Seleção feminina de vôlei no Campeonato Mundial
Seleção feminina de vôlei no Campeonato MundialFoto: Divulgação/FIVB

Com a corda no pescoço, a seleção brasileira feminina de vôlei entrou em quadra, na manhã desta quinta-feira (11), para um duelo de vida ou morte contra as anfitriãs do Campeonato Mundial, em Nagoya, no Japão. Para as brasileiras, somente o 3x0 interessava para poder avançar à terceira fase do torneio, enquanto as japonesas precisavam de um único set para ficar com a terceira e última vaga do Grupo E. 

Mesmo diante de um time sempre complicado de se enfrentar e de um ginásio lotado contra, a seleção nacional até deu sinais de que a classificação era possível ao apresentar uma postura ofensiva no início do primeiro set. Mas o balde de água fria não demorou a sair. Após estar vencendo o set por 22/17, a seleção brasileira permitiu a virada do Japão, que fechou em 23/25, tirando qualquer chance de as brasileiras avançarem. As jogadoras sentiram o baque, tanto que cometeram erros primários e foram engolidas no segundo set. Antes da terceira parcial, no entanto, as meninas se reuniram em quadra como um pacto para uma despedida honrosa. Conseguiram a virada no jogo e venceram por 3x2, parciais de 23/25, 16/25, 28/26, 25/21 e 15/11.  Com esse resultado, a seleção brasileira terminou na sétima posição geral no Campeonato Mundial. 

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Sabendo da responsabilidade, o Brasil entrou em quadra intenso, com Roberta investindo nas bolas com Tandara, Gabi e Fernanda Garay. Falhou, porém, ao não utilizar as meios de rede, até porque o passe forneceu qualidade para isso. Mas o Brasil ia bem nas viradas de bola e contra ataques e até conseguia abrir vantagem, porém não as sustentava. Na metade final do set, o time nacional abriu 22/17. Parecia tudo encaminhado para garantir o primeiro set do nervoso jogo, mas as japonesas cresceram com o saque de Erika Araki e alguns lances de sorte, como um saque que bateu na fita e caiu no lado brasileiro, e encostaram no placar. 

Os cinco pontos de vantagem ruíram, deixando o time verde-amarelo nervoso e, diante da fragilidade emocional vista em todo o Mundial, permitiu ao Japão crescer. As adversárias aproveitaram os erros brasileiros e fecharam o set, selando a eliminação do time nacional. Depois daí, o Brasil só cumpriu protocolo e, nitidamente abatido, cometeu erros primários, sendo engolido pelo jogo coletivo japonês no set seguinte. O reflexo do baixo moral foi um placar elástico na parcial. No terceiro set, o Brasil chegou a vencer por 7/2, levou novamente a virada, mas ressurgiu no final do set, mantendo-se vivo no jogo. Buscando uma vitória de honra na despedida do Mundial, a seleção brasileira lutou ponto a ponto para levar o duelo para o tie-break e conseguir a vitória. 

"Acho que o ponto positivo foi esse, conseguir a recuperação e vencer o jogo", disse a capitã da equipe, Natália, em entrevista ao Sportv. Já a ponteira Fernanda Garay foi mais realista na análise. "Esse resultado não é o que viemos buscar. Então é preciso trabalhar bastante agora para reajustar a equipe", falou. 

Embora a derrota logo no primeiro set tenha selado a eliminação da equipe nacional do Mundial, esse resultado não fora construído nesta quinta. A seleção brasileira foi oscilante durante todo o campeonato. Fez placares expressivos contra equipes de menor expressão, como Porto Rico, República Dominicana e Quênia, mas perdeu sets em partidas como contra México, quando buscou a vitória de virada por 3x1, e Alemanha, em uma derrota que pesou, uma vez que o grupo tinha vencido bem os dois primeiros sets e levou a virada. Fora isso, teve atuações irregulares. Contra a Sérvia, por exemplo, mal viu a cor da bola. 

Durante todo o Mundial, ficou nítido que o time sofre mentalmente e que o elenco tem pontos frágeis, como lesões e falta de oxigenação. A própria capitã da equipe, a ponteira Natália, voltando de tendinite no joelho direito, mal jogou no campeonato. O mesmo aconteceu com a central Thaísa, voltando após grave lesão e cirurgia no joelho esquerdo. São talentos incontestáveis, mas que não estão em condições de oferecer o seu melhor, ao menos neste momento. E o Mundial exige força máxima. 

Além disso, entre as poucas opções que restaram, o técnico José Roberto Guimarães pouco mexeu no time, fosse por questões de rendimento ou por estratégia de jogo. Fez isso nesta quinta, quando já não adiantava, nos sets finais. Ainda assim, de forma desconexa, com Natália entrando de saída de rede ao invés de Rosamaria, em uma inversão do 5/1. Curiosamente, após as mexidas, o time reagiu e venceu o jogo. 

 

Seleção feminina de vôlei no Campeonato Mundial
Seleção feminina de vôlei no Campeonato MundialFoto: Divulgação/FIVB
Seleção brasileira precisava vencer o Japão por 3x0, mas perdeu os dois primeiros sets
Seleção brasileira precisava vencer o Japão por 3x0, mas perdeu os dois primeiros setsFoto: Divulgação/FIVB
As japonesas conseguiram uma virada incrível no primeiro set após o placar estar 22/17 para o Brasil
As japonesas conseguiram uma virada incrível no primeiro set após o placar estar 22/17 para o BrasilFoto: Divulgação/FIVB
Depois de perder os dois primeiros sets, a seleção nacional reagiu e venceu a partida por 3x2
Depois de perder os dois primeiros sets, a seleção nacional reagiu e venceu a partida por 3x2Foto: Divulgação/FIVB
A partir do segundo set, José Roberto Guimarães mexeu no time. Somente Rosamaria e Gabiru não jogaram
A partir do segundo set, José Roberto Guimarães mexeu no time. Somente Rosamaria e Gabiru não jogaramFoto: Divulgação/FIVB
Tandara consola Gabi após o encerramento da partida que selou a eliminação do Brasil no Mundial 2018
Tandara consola Gabi após o encerramento da partida que selou a eliminação do Brasil no Mundial 2018Foto: Divulgação/FIVB
Capitã do time, Natália, que retornou de lesão, jogou pouco neste Mundial
Capitã do time, Natália, que retornou de lesão, jogou pouco neste MundialFoto: Divulgação/FIVB
A torcida japonesa compareceu em bom número para apoiar as anfitriãs do Mundial 2018
A torcida japonesa compareceu em bom número para apoiar as anfitriãs do Mundial 2018Foto: Divulgação/FIVB

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