Veio a Copa do Mundo, e ele faz no primeiro jogo, na estreia, uma daquelas lambanças em termos de marketing. Pintou o cabelo de amarelo. Algo de gosto muito duvidoso. Daí para as quedas e as acusações de fingimento, um pulo. Os árbitros não acreditaram nele nem quando as faltas eram reais, como no pênalti diante do México. A simulação pesou. E Neymar passou a ser um péssimo ator, esbanjando falsidade em seus contorcionismos após as faltas que sofria.

Aqui vale abrir um parêntese para a tibieza moral de Tite como comandante. Desde o cabelo amarelado, da estreia, que um treinador em condições de normalidade chamaria o atleta para uma conversa, onde, curto e grosso, o mandaria escolher entre um corte normal ou a entrada em campo com a camisa da Seleção Brasileira. O técnico, porém, lavou as mãos, como se não tivesse nada a ver com aquilo. E tinha. Por ser o treinador, por ser mais experiente e até mesmo por ser um expert em marketing pessoal. Mas que nada. Deu de ombros. Deixou pra lá. E viu aquele que seria o protagonista de sua seleção afundar num mar de memes na internet, desmoralizado pelas próprias imagens que criou.

É difícil acreditar que a Seleção Brasileira vai dar certo com um protagonista que tem apenas um projeto pessoal e um técnico que ficou pequeno pelo próprio papel que aceitou, de coadjuvante, numa equipe tradicional como o Brasil. Além dos equívocos que cometeu na formação da equipe que foi à Copa, Tite também errou como comandante. E isso é muito mais grave.

 

 

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