Empresário Mário Gouveia, 79 anos
Empresário Mário Gouveia, 79 anosFoto: Divulgação/ Por Aqui Aldeia.

Um dos suspeitos de ter participado do assassinato do empresário Mário Gouveia, 79 anos, morreu na noite dessa terça-feira (23) no Hospital Otávio de Freitas (HOF), no Sancho, Zona Oeste do Recife. A morte de Wallace Everton do Nascimento, de 22 anos, aconteceu no mesmo dia do crime, ocorrido na madrugada de terça na residência do empresário, localizada dentro da área do Parque Aquático Águas Finas, no quilômetro  17 da Estada de Aldeia, em Paudalho.

Com ferimentos na perna e no abdômen provocados por balas, o rapaz teria dado entrada no hospital por volta das 6h15, poucas horas depois do assassinato. Ele teria chegado ao hospital utilizando outro nome, que seria do irmão. O suspeito foi encontrado próximo a um posto de combustíveis e, inicialmente, foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Paudalho, e, de lá foi encaminhado diretamente para a ala de risco do HOF, devido à gravidade dos ferimentos.  Mais detalhes não foram repassados pela Policia Civil de Pernambuco e nem pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) para não atrapalhar as investigações.

Na manhã desta quarta-feira (24), o dono da caminhonete vinho achada nessa terça e que teria sido usada no crime compareceu ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde se encontra o veículo, e, em seguida, seguiu para a Delegacia de Camaragibe, onde prestou depoimento. Luciano Henrique da Silva explicou que estava com a esposa quando foi abordado por bandidos por volta das 17h35 da segunda-feira (22) e teve o veículo roubado, em Santa Maria do Cambucá, no Agreste de Pernambuco.

“Eu estava indo comprar água mineral e, quando parei em frente à loja, com cinco segundos, eles me abordaram e pediram para que eu descesse. Eram três homens, mas deveria ter outro dentro do carro”, disse. “Pedi para que deixassem minha esposa descer também. E aí levaram o carro embora. Não falaram nada. Virei as costas e eles foram embora”, explicou. Ele contou que a Polícia chegou a ir atrás dos bandidos

Ainda na noite da terça-feira, o piloto do helicóptero particular de Mário Gouveia, Rodrigo Nogueira, prestou depoimento. Ele explicou que ele e a noiva foram feitos reféns durante a invasão e que também teve uma arma levada pelos bandidos. Rodrigo mora em uma casa próxima à mansão do empresário, dentro do mesmo terreno, e chegou a socorrê-lo para o Hospital Português, usando a aeronave do empresário. O corpo de Mário Cavalcanti Gouveia Filho, de 79 anos, foi enterrado no final da tarde de ontem, no Cemitério Morada da Paz, em Paulista.

Caso
O empresário foi morto durante troca de tiros com bandidos dentro da própria residência. No local, além da mansão do empresário e casas de funcionários, funcionava o parque aquático Águas Finas. A Polícia Civil de Pernambuco investiga agora as motivações do crime, assim como trabalha para identificar os criminosos, que levaram armas da coleção que Mário mantinha, assim como um baú. Imagens das câmeras de segurança estão sendo analisadas. Elas captaram o momento em que, encapuzados com toca ninja branca, vestindo coletes e portando fuzis, entraram na propriedade.

A Polícia acredita que entre 15 e 20 homens participaram da ação, que iniciou por volta da 1h50 da madrugada. Eles chegaram em duas Fiat Toro, caminhonetes na cor branca e vinho, pularam e arrombaram a porteira e renderam os vigias. Depois, renderam o piloto do helicóptero particular do empresário e a noiva dele, que foram feitos de escudo humano durante a investida à mansão, onde, além de Mário Gouveia, estavam presentes a esposa e dois funcionários.

Informações passadas à Polícia por testemunhas sustentam que o empresário reagiu à ação no ímpeto de tentar proteger a família. Um vigilante do local também reagiu e ficou ferido. O piloto teria encontrado Mário ainda com vida e o levou, de helicóptero, para o Hospital Português, no Centro do Recife. Porém o empresário não resistiu aos ferimentos e já deu entrada na unidade sem vida.

O corpo do empresário foi liberado pelo Instituto de Medicina Legal (IML), no Recife, no fim da manhã e, em seguida, foi levado para o Cemitério Morada da Paz, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife. No IML, o administrador de imóveis Williams Lins lamentou a morte do amigo cuja parceria já durava 30 anos. "Mário era um cara alegre, de uma palavra só e que não guardava rancor de ninguém. Onde chegava só tinha amizade", contou.

Investigação
A Polícia Militar informou que foi avisada, às 2h28, da ocorrência. Duas viaturas do 20º Batalhão da Polícia Militar foram acionadas, alcançando o local em poucos minutos, mesmo tendo que driblar barricadas montadas com árvores derrubadas e pregos na estrada que dá acesso ao parque aquático. O 17º BPM, 11º BPM e 2º BPM também foram mobilizados para patrulhar as rotas de fuga, que contaram com o apoio de um helicóptero do Grupamento Tático Aéreo da SDS.

Equipes do Instituto de Criminalística (IC) e do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) passaram a manhã e a tarde de ontem realizando perícia no parque aquático, assim como nas duas caminhonetes encontradas abandonadas no Cordeiro e em Paudalho. Uma delas apresentava marcas de sangue, lama e capim, que será analisado para saber se é o mesmo do parque aquático.

A perita Vanja Coelho, do IC, informou que o carro encontrado no Cordeiro transportava, no mínimo, três pessoas. Uma delas estaria lesionada da linha da cintura para baixo - o que explica as poucas manchas de sangue, que também continham água. “As portas estavam destrancadas, mas não abertas, e houve a tentativa de incendiar o carro”, conta. Além disso, documentos do veículo, fabricado em 2019, foram encontrados. “Pode haver uma comparação entre o capim que cresce na área do crime com o que foi encontrado no veículo."

A ação, segundo informações da Polícia Militar, tinha o objetivo de levar uma coleção de armas da vítima, além de dinheiro. A Polícia Civil de Pernambuco, por meio da DHPP Divisão Norte, instaurou inquérito e está investigando o caso. Uma equipe coordenada pelo delegado da 10ª DPH/DHPP, Daniel Lira, está à frente das investigações.

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