Atleta é pentacampeã brasileira na categoria Longboard
Atleta é pentacampeã brasileira na categoria LongboardFoto: Jack Barripp/WSL/Divulgação

Não é novidade para ninguém que o Brasil é uma das maiores potências do surfe. Nos últimos anos, nomes como Adriano "Mineirinho" de Souza e Gabriel Medina - atual campeão mundial -, entre outros, elevaram o País a outro patamar na modalidade. Ainda assim, a realidade para boa parte dos atletas desta modalidade é bem distante do glamour visto nas principais competições. A pernambucana Atalanta Batista sabe bem o que é enfrentar obstáculos para chegar ao topo. Mesmo sendo pentacampeã brasileira na categoria Longboard, a surfista ainda tem que batalhar para conseguir disputar as principais competições. Mais do que talento e determinação, brigar pelo topo no esporte custa um preço alto.

E não se trata de uma atleta comum. Além de acumular conquistas em território nacional, Atalanta foi medalha de prata no Panamericano do ano passado, no Peru, e ficou em 13º no ranking geral no mundial de Taiwan. Os patrocínios existem. Porém não são o bastante para uma surfista deste calibre. "Eu tenho apoio da marca Sicrupt - de moda de praia - do canal Off (por assinatura, de esportes radicais) e do Governo do Estado", conta. Destes apoios, só o Bolsa Atleta é mensal, mas ainda insuficiente para poder participar das competições. "A maioria das viagens são internacionais, e muito caras, com viagens para China, Austrália, California (EUA)... e aí tem passagem, hospedagem, taxa de transfer", relata a pernambucana.

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E nem todas as parcerias se dão por pagamento em dinheiro. "O Off sempre que pode eles me dão uma força. Na verdade, há uma troca com eles: eu disponibilizo minha imagem, faço programas e eles me dão passagens, mas não é uma coisa certa. E a Sicrupt ajuda com minhas inscrições em torneios, esse tipo de coisa", revela. Para poder se manter, a atleta dá aulas de surfe. "Trabalho com horários agendados. Tenho alunos mensais e outros que são turistas, que fazem três, quatro aulas. Mensal, fixo, tenho uns sete alunos. Dou aula personal e para quem tá iniciando", acrescenta, citando a escola AtaHalley, em Maracaípe, que fundou com seu irmão, o também surfista Halley Batista.

Mesmo com um currículo recheado de triunfos, o alto custo para participar dos torneios em 2019 perturba Atalanta. "Estou super preocupada com a competição da Austrália, porque é no início deste ano (em abril) e eu tenho que pagar filiação, taxa de seguro, inscrição da WSL (a Liga Mundial de Surfe). Aí vem passagem, hospedagem, alimentação...", detalha. "A praia onde vai ocorrer torneio também tem hotéis bem caros. Ou vou ficar em hotel caro ou alugar carro para poder ir. O custo é muito alto", lamenta a pernambucana, esperançosa em conseguir mais suporte para 2019. "O futuro pertence a Deus, mas tento sempre manter o foco e vou dar seguimento às competições", garante a pentacampeã nacional.

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