Grafite veste a camisa 23
Grafite veste a camisa 23Foto: Santa Cruz/divulgação

Um dos maiores ídolos dos 103 anos de história do Santa Cruz está de volta para a quarta passagem no Arruda. Aos 38 anos de idade, Grafite retorna esbanjando otimismo. Mesmo ciente da situação turbulenta dos tricolores dentro e fora de campo, ele destaca em sua primeira entrevista após regresso, concedida ao site oficial, que é possível reerguer o clube com o acesso à Série A no fim do ano. 

“Estou de volta. Espero contar com o apoio da torcida e com toda a corrente positiva nessa nossa caminhada rumo à Série A do Brasileiro. Sei que o momento não é dos mais fáceis... Não é dos melhores. Quero ajudar, juntamente com meus companheiros, comissão técnica e diretoria, a reerguermos o clube novamente. Muito feliz pelo retorno”, declarou.

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EMOÇÃO
A trajetória do camisa 23 nas Repúblicas Independentes é extensa. Tudo começou em 2001. Na ocasião, era desconhecido e só havia atuado por Matonense/SP e Ferroviária/SP. Com a camisa coral, disputou a sua primeira Série A da carreira e marcou apenas quatro gols. Depois, foi vendido ao Grêmio/RS por R$ 1 milhão. Em 2002, voltou por empréstimo para jogar a Série B e arrebentou ao fazer 11 gols. Ele enaltece o apego com o Santa e também com o Recife, onde seus familiares moram. 

“Fico feliz pelo retorno. Realmente faltam palavras. O pessoal aqui de casa, minha esposa e minhas filhas, também está muito contente. O Santa Cruz e o Recife são a nossa casa e (por esses fatores) voltei”, acentuou.

ACESSO
A terceira passagem do atacante no clube foi em 2015. Uma chegada histórica e marcante: desceu no gramado de helicóptero, com um traje de popstar (paletó e gravata), e foi recebido por mais de 7 mil pessoas no estádio do Arruda. Em sua estreia, contra o Botafogo, mais de 44 mil pessoas, que viram ele marcar o gol da vitória por 1x0. Deslanchou na Série B e levou o time à elite do futebol dez anos depois. Marcou sete gols em 15 partidas disputadas.

Desta vez, o centroavante sonha em repetir o feito, mas a tarefa é árdua já que a equipe está na porta da zona de rebaixamento, na 16ª colocação, com 23 pontos em 20 rodadas da Série B. “Espero que a gente possa terminar o ano muito bem. Quero jogar bem e marcar gols. Voltei para ajudar o time a se reerguer novamente. Temos uma caminhada difícil no segundo turno da Série B”, argumentou.

NEGOCIAÇÃO
As conversas entre o experiente jogador e a direção foram arrastadas. O acerto demorou porque dívidas do passado tiveram que ser renegociadas – salários atrasados e uma ação trabalhista na Justiça. Com o entendimento, as partes chegaram a um denominador comum. Feliz pelo desfecho, o veterano detalha como aconteceu a negociação, que terminou com um final feliz.

“Fui visitar o Constantino Júnior (vice-presidente) porque soube do problema de saúde dele. Aí nós conversamos formalmente e teve o reinício da negociação para uma possível volta. As coisas foram tomando corpo e forma. Abrimos mão de algumas coisas que ficaram no passado e estamos juntos novamente, independentemente do que aconteceu no passado”, contou.

MÁGOAS
As conquistas e as declarações verdadeiras marcaram o 2016 de Grafite. Sagrou-se campeão do Campeonato Pernambucano e levantou a taça inédita da Copa do Nordeste, mas no segundo semestre as coisas desandaram. Os erros rebaixaram o Santa Cruz para a Série B com três rodadas de antecedência. O artilheiro do time na temporada, com 24 gols em 56 jogos, expôs o caos financeiro. Porta-voz e líder do elenco, ele chegou a criticar a diretoria, afirmando que algumas pessoas estavam trabalhando contra a gestão. Também disse que tinha jogador que não tinha dinheiro para pegar um táxi e ir ao treino.

Apesar de ter escancarado a crise, foi uma das pessoas que mais ajudou os funcionários, que não recebiam salários há sete meses, com doações de cestas básicas e dinheiro. Para ele, as rugas fazem parte do passado.

“Tudo isso ficou pra trás. O importante é que estamos unidos novamente. O próprio Grafite e a diretoria são maiores que tudo que passou. Independente das mágoas que ficaram no passado, eu, particularmente, posso ter errado em alguns aspectos, assim como a diretoria, mas nós erramos tentando acertar. Espero que nessa volta a gente seja feliz”, garantiu.

MOMENTO

Os problemas seguem expostos no clube, mas o camisa 23 acredita que é possível dar a volta por cima. No entanto, deixa claro que não é o “apagador incêndios”.

“O clube é muito maior que tudo isso que vem acontecendo. É um passado de muitas glórias e de conquistas. Não vim para ser o salvador da pátria, mas posso ajudar com a colaboração de todos”, pontuou. 

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