Gabriel Medina em ação pelo Campeonato Mundial
Gabriel Medina em ação pelo Campeonato MundialFoto: DAMIEN POULLENOT / AFP

Onda que permeia o imaginário, mas que também tira o sono dos surfistas mundo afora, Teahupoo, no Taiti, é o palco da sétima etapa do Circuito Mundial de Surfe 2018, realizado pela Liga Mundial de Surfe (WSL). A primeira chamada de avaliação do mar está marcada para as 7 horas desta sexta-feira (10) no horário local - 14h de Brasília - , mas existe a possibilidade de o evento ser adiado, uma vez que a maré deve aumentar a partir do domingo. A janela de competição em Teahupoo segue até o próximo dia 21.

Os tubos perfeitos enchem a vista, mas nesse mar é preciso ser cirúrgico em todos os momentos. Da escolha das ondas, passando pela velocidade imposta na descida, até o momento exato de sair dela. Um simples deslize pode gerar complicações sérias. O nome do pico já diz tudo. Na língua local, Teahupoo significa “crânio quebrado”. Isso porque o pico fica sobre uma bancada de corais pontiagudos e venenosos e tem profundidade de apenas um metro. A pressão imposta pelo grande volume de água na arrebentação das ondas pode arremessar um surfista contra o raso recife. Há registro de mortes e os casos de feridos gravemente são incontáveis.

Em termos de competição, é uma das etapas mais atraentes. Não só pela beleza e tensão constante, mas também pelo equilíbrio oferecido, por não ser uma onda de característica que privilegie mais base regular (pé esquerdo na frente) ou goofy (pé direito na frente). Para conquistar notas altas em Teahupoo, o segredo é investir nos tubos longos. Quanto mais tempo o atleta ficar dentro deles, melhor será o julgamento dos juízes. Quem conhece como ninguém as manhas desta etapa é o paulista Gabriel Medina. Entre os inscritos deste ano, ele é o dono do melhor retrospecto recente. Nas últimas quatro temporadas, conquistou um título (2014), dois vices (2015 e 2017) e um terceiro lugar (2016).

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O atual campeão da etapa, contudo, é o australiano Julian Wilson, outro que também costuma surfar bem à vontade em Teahupoo. Terceiro e segundo colocados do ranking respectivamente, eles têm uma chance de ouro de brigar pela liderança, hoje pertencente ao paulista Filipe Toledo. Embora venha fazendo uma temporada irreparável, com dois títulos em seis etapas, Filipinho, neste ano, ainda não foi testado em uma onda desse perfil. Historicamente, ele não costuma fazer boas apresentações em Teahupoo. Em 2015, inclusive, protagonizou um fato inédito no Circuito ao não somar nenhum ponto em sua bateria, na qual foi derrotado por 15 a 0 pelo potiguar Italo Ferreira. Para este ano, contudo, o paulista vem fazendo um trabalho forte de preparação para as disputas. Chegou ao Taiti já há algumas semanas para treinar e até sofreu uma queda, arranhando fortemente as costas na bancada.

Quem também se machucou recentemente foi Italo, quarto colocado no ranking. Mas não foi em Teahupoo. Ele teve um estiramento na coxa direita durante etapa do QS (divisão de acesso) na Califórnia, Estados Unidos, e talvez seja um desfalque nesta etapa do CT. Até o momento, ele está listado entre os participantes, junto com Gabriel, Filipinho e outros nove brasileiros, incluindo o pernambucano Ian Gouveia

Brasil On Fire 

Das seis etapas realizadas até o momento pelo Circuito Mundial de Surfe 2018, cinco foram vencidas por brasileiros. Além disso, mesmo os atletas que não levantaram títulos têm conseguido manter uma regularidade de bons resultados. O reflexo disso é a presença de quatro atletas nacionais entre os sete primeiros colocados. Atual dono da lycra amarela, Filipe Toledo já venceu duas etapas (Rio de Janeiro e Jeffrey's Bay). Quarto colocado no ranking, Italo Ferreira também tem dois títulos em 2018 (Bells Beach e Bali). Já o estreante no CT, Willian Cardoso, triunfou em Uluwatu, na continuação da disputa que começou em Margaret River.

A única etapa até agora que não teve a bandeira brasileira no topo foi a de abertura, em Snapper Rocks, vencida por Julian Wilson. Gabriel Medina, embora não tenha conquistado nenhuma etapa, tem feito campanhas longas nas etapas e, pela regularidade dos resultados, é outro nome forte na briga pelo caneco da temporada. 

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