Fórum Nordeste 2017

Edição 2017 do Fórum Nordeste foi considerada a mais abrangente

"Foi um evento profundo, talvez o que mais alargou oportunidades”, avaliou o presidente do Grupo EQM, Eduardo Monteiro

O Fórum Nordeste 2017 debateu os desafios e as oportunidades nos setores de biocombustíveis e de energia limpa com uma série de atores do governo, da academia e do setor produtivo no Recife nesta segunda-feira (25). E, por isso, foi considerado a edição mais completa do evento pelo presidente do Grupo EQM, que promoveu o debate, Eduardo de Queiroz Monteiro.

“Já tivemos algumas edições do Fórum, mas considero esta a mais abrangente. Discutimos diversos temas e diversas energias renováveis. Tivemos uma discussão longa e muito qualificada sobre os biocombustíveis com órgãos governamentais, academia e cientistas do setor. E tivemos representações de entidades de todo o Brasil. Foi evento profundo, talvez o que mais alargou oportunidades”, avaliou Monteiro, no encerramento do evento, realizado no Arcádia Paço Alfândega, no Bairro do Recife.

Entre as oportunidades evidenciadas pela discussão, destaca-se a elaboração de um trabalho que norteie o desenvolvimento dos biocombustíveis no Brasil nos próximos anos. “Saímos daqui confiantes de que vamos produzir um trabalho, decorrente desse profundo debate, que será um roteiro para o poder público e o setor privado percorrerem o caminho dos biocombustíveis”, revelou Monteiro.



“O evento se propõe a inserir o Nordeste em uma agenda nacional em favor da sustentabilidade e dos biocombustíveis”, explicou o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha. Ele ainda falou que, com essa discussão, o setor está buscando uma solução de interesse nacional. “O consumidor do terceiro milênio é exigente e almeja um combustível que não danifique a saúde do homem e do meio ambiente. Então, o interesse nacional está preservado na medida em que estamos abordando temas e perspectivas para os biocombustíveis, que integram uma matriz energética que se propõe a ser bastante limpa e contínua”, argumentou.

O Fórum Nordeste 2017 ainda deixou a expectativa de que o programa de incentivo à produção dos combustíveis renováveis RenovaBio seja formalizado nos próximos dias, como anunciou o ministro de Minas e Energia (MME), Fernando Bezerra Coelho Filho, durante o evento. “Estamos aguardando serenamente essa manifestação do Governo Federal para, a partir de então, o biocombustível ter essa importante ferramenta de inserção e de volta da competitividade do etanol em relação aos combustíveis fosseis”, comentou o fundador do Grupo EQM.

O Fórum Nordeste contou com o patrocínio do Governo do Estado de Pernambuco, da Copergás, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, além do apoio da Prefeitura do Recife e das empresas Tereos; Koblitz; Monsanto e o apoio técnico do Sindaçúcar.


Eduardo Monteiro fala na abertura do Fórum Nordeste

Organizador do evento, Eduardo Monteiro agradeceu a presença dás autoridades e representantes dos setores de energia e combustíveis

A programação do Fórum Nordeste 2017 começou por volta das 9h30 nesta segunda-feira (25). Na cerimônia de abertura, o presidente do Grupo EQM, Eduardo Monteiro, organizador do evento, agradeceu a presença dás autoridades e representantes dos setores de energia e combustíveis.

Confira a galeria de fotos do evento.

"Estamos muito honrados em reinaugurar esse debate. Nós pretendemos trazer para o Nordeste um olhar sobre o debate das energias renováveis, trazer a participação de especialistas do setor para ampliar essa discussão fora do eixo Sul e Sudeste", ressaltou.

Em sua fala, o empresário ainda ressaltou o papel do agronegócio dentro da perspectiva de produção de alternativas sustentáveis e destacou temas de relevo que serão apresentados durante o evento.




O Fórum Nordeste vai abordar os desafios e as oportunidades nos setores de biocombustíveis e energias limpas no Brasil. O biocombustível é todo aquele produzido a partir de matéria orgânica. O evento ocorre no Arcádia Paço Alfândega, no Bairro do Recife, realizado pelo grupo EQM com o apoio do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar).

A cerimônia de abertura do Fórum, um dos mais importantes eventos do setor sucroenergético nacional, contou com o ministro de Minas e Energia (MME), Fernando Bezerra Coelho Filho, o ministro da Educação (MEC), Mendonça Filho, o ministro das Cidades, Bruno Araújo, governador de Pernambuco, Paulo Câmara, Governador de Alagoas, Renan Filho, o Prefeito de Recife, Geraldo Julio e o Presidente do Grupo EQM, Eduardo de Queiroz Monteiro. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin enviou vídeo com depoimento sobre a importância do evento.

"Estamos aqui para fomentar a inovação. Recife é uma cidade sustentada pela inovação, então, trazer esse debate que discute o futuro na nossa cidade é muito importante. Temos lutado por uma política de emissão de baixo carbono: fomos a primeira cidade no Brasil a fazer um inventário de emissões e fomos a primeira capital do País a fazer um plano de redução das emissões, acompanhado pela ONU", disse Geraldo Julio, prefeito do Recife.

O governador de Alagoas, Renan Filho, também participa da cerimônia de abertura. "As crises e a seca debilitaram o segmento sucroenergético", apontou. "A nossa agenda precisa priorizar o uso da energia limpa. Precisamos ter uma legislação que incentive isso", acrescentou.

Governador de Alagoas, Renan Filho

Governador de Alagoas, Renan Filho - Crédito: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Antes de discursar, Renan Filho manifestou solidariedade ao PMDB de Pernambuco

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, não pôde participar do evento, mas mandou um vídeo no qual afirmou que "os paulistas estão ao lado dos pernambucanos na luta pelo RenovaBio". 

A política de biocombustíveis RenovaBio será tema da palestra do secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do MME, Márcio Felix, com mediação do presidente do Sindaçúcar/PE, Renato Cunha, do presidente do Sindaçúcar/AL, Pedro Robério Nogueira, e da presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina.

Depois será discutido o papel dos biocombustíveis na eletrificação e desenvolvimento com o presidente da Datagro, consultoria especializada no mercado agrícola, e integrante do Conselho Nacional de Pesquisa Energética (CNPE), Plínio Nastari. O secretário de Mudanças do Clima e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Everton Lucero, palestra em seguida sobre o setor sucroenergético e a implementação do Acordo de Paris, com participação do diretor presidente da Copergás, Roberto Fontelles; do secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do MME, Eduardo Azevedo, e do diretor presidente da Koblitz, Luiz Otávio Koblitz.



A última palestra versa sobre o planejamento energético nacional, com debate sobre as perspectivas de demanda e oferta de etanol, gasolina, biodiesel e diesel. O palestrante será o diretor de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), José Mauro Ferreira Coelho. O encerramento está previsto para as 15h30.

Ministro das Cidades, Bruno Araújo ressaltou a importância do setor sucroalcooleiro no Nordeste. "As tecnologias e inovações desenvolvidas no campo têm impacto nas cidades", ressaltou, durante a cerimônia de abertura do Fórum Nordeste. Na sequência, o ministro da Educação, Mendonça Filho, ressaltou a tradição de Pernambuco como grande produtor de cana-de-açúcar e que tem muito potencial de produção de biocombustíveis. "O Nordeste tem grande possibilidade de explorar não somente a produção de etanol, mas também de energia solar e eólica", disse.

"Tenho convicção que o RenovaBio trás o que existe de mais moderno do mundo para o Brasil. É uma política para permitir o investimento, dando previsibilidade e um horizonte de pelo menos dez anos para frente, de que o Brasil tem uma pegada de redução de carbono". O ministro disse que quer manter a liderança do País na produção de biocombustíveis. "No ano passado o Brasil produziu 27 milhões de litros de etanol,não somos o maior produtor, os Estados Unidos produz mais, mas o nosso etanol é melhor", lembrando que o etanol é fundamental para que o Brasil alcance a meta que assumiu no Acordo do Clima, de produzir 50 milhões de litros de etanol em 2030.

"Creio que não vai demorar 15 dias para que possamos receber vocês em Brasília para a assinatura do RenovaBio", garantiu Fernando Coelho Filho.

Em sua participação no evento, o governador Paulo Câmara destacou que o Brasil precisa olhar para o futuro. "Energia limpa e biocombustíveis fazem parte da estratégia do futuro".

Marcas do Forum Nordeste

Governo de Pernambuco, Copergás, Caixa, Banco do Brasil e Governo Federal são patrocinadores do encontro

Fernando Filho no Fórum Nordeste

Fernando Filho é um dos convidados do Fórum Nordeste, promovido pelo Grupo EQM, no Recife

O crescimento das cidades, o aumento da demanda por energia e a escassez dos recursos naturais são desafios mundiais. Nesse contexto, os biocombustíveis e as fontes de energia renovável se mostram alternativas viáveis tanto para suprir as necessidades, quanto para reduzir os impactos ambientais. Os desafios e oportunidades relacionados aos setores de biocombustíveis e energias limpas no Brasil são o tema do Fórum Nordeste 2017, que começou por volta das 9h, no Arcádia Paço Alfândega, no Bairro do Recife.

Promovido pelo Grupo EQM, o evento conta com a participação de especialistas e de autoridades dos setores de energia e combustíveis, entre eles o ministro de Minas e Energia, Fernando Filho, que já chegou ao local do evento.

O segmento de geração de biocombustíveis espera do ministro um anúncio sobre o RenovaBio, programa de incentivo à produção dos combustíveis renováveis. "O RenovaBio vai sair", garantiu o gestor da Pasta Federal, "O projeto já está na Casa Civil para assinatura do presidente, nos próximos dias", disse. O ministro informou, no entanto, que não se sabe ainda se o programa será editado via Medida Provisória ou por Projeto de Lei.

Sobre a privatização da Chesf, junto com a Eletrobras, outro assunto do momento o setor, o ministro falou que a modelagem do contrato ainda está sendo concluída. Em resposta às críticas que o Governo Federal tem sofrido em virtude do processo de venda da Chesf o ministro voltou a dizer que a privatização não significa a venda do Rio São Francisco e que a transação pode fortalecer a empresa. "É melhor o governo ser minoritário de uma empresa maior do que majoritário de uma empresa menor", argumentou.

Fernando Filho, ministro das Minas e Energia

O Fórum Nordeste 2017 reuniu autoridades políticas, empresariais e especialistas do setor sucroenergético

Criado com a missão de estimular a produção de combustíveis limpos, o RenovaBio deve entrar em vigor nos próximos 15 dias e vai carregar a bandeira brasileira em defesa do meio ambiente durante a COP 23, em novembro, na Alemanha. O programa federal foi profundamente debatido durante o Fórum Nordeste 2017, realizado na última segunda-feira.

“Já tivemos algumas edições do Fórum, mas considero esta a mais abrangente. E saímos daqui confiantes de que vamos produzir um trabalho, decorrente desse profundo debate, que será um roteiro para o poder público e o setor privado percorrerem o caminho dos biocombustíveis”, concluiu Eduardo de Queiroz Monteiro, presidente do Grupo EQM e fundador desta Folha.

O Brasil persegue a meta de reduzir as emissões de carbono e aumentar a produção de etanol para 50 bilhões de litros até 2030, compromisso assumido no Acordo do Clima. No escopo das medidas desenvolvidas neste sentido, o País pode assumir um papel de protagonismo mundial na produção de biocombustíveis e um dos principais instrumentos principais para alcançar essa realidade é o RenovaBio - programa de governo que visa valorizar a produção de combustíveis limpos.

Como não poderia deixar de ser, o RenovaBio foi assunto constante nos painéis apresentados durante o Fórum Nordeste 2017, realizado pelo Grupo EQM, na segunda-feira passada. A apresentação das bases do projeto foi conduzida pelo secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Márcio Félix, no painel “RenovaBio - uma nova política de biocombustíveis para o Brasil”. Voz do Governo Federal, o gestor defendeu o programa como a “contribuição que o País tem para dar ao mundo no combate à emissão de poluentes e que pode levar o País a, além de cumprir as metas atuais de descarbonização, até superá-las”.

“O Brasil pode deixar de ser reconhecido pelo pré-sal para se tornar reconhecido pelos biocombustíveis. Temos produtividade de alimentos, terras agricultáveis, vamos apresentar a nossa capacidade de geração de biocombustíveis”, frisou. “Os biocombustíveis já estão presentes em um terço dos municípios brasileiros. Eles trazem emprego e renda”, acrescentou.

Márcio Félix, secretário de Petróleo e Gás

Márcio Félix, secretário de Petróleo e Gás - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco



O secretário destacou que o RenovaBio não cria subsídios, nem novos impostos, mas vai estabelecer a precificação dos combustíveis a partir da sua pegada de carbono. Ou seja, combustíveis mais limpos terão melhor remuneração. Dentro do RenovaBio será criado um certificado de descarbonização. “A usina produtora de etanol, por exemplo, vai ser certificada em função dos combustíveis com menor quantidade de carbono com o selo CBio. O CBio vai ter valor de mercado e será comercializado”, explicou.

Com o aumento da produtividade dos combustíveis limpos, se abrirão novas oportunidades de negócios. Uma delas pode estar na área de aviação, apontou o secretário. “A indústria de aviação está trabalhando para reduzir cotas de emissão de poluentes e isso pode ser feito por meio do bioquerosene de aviação”, argumentou.

Lançado em dezembro de 2016 pela Presidência da República, o RenovaBio ainda depende de dispositivos legais para se tornar realidade. O programa já teve as suas diretrizes definidas e, segundo o secretário e o próprio ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, deve entrar em vigor nos próximos 15 dias.

Com os olhos do Governo Federal voltados para energias renováveis, os investimentos em refino, a exemplo da Refinaria Abreu e Lima, em Suape, assumem outro papel. Na avaliação de Félix, o importante é integrar as duas fontes. “O Brasil é importador de gasolina e diesel. Por mais que os biocombustíveis cresçam em produção, ainda haverá uma lacuna”, defendeu.

Everton Lucero, do Ministério de Meio Ambiente

"Há recursos e os recursos estão à procura de bons projetos e políticas que possam dar segurança rumo à sustentabilidade", diz Everton Lucero, secretário do MMA

Além de apresentar-se como uma solução para problemas ambientais de grande amplitude como o aquecimento global, a economia de baixo carbono pode gerar uma infinidade de oportunidades de negócios. Para se ter uma ideia, estimativas indicam que, para implementar este projeto de desenvolvimento sustentável no mundo, seriam necessários investimentos globais de US$ 5 a 7 trilhões, do setor público e da iniciativa privada.

“Há recursos e os recursos estão à procura de bons projetos e políticas que possam dar segurança, previsibilidade e garantia no rumo à sustentabilidade”, afirmou Everton Lucero, do Ministério de Meio Ambiente. Ele informou que a maior parte dessa verba deve ir para a infraestrutura e energia de baixo carbono, considerando aqui os biocombustíveis, a bioenergia e as energias renováveis. Por isso, o RenovaBio pode abrir várias portas para o setor sucroenergético.


O Ministério do Meio Ambiente está trabalhando na elaboração de uma estratégia nacional que possa dar sustentação aos financiamentos necessários a esses projetos. “Os recursos públicos não serão suficientes. Então, o desafio é identificar bons projetos que possam se tornar atrativos para os investidores de fora do País”, orientou o diretor do Banco do Brasil Márcio Gama, no Fórum Nordeste.

“A Caixa traz sua experiência no campo da sustentabilidade. No último dia 12 mês, lançamos um edital de seleção pública após a assinatura de um Acordo de Cooperação Técnica com o Ministério do Meio Ambiente. São R$ 10 milhões para o desenvolvimento de projetos de inovação nos sistemas de gestão dos resíduos orgânicos para municípios e consórcios intermunicipais”, revela o superintendente regional da Caixa, Laércio Lemos.

 

Everton Lucero, do Ministério de Meio Ambiente

O RenovaBio é o programa de incentivo à produção de biocombustíveis que vai ajudar o Brasil a cumprir as metas do Acordo de Paris

O RenovaBio deve ser a locomotiva que vai puxar a economia brasileira para uma economia de baixo carbono. E quem diz isso é o Ministério do Meio Ambiente. No Fórum Nordeste 2017, a pasta revelou que o programa de incentivo à produção dos combustíveis renováveis é um ótimo exemplo do que o Brasil precisa fazer para atingir metas globais de desenvolvimento sustentável. Por isso, deve ser apresentado na próxima Conferência sobre Mudança do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), a 23ª Conferência das Partes (COP 23), marcada para novembro na cidade alemã de Bonn.

Secretário de Mudanças do Clima e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Everton Lucero explicou que o Governo Federal quer apresentar, na COP 23, iniciativas que devem ajudar o Brasil a cumprir as metas do Acordo de Paris - firmado na Conferência das Partes de 2015, o acordo estipula limites para o aumento da temperatura global com base na redução da emissão de gases de efeito estufa. E, hoje, segundo o Governo, o RenovaBio é a proposta que mais se encaixa neste debate.

“Embora a meta seja global para toda a economia, precisamos mostrar quais setores produtivos são os carros-chefes para implementarmos o Acordo, os que estão prontos e dispostos a avançar com soluções concretas e não apenas ideias e demandas. E o único setor que já se apresentou para fazer isso foi o setor sucroenergético. Aqui, nós temos uma proposta concreta apresentada, que é o RenovaBio”, declarou Lucero, ao ministrar a palestra “O setor sucroenergético e a implementação do Acordo de Paris”, no Fórum Nordeste 2017.

E o RenovaBio não vai para a Alemanha apenas por uma questão de oportunidade. De acordo com Lucero, defender os biocombustíveis como um caminho viável para a economia de baixo carbono é mais do que isso, é uma obrigação brasileira. “O País reúne as melhores condições em termos de capacidade instalada e condições geográficas naturais para produzir biocombustíveis. Então, se não for o Brasil, não há outro país no mundo que possa fazer isso”, explicou, dizendo ainda que, se for tocada na celeridade necessária, esta oportunidade pode colocar o País na frente do trabalho de construção da economia de baixo carbono. “Ou aproveitamos agora e tomamos esse passo, um passo ousado que pode nos colocar na dianteira desse debate no âmbito internacional, ou vamos perder o bonde e ficar delegados ao plano secundário”, alertou.



Não bastasse isso, a proposta do setor sucroenergético se encaixa muito bem nas diretrizes que o Ministério do Meio Ambiente traçou para reduzir a emissão de gases poluentes no território brasileiro. É que a pasta quer dar início ao corte nos setores produtivos que mais colaboram com o aquecimento global. E, hoje, a maior parte das emissões nacionais de gases de efeito estufa (37%) vem justamente da energia e dos transportes, que podem se tornar menos poluentes se adotarem o uso de combustíveis limpos como o etanol em detrimento de combustíveis fósseis como a gasolina. “Esta não é a única solução, mas a que mais se adapta e está pronta para nos ajudar a levar adiante essa pauta”, sentenciou Lucero.

Para o representante do Ministério de Meio Ambiente, apostar no RenovaBio ainda é vantajoso por conta da força do setor sucroenergético. “É um setor que tem capilaridade e presença em muitos municípios do País. Por isso, essa proposta terá um efeito dominó em todo o território e isso pode nos impulsionar para uma posição de destaque na implementação do acordo”, concluiu. Ele ressaltou, por sua vez, que o Governo Federal também vai buscar saídas sustentáveis para os outros setores produtivos. Afinal, a agropecuária responde por mais 33% das emissões brasileiras e o desmatamento, a 18%.

A queima de combustíveis fósseis é uma das responsáveis pelo aquecimento global

Pesquisas indicam que 98% do aquecimento global resulta da atividade humana, sobretudo da queima de combustíveis fósseis

Sem a implementação de projetos sustentáveis como o RenovaBio, será difícil atingir as metas estabelecidas no Acordo de Paris, que tem como objetivo limitar o aumento da temperatura média global em 2°C acima dos níveis pré-industriais. Afinal, pesquisas indicam que 98% do aquecimento global resulta da atividade humana, sobretudo da queima de combustíveis fósseis.

“O acordo também prevê esforços para que o aumento da temperatura global não passe de 1,5°C, mas hoje se vê cada vez menos viável a possibilidade de atingir essa meta. Então, nós precisamos trabalhar para também não perder a meta de 2°C”, alertou Everton Lucero, no Fórum Nordeste 2017. Ele explicou que, em 2014, a temperatura média do planeta já passava de 1°C dos níveis anteriores à era industrial em decorrência dos gases de efeito estufa, dos quais o gás carbônico é o principal, na atmosfera. “Se nada for feito, chegaremos ao fim desse século com 4°C ou 5°C de aumento na temperatura global, com consequências catastróficas na atividade econômica”, disse.

Secretário do Ministério de Meio Ambiente, ele lembrou que o impacto desse 1°C já vem sendo sentido através da ocorrência de eventos extremos como terremotos, secas e enchentes, que afetam diretamente a oferta de água, a produção agrícola e a saúde da humanidade. Por isso, o Brasil prometeu uma colaboração audaciosa no Acordo de Paris. “Somos o único país em desenvolvimento que adotou como meta absoluta a redução dos gases de efeito estufa”, afirmou Lucero, contando que o objetivo nacional é reduzir as emissões em 37%, abaixo dos níveis de 2005, em 2025 e aumentar esse índice para 43% em 2030.

Lucero admitiu, por sua vez, que a tarefa é difícil e exige ações imediatas. “Não se trata só de tomar medidas para enfrentar o problema, mas mudar a rota do desenvolvimento, rever padrões de consumo e criar uma economia baseada em baixas emissões no longo prazo. É um grande desafio que envolve todos os setores da economia e da sociedade”, falou, lembrando que conta com a ajuda do setor sucroenergético nessa tarefa.

Etanol hidratado e anidro

Até 2026, a participação dos derivados da cana no consumo de energia do País vai subir de 17% para 19%

Combustível limpo produzido a partir da cana-de-açúcar, o etanol vai continuar ganhando competitividade em relação à gasolina nos próximos anos. E, com isso, também vai ampliar sua importância na matriz energética nacional: projeções apresentadas pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) durante o Fórum Nordeste 2017 apontam para um crescimento de 17% para 19% da participação dos derivados da cana no consumo de energia brasileiro até 2026. 

“A EPE está observando um aumento da produtividade e da competitividade do etanol. A gasolina está perdendo espaço para o etanol hidratado no ‘market share’ dos veículos flex. Por isso, deve sofrer uma redução de 23% para 18% no consumo de energia por fontes”, informou o diretor de estudos do petróleo, gás e biocombustíveis da EPE, José Mauro Ferreira Coelho, que comandou a palestra ‘Planejamento energético nacional: perspectivas de demanda e oferta de etanol, gasolina, biodiesel e diesel”, no Fórum Nordeste 2017.

Como consequência desse ganho de produtividade, que reflete a conscientização do consumidor brasileiro e também a regulamentação do RenovaBio, os derivados de petróleo ainda vão perder cinco pontos percentuais na divisão por fontes do consumo energético nacional. “Vemos uma redução importante da participação dos derivados de petróleo. Até porque, embora continue importante, caindo de 42% para 37% em 2026, essa participação agora é decrescente”, avaliou Coelho.

diretor de estudos do petróleo, gás e biocombustíveis da EPE, José Mauro Ferreira Coelho

Diretor de estudos do petróleo, gás e biocombustíveis da EPE, José Mauro Ferreira Coelho - Crédito: Anderson Stevens /Folha de Pernambuco



E essa queda ainda deve ser acentuada por mais dois fatores: o aumento do consumo total de energia e a redução da demanda de combustíveis do setor de transportes. Segundo a EPE, o consumo final de energia foi de 257 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep) no Brasil em 2016, mas vai passar para 309 milhões de tep em 2026. É um aumento de 1,9% influenciado, sobretudo, pelo setor industrial, que deve retomar a utilização da capacidade instalada que hoje está ociosa. O consumo energético do setor de transportes, por sua vez, vai cair de 33% para 30% do total brasileiro devido a fatores como a redução da venda dos emplacamentos e o aumento da eficiência dos novos veículos.

Por tudo isso, a tendência é que a produção do etanol continue acumulando altas. Ainda segundo a EPE, a oferta total desse combustível limpo, que foi de 29 bilhões de litros em 2016, deve saltar para 44 bilhões de litros em 2026. E ainda há a projeção de chegar a 50 bilhões de litros em 2030. Por isso, também está prevista a ampliação das usinas de cana-de-açúcar no País. Hoje, ainda de acordo com as projeções apresentadas pela Empresa de Pesquisa Energética no Fórum Nordeste 2017, há 378 usinas em operação no País, com capacidade de moagem efetiva de cana de 765 milhões de toneladas. Mas 18 novas usinas devem começar a moer nos próximos dez anos e isso deve ampliar para 847 milhões de toneladas a capacidade efetiva do Brasil.

Neste cenário, a EPE acredita que a produção de etanol será mais que suficiente para suprir o mercado interno. Mesmo esperando um crescimento de 17 para 31 bilhões de litros da demanda nacional pelo etanol hidratado, a agência afirma que haverá produto disponível para exportação e aponta o Nordeste como o principal distribuidor do combustível no mercado exterior. “A região tem uma posição privilegiada para a exportação do etanol e do açúcar, então pode ser uma grande base de exportação”, falou Coelho, que, por tudo isso, acredita no fortalecimento do setor sucroenergético nacional nos próximos anos.

“Esperamos uma recuperação dos indicadores de produtividade e rentabilidade do setor sucroenergético, o que levará a uma competitividade ainda maior do etanol frente à gasolina e a uma matriz energética mais limpa”, afirmou o diretor da EPE, apontando como oportunidades de negócios futuros tanto a expansão quando a construção de novas usinas no País.

E não há dúvidas de que haverá recursos para isso. É que, com o crescimento do etanol, o Brasil ainda deve conquistar outro feito: deixar de importar gasolina. “Desde 2010, o Brasil é importador de gasolina. Em 2017, por exemplo, importamos 10 mil barris por dia. E essa importação deve prosseguir ainda em 2019, mas vai começar a diminuir com o aumento da produtividade e da competividade do etanol. Nós vemos a demanda de gasolina se aproximando da produção, de modo que o País deixe de ser importador de gasolina por conta do maior consumo de etanol nos combustíveis leves”, anunciou Coelho.

O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, afirmou, no Fórum Nordeste 2017, que o setor sucroenergético está buscando uma solução de interesse nacional. “O consumidor do terceiro milênio é exigente e almeja um combustível que não prejudique a saúde do homem e do meio ambiente. Então, o interesse nacional está preservado na medida em que estamos abordando temas e perspectivas para os biocombustíveis, que integram uma matriz energética que se propõe a ser bastante limpa e contínua”, argumentou.

Carro elétrico

O presidente da Datagro alerta para os riscos de a eletrificação trazer sérios impactos ambientais

Carros elétricos são as grandes vedetes da indústria automobilística. Contudo, a eletrificação por si só não elimina totalmente os impactos ambientais, considerando que os modelos desenvolvidos atualmente trabalham com baterias produzidas a partir de lítio e cobalto, metais pesados, cujo descarte pode gerar um passivo ambiental preocupante, defende o presidente da Datagro e conselheiro do Conselho Nacional de Políticas Energéticas (CNPE), Plínio Nastari. No painel “Eletrificação e desenvolvimento: papel dos biocombustíveis”, apresentado durante o Fórum Nordeste 2017, Nastari, um dos maiores especialistas do País no setor energético, debateu alternativas para o setor automotivo.

Além disso, o fornecimento de energia também é um desafio imposto à expansão dos carros elétricos no Brasil, na avaliação do especialista, que questiona a capacidade de produção brasileira para abastecer essa nova frota e alerta para as dificuldades para controlar o uso clandestino da energia. O Brasil, no entanto, pode contribuir com a redução desse impacto ambiental por meio do etanol de cana-de-açúcar, biocombustível com baixo carbono, ou seja, com menor índice de emissão de poluentes. As alternativas se apresentam em dois sentidos. O primeiro seria a eletrificação em veículos híbridos - automóveis elétricos com motores flex (que podem ser abastecidos com gasolina ou etanol). “O carro elétrico híbrido movido a etanol resolve a questão de emissões e gera emprego e desenvolvimento econômico com a produção do biocombustível”, defende Nastari.

Lançamento de caros elétricos de Curitiba

Lançamento de caros elétricos de Curitiba - Crédito: Jaelson Lucas/ SMCS



Existe também outra vertente possível, a das motorizações com célula combustível. Essa tecnologia consiste em retirar hidrogênio a partir de um combustível líquido para produzir a eletricidade. “Esse tipo de reação pode ser feito com etanol”, argumentou Nastari, acrescentando que a produção desse tipo de motor depende de decisões empresariais, mas que, pelos avanços tecnológicos, pode estar no mercado em cinco anos.

Em uma visão de futuro, o especialista acredita que os carros flex - cujos modelos brasileiros, que utilizam etanol, já se mostram superiores aos europeus no quesito emissão de poluentes- devem continuar evoluindo para uma otimização cada vez maior do uso de combustível. “Em um momento, teríamos a produção dos híbridos flex, movidos a eletricidade com motor de combustão a gasolina ou etanol, e, posteriormente, os carros célula combustível. A medida que vamos evoluindo, vai sendo reduzido o consumo energético e a emissão de poluentes”, narrou.

O etanol está totalmente relacionado com essa evolução. Como tem pegada de carbono muito próxima do zero (o etanol de cana-de-açúcar chega a reduzir em 89% a emissão de gases de efeito estufa se comparado à gasolina), o biocombustível produzido amplamente em território nacional, que conta com mais de 40 mil postos de revenda, pode colocar o Brasil na dianteira desse processo de desenvolvimento. Ou seja, o País já tem o que o mundo está buscando mas, na avaliação do especialista, “precisa fazer dos biocombustíveis uma estratégia de desenvolvimento da indústria automotiva e do agronegócio”.

Plínio Nastari, presidente da Datagro e conselheiro do Conselho Nacional de Políticas Energéticas (CNPE)

Plínio Nastari, presidente da Datagro e conselheiro do Conselho Nacional de Políticas Energéticas (CNPE) - Crédito: Arthur Mota/Folha de Pernambuco



O presidente da Datagro considera importante, nesse sentido, a validação do RenovaBio, que “busca induzir ganhos de eficiência energética na produção e uso de biocombustíveis no Brasil, reconhecendo a capacidade de cada combustível de fazer a descarbonização”. “Isso pode posicionar o Brasil no mundo, de forma definitiva, como economia verde. O biocombustível é energia solar capturada, armazenada e distribuída de forma eficiente e segura”, arrematou.

Fernando Filho e Paulo Câmara

Reconhecimento é entregue para lideranças que contribuem em favor dos setores de biocombustíveis, etanol e energias limpas

O ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Coelho Filho, e o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, receberam, na manhã desta segunda-feira (25), o prêmio Fórum Nordeste 2017. O reconhecimento é entregue para lideranças que contribuem em favor dos setores de biocombustíveis, etanol e energias limpas.

Eles receberam os prêmios das mãos do presidente do Grupo EQM, Eduardo Monteiro, e dos presidente do Sindaçúcar de Pernambuco, Renato Cunha, e de Alagoas, Pedro Robério.



Fernando Bezerra Filho nasceu em 28 de fevereiro de 1984 no Recife e se formou em administração de empresas na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP). Aos 22 anos, assumiu a primeira legislatura como deputado federal, sendo reeleito por mais dois mandatos. Ele é filiado ao PSB, partido que liderou desde fevereiro de 2015 até virar ministro em 12 de maio de 2016.

Já Câmara é bacharel em ciências econômicas e foi auditor do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Assumiu as secretarias de Administração, Turismo e Fazenda durante o governo de Eduardo Campos. Em outubro de 2014, ganhou no segundo turno a eleição para governador de Pernambuco.

A premiação ocorre dentro da programação do Fórum, que ocorre no Arcádia Paço Alfândega, no Bairro do Recife, nesta segunda. O evento segue com mais quatro painéis de políticos e especialistas ligados ao tema.

Eduardo Monteiro na edição de 2013 do Fórum

Governadores, ministros e prefeito participam das discussões

8h30 Credenciamento

9h15 Abertura

Eduardo de Queiroz Monteiro (Presidente do Grupo EQM)
Fernando Bezerra Coelho Filho (Ministro de Minas e Energia)
Mendonça Filho (Ministro da Educação)
Paulo Câmara (Governador de Pernambuco)
Geraldo Alckmin (Governador de São Paulo)
Renan Filho (Governador de Alagoas)
Geraldo Julio (Prefeito do Recife)

Prêmio Fórum Nordeste 2017
Fernando Bezerra Coelho Filho – Ministro de Minas e Energia
Paulo Câmara - governador de Pernambuco

10h15 PAINEL 1: RenovaBio – Uma Nova Política de Biocombustíves para o Brasil

 

Márcio Félix, secretário de Petróleo e Gás

Márcio Félix, secretário de Petróleo e Gás



Palestrante:
Márcio Felix (Secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia

Mediador:
Renato Cunha (Sindaçúcar/PE)

Pedro Robério Nogueira (Sindaçúcar/AL)
Elizabeth Farina (Unica)

11h00 Debate

11h15 Coffee-break

11h30 PAINEL 2: Eletrificação e Desenvolvimento: o Papel dos Biocombustíveis

Plinio Nastari - CNPE / Datagro

Plinio Nastari - CNPE / Datagro



Palestrante:
Plinio Nastari (CNPE / Datagro)

Mediador:
André Rocha (Sifaeg/GO)

Décio Oddone (ANP)

Roberto Hollanda Filho (BioSul/MS)

12h15 Debate

12h30 PAINEL 3: O Setor Sucroenergético e a Implementação do Acordo de Paris

Everton Frask Lucero, Secretário de Mudanças do Clima e Florestas

Everton Frask Lucero, Secretário de Mudanças do Clima e Florestas



Palestrante:
Everton Frask Lucero (Secretário de Mudanças do Clima e Florestas)

Mediador:
Eduardo Azevedo (Secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do MME)

Roberto Fontelles (Diretor-Presidente Copergás)

13h30 Almoço

14h30 PAINEL 4: Planejamento Energético Nacional: Perspectivas de Demanda e Oferta de Etanol, Gasolina, Biodiesel e Diesel

José Mauro Ferreira Coelho, diretor de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis do EPE

José Mauro Ferreira Coelho, diretor de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis do EPE



Palestrante:
José Mauro Ferreira Coelho (Diretor de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis do EPE)

Mediadores:
Edmundo Barbosa (Sindalcool/PB)

Mário Campos (Siamig/MG)

Miguel Tranin (Alcopar/PR)

15h15 Debate


15h30 Encerramento



 

Linhas de transmissão de energia

O setor elétrico nacional está entrando numa era de profundas mudanças com a decisão do governo federal de desestatizar o controle da sua holding, a Eletrobras

Para entender o que vai acontecer com o País após a privatização da Eletrobras é preciso voltar um pouco no tempo. Essa não é a primeira vez que o setor elétrico brasileiro passa por um processo de desestatização. Na década de 90, o então presidente Fernando Henrique Cardoso realizou a privatização de usinas de geração da Eletrosul, além da Vale do Rio Doce e de toda a siderurgia.

A Eletrobras também foi cogitada no passado, mas o Governo recuou. Agora, e depois de tantas mudanças no mercado energético, impactando, sobretudo, o consumidor, a União está prestes a tirar a ideia do papel com a justificativa de recuperar as receitas da empresa, enquanto deixa em suspenso o futuro do setor. A companhia energética tem papel estratégico para o desenvolvimento do País por concentrar 31% da geração de energia.

"É algo (privatização) que não se decide do dia para noite. A decisão não pode ser tomada por dogmas, porque os mercados se movem por resultados. Não dá para comparar a privatização de um banco ou de um aeroporto com a de empresas elétricas. Não basta querer vender, tem que ter quem compre", diz o consultor da Enercons Energia, Ivo Pugnaloni. Ele fala isso porque a Eletrobras tem várias distribuidoras deficitárias e o mercado não é tão simples assim. "Atualmente, praticamente quase toda a geração é movida a diesel, cujo custo é mais elevado. E os que adquirirem as ações não vão querer arcar com as consequências dos riscos, como assumem os consumidores", frisa.

O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, minimiza e explica que o formato que está sendo estudado não tira a autonomia da União em decisões estratégicas e será feita pela manutenção de ações golden share. O Programa de Parcerias em Investimentos (PPI) estuda duas possibilidades para a saída de cena do Governo na administração da Eletrobras. Pode ser por meio da venda do controle ou pela pulverização das ações a partir da emissão de novas ações. A modelagem sairá até o fim da semana que vem. "Sem essas alternativas, boa parte da ineficiência da empresa é paga pelo consumidor, já que as perdas e os custos implicam na tarifa", explica.

Questionado sobre o fato de a Eletrobras continuar sendo uma empresa relevante após a privatização, Coelho Filho retrucou afirmando que sim. "A União perderá apenas o controle, mas todo capital humano da empresa continuará sendo o mesmo", promete. "O que não podemos deixar é uma empresa dar prejuízo por cinco anos consecutivos e não fazermos nada. Você acha normal um prejuízo de R$ 32 bilhões por cinco anos seguidos? Em 2002, a empresa valia R$ 58 bilhões. Em 2016, valia R$ 9 bilhões, enquanto seu valor patrimonial é de R$ 50 bilhões. Boa parte disso aconteceu em função dos efeitos nocivos da MP 579 (que, em troca da renovação dos contratos de concessão, o Governo Dilma Rousseff exigiu que a empresa reduzisse o custo da energia. Atualmente, ela vende o Megawatts/hora (MW/h) por R$ 35, enquanto no mercado é de R$ 135)", afirma.

Tarifa
O que não ficou claro ainda é o tamanho dessa privatização para a tarifa do consumidor final, já que, dentro do projeto de democratização das ações da empresa, está a 'descotização' - processo que permitirá que as usinas cujas concessões foram renovadas voltem a cobrar a energia pelo preço de mercado. Segundo o ministro, os cálculos do impacto ainda não foram realizados. "Esperamos, no entanto, que com a redução de custos e com ganho de eficiência no processo, a conta de luz fique mais barata no médio prazo", retruca.

A tese do ministro pode, portanto, cair por terra. Isso porque, logo após o anúncio de privatização, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) entregou um estudo ao Ministério projetando, no pior dos cenários, uma alta de 16,7% na conta de luz. Em entrevista a uma rádio local, na última sexta-feira, Coelho Filho disse ser importante dissociar a política da realidade dos fatos. "Se o presidente da Aneel (Romeu Rufino) tem uma posição divergente, que aponte. Agora, se quiser fazer um levantamento com base nas informações de consultorias independentes, você verá que falam de um impacto de, no máximo, 5%", responde.

Para evitar que isso aconteça, destaca, está sendo proposta a 'descotização' ao longo de seis, sete anos. "Esse preço de energia aplicado atualmente é um custo artificialmente barato. Antigamente, o risco da falta de água era de responsabilidade do gerador. Com a mudança proposta pela MP 579, o consumidor passou a assumir esses riscos de outras formas, só que com uma energia, teoricamente, mais barata", conta. Somente no mês de junho deste ano, ressalta o ministro, os consumidores pagaram R$ 2 milhões diluídos na tarifa em função dos riscos hidrológicos.

Apesar disso, o presidente da Thymos Energia - Consultoria, João Carlos Mello, vê a decisão com bons olhos e diz ser esta uma tendência mundial. "Já aconteceu com a EDF na França, com a EDP em Portugal e com a Enel, na Itália. Isso permitiu que as empresas, em vez de deficitárias, se transformassem em negócios lucrativos mundialmente", conta. A Francesa EDF adquiriu uma usina solar no Brasil e a Italiana Enel comprou a Celg Distribuição. Para ele, esse processo mais fortalece a empresa economicamente do que altera as regras de abastecimento elétrico.

Polêmica
A questão da privatização da Eletrobras não é um assunto novo. Já era tema de estudos do Governo Federal em 1995, mas, nem por isso, a polêmica em torno da proposta é menor. Crítico à proposta, o especialista do setor e ex-funcionário da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), Antônio Feijó, argumenta que o papel da Eletrobras e da Chesf não deveria ser mercadológico. “Elas não foram criadas com objetivo de lucratividade, mas de possibilitar o desenvolvimento regional por meio da energia.

Antes da Chesf e das outras subsidiárias criadas pelo governo, como Furnas, as empresas privadas dominavam o mercado. Não havia garantia da energia que o País precisava, nem tarifas satisfatórias para viabilizarem os investimentos”, argumenta.
Feijó faz um retrospecto do que classifica como má condução das empresas ou o motivo que levou à crise no segmento. Diz que, ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso, os modelos de operação do setor elétrico foram mudados, transformando a energia pública em um negócio privado. “As tarifas subiram, desapareceu o investimento em novas instalações. O governo seguinte de Lula não corrigiu o erro e as tarifas continuaram escalonando”, conta.

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A edição da MP 579, já no governo Dilma Rousseff, foi o golpe de misericórdia no setor, avalia o especialista. “As empresas foram sacrificadas, incluindo a Chesf, para baixar a tarifa de energia e, de fato, houve uma redução das contas. Contudo, o efeito foi temporário”, contextualiza. A privatização, que é proposta como uma solução para a situação das empresas, não seria a melhor saída, na avaliação de Feijó. “As tarifas tendem a explodir e o País pode sofrer novamente com problemas de abastecimento”, alerta.

Presidente do Sindicato dos Urbanitários, José Gomes Barbosa, concorda. “Quem paga a conta é a sociedade”, diz. Ele faz uma projeção. “Atualmente o MW/h da Chesf é vendido a R$ 62. Com a privatização, poderá voltar ao patamar de R$ 800, porque uma empresa privada priorizará o lucro”, argumenta.

Chesfianos
Para os 2,3 mil empregados da Chesf em Pernambuco, os chamados chesfianos, o cenário ainda é incerto. A carreira no órgão foi, por muitos anos, sinônimo de bons salários e estabilidade. Por isso mesmo atraia um grande contingente de profissionais altamente qualificados. “Se for privatizada, tudo vai estar nas mãos do comprador. Em casos semelhantes, de outras estatais que passaram pelo mesmo processo, a mão de obra foi massivamente substituída por terceirizados”, avaliou o presidente do Sindicato dos Urbanitários, José Gomes Barbosa.

Fórum Nordeste

Encontro acontece no Arcádia Paço, na segunda-feira (25)

O setor energético atravessa um momento de intensas mudanças no Brasil. No momento em que se rediscute a extensão da atuação pública na gestão desses recursos e o mundo persegue metas de descarbonização, debater desafios e oportunidades na produção de energia limpa e dos biocombustíveis no País se faz necessário. O Fórum Nordeste 2017, realizado nesta segunda-feira (25), abre espaço para esse debate em Pernambuco.

Realizado pelo Grupo EQM, o evento acontece no Arcádia Paço Alfândega, no Bairro do Recife, e é exclusivo para convidados.

Biocombustíveis têm destaque
O Fórum Nordeste 2017 trará painéis temáticos capitaneados por especialistas e autoridades dos setores energéticos e de combustíveis, incluindo o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, e do governador de Pernambuco, Paulo Câmara. O RenovaBio é um dos temas centrais junto com os desafios ambientes na geração de energia

"A ideia é gerar uma discussão produtiva sobre o segmento de combustíveis e energia, e seu ambiente de negócios. É um evento que já fizemos em outros momentos e estamos retomando agora, em virtude do momento atual", comenta a diretora administrativa do Grupo EQM, Mariana Costa, acerca do Fórum Nordeste 2017.

Nesta edição, o Fórum Nordeste trará painéis temáticos capitaneados por especialistas e autoridades dos setores energéticos e de combustíveis, incluindo o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, e o governador de Pernambuco, Paulo Câmara. Nas pautas, os desafios ambientais permeiam vários dos conteúdos, entre eles, o painel “RenovaBio - Uma nova política de biocombustíveis para o Brasil”, que será apresentado pelo secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do ministério de Minas e Energia, Marcio Félix, trará as propostas do Governo Federal para ampliar a produção dos combustíveis limpos no País.

Esse papel de protagonismo dos biocombustíveis tende a se consolidar no cenário nacional nos próximos anos. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética -EPE, a meta de redução das emissões de carbono assumida na COP21 pelo Brasil impõe uma produção de bioenergia de 18% de toda a energia do País. Isso implicaria em uma produção de 50 bilhões de litros de etanol. Atualmente, o setor de biocombustíveis já tem uma participação de 26,4% na matriz energética brasileira.

As vantagens dos combustíveis renováveis são muitas. Ao longo dos anos, a substituição da gasolina pelo etanol gerou uma economia acumulada de R$ 266 bilhões até 2011, ainda sob efeitos do Próalcool com a adição de etanol anidro na gasolina (27%). A medida também melhorou a qualidade do ar nas grandes cidades brasileiras e a saúde pública.

A temática de redução dos impactos ambientais na geração energética a partir dos biocombustíveis também estará presente na palestra do presidente da Datagro, Plínio Nastari, que apresentará o painel sobre “eletrificação e desenvolvimento: o papel dos biocombustíveis”. Além da perspectiva nacional, os desafios globais também estarão presentes nos debates. O acordo de Paris e as suas relações com o setor sucroenergético, por exemplo, será o tema explorado pelo secretário de Mudanças do Clima e Florestas do ministério do Meio Ambiente.

Grande produtor de etanol a partir da cana-de-açúcar, biocombustível de alto desempenho, Pernambuco tem um papel de destaque dentro da perspectiva de elevação do consumo do produto. Para tanto, no entanto, o segmento ainda espera um posicionamento do Governo Federal, no sentido de regulamentar o RenovaBio, que seria um marco legal para estimular a expansão da produção.

Painéis temáticos
"A ideia é gerar uma discussão produtiva sobre o segmento de combustíveis e energia, e seu ambiente de negócios. É um evento que já fizemos em outros momentos e estamos retomando agora, em virtude do momento atual", comenta a diretora administrativa do Grupo EQM, Mariana Costa, acerca do Fórum Nordeste 2017.

Nesta edição, o Fórum Nordeste trará painéis temáticos capitaneados por especialistas e autoridades dos setores energéticos e de combustíveis, incluindo o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, e o governador de Pernambuco, Paulo Câmara. Nas pautas, os desafios ambientais permeiam vários dos conteúdos, entre eles, o painel “RenovaBio - Uma nova política de biocombustíveis para o Brasil”, que será apresentado pelo secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do ministério de Minas e Energia, Marcio Félix, trará as propostas do Governo Federal para ampliar a produção dos combustíveis limpos no País.

Esse papel de protagonismo dos biocombustíveis tende a se consolidar no cenário nacional nos próximos anos. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética -EPE, a meta de redução das emissões de carbono assumida na COP21 pelo Brasil impõe uma produção de bioenergia de 18% de toda a energia do País. Isso implicaria em uma produção de 50 bilhões de litros de etanol. Atualmente, o setor de biocombustíveis já tem uma participação de 26,4% na matriz energética brasileira.

As vantagens dos combustíveis renováveis são muitas. Ao longo dos anos, a substituição da gasolina pelo etanol gerou uma economia acumulada de R$ 266 bilhões até 2011, ainda sob efeitos do Próalcool com a adição de etanol anidro na gasolina (27%). A medida também melhorou a qualidade do ar nas grandes cidades brasileiras e a saúde pública.

A temática de redução dos impactos ambientais na geração energética a partir dos biocombustíveis também estará presente na palestra do presidente da Datagro, Plínio Nastari, que apresentará o painel sobre “eletrificação e desenvolvimento: o papel dos biocombustíveis”. Além da perspectiva nacional, os desafios globais também estarão presentes nos debates. O acordo de Paris e as suas relações com o setor sucroenergético, por exemplo, será o tema explorado pelo secretário de Mudanças do Clima e Florestas do ministério do Meio Ambiente.

Grande produtor de etanol a partir da cana-de-açúcar, biocombustível de alto desempenho, Pernambuco tem um papel de destaque dentro da perspectiva de elevação do consumo do produto. Para tanto, no entanto, o segmento ainda espera um posicionamento do Governo Federal, no sentido de regulamentar o RenovaBio, que seria um marco legal para estimular a expansão da produção.

O Fórum Nordeste 2017 é exclusivo para convidados.
Para entrar em contato com a organização, escreva para: forumnordeste2017@gmail.com