Érika é o maior símbolo da retomada da Uninassau
Érika é o maior símbolo da retomada da UninassauFoto: Jonas Bezerra

Cinco vitórias consecutivas, 100% de aproveitamento. Esse é o desempenho da Uninassau/Cabo de Santo Agostinho no segundo turno da Liga de Basquete Feminino (LBF) 2019. Uma bela guinada para quem teve somente três vitórias em nove jogos na primeira metade do Nacional. O baixo aproveitamento teve motivo. Comandado pelo técnico Roberto Dornelas, o time tem um orçamento de R$ 80 mil/mês. Mas, quando a temporada começou, só metade dos subsídios estava garantida, através da Uninassau. O acerto com a outra possível parceira, a Prefeitura do Recife, ficou no campo das intenções, o que quase tirou o time do campeonato às vésperas do início dos jogos. O contratempo dificultou a montagem do elenco e atrasou o início dos treinamentos. Foram somente dez dias de trabalho antes do primeiro jogo, a derrota para o Sampaio Corrêa/MA, fora de casa, por 66x38.

O plantel enxuto e com muitas meninas novas prejudicava a rotação e sobrecarregava as mais experientes, que até faziam boas apresentações, mas não conseguiam manter o ritmo em todos os períodos das partidas. Dornelas estimava que o grupo só começaria a “dar liga” no final do primeiro turno, quando haveria um tempo maior de trabalho tanto na parte tática, quando na física, além da chegada da ala Isabela Ramona, que estava acertada com a equipe pernambucana, mas só se apresentaria após o encerramento da liga portuguesa.

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A Uninassau realmente dava sinais de crescimento no final do primeiro turno, mas o patamar atingido pela equipe superou qualquer expectativa. Em pouco mais de um mês, o cenário mudou completamente, sobretudo após o acerto da parceria com a Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho, o que permitiu equilibrar as finanças e fazer contratações. A norte-americana Brittany Starlling foi o primeiro acerto pós-acordo com a cidade da Região Metropolitana do Recife (RMR). E, na sequência, a equipe recebeu um verdadeiro presente. A pivô Érika de Souza, que estava acertada com o Sampaio, acabou ficando livre no mercado após o time maranhense ter de optar entre ela e a também pivô Clarissa dos Santos - as duas seriam contratadas, mas, como tinha expirado a janela de repatriações, somente uma poderia ficar.

“Com as chegadas de Ramona e Brittany, as perspectivas já eram boas. Quando surgiu a história de Érika, foi a cereja do bolo, porque resolveu um encaixe que precisávamos”, analisa Dornelas. Fora qualidade, o trio também agregou na potencialização das peças que já estavam no elenco. É que, com mais opções, a rotação passou a fluir e as meninas puderam desenvolver melhor seu jogo. “E ainda temos Ronni (Williams), que está em tratamento (entorse no tornozelo esquerdo), e, se pudermos contar com ela na próxima fase será maravilhoso. Mas só se realmente estiver bem, não vamos sacrificar ninguém”, completa o treinador. Ronni era um dos principais destaques da Liga, encabeçando estatísticas, até sofrer a lesão na penúltima partida do primeiro turno.

Fato é que a Uninassau/Cabo de Santo Agostinho passou de patinho feio a cisne. Ao lado do Vera Cruz/Campinas/SP, líder da LBF, é a única equipe que não perdeu jogos no segundo turno. “Já estão colocando a gente como time imbatível. Mas não vejo dessa forma. Continuo achando Vera Cruz e Sampaio favoritos. O primeiro pelo entrosamento, é um time que joga junto há um tempo e erra pouco. E o Sampaio pelo plantel, é o melhor”, avalia Dornelas.

No momento, a Uninassau/Cabo de Santo Agostinho é quinta colocada, com 22 pontos (57.1% de aproveitamento). Nesta quarta-feira (12) e na sexta-feira (14), a equipe faz dois jogos em casa, contra os paulistas Santo André e São Bernardo, respectivamente, e tem a chance de ingressar no top 3 caso consiga dois resultados positivos. Contra o Santo André, às 20h desta quarta-feira, é um confronto direto, já que as paulistas ocupam a terceira posição, com 24 pontos (71.4% de aproveitamento). O vencedor somará dois pontos, e o perdedor, um. O quarto colocado é o Sesi/Araraquara/SP, que tem 25 pontos (66.7%).

“Talvez esse seja o jogo mais importante até aqui, pela chance de anotar uma derrota para o Santo André e diminuir a diferença de pontos. Elas têm um time muito bom nos arremessos de três, então não podemos permitir que façam isso com liberdade. É encaixar a defesa e ter um bom jogo de transição”, pontua o treinador pernambucano. Para esse confronto, que acontece no ginásio do Sesc de Santo Amaro, os ingressos custam R$ 10 (inteira), R$ 5 (meia) e R$ 20 (vip).

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