Diferença de idade entre Brigitte e Macron causou frisson
Diferença de idade entre Brigitte e Macron causou frissonFoto: stephanie de sakutin/afp

A nova primeira-dama da França, Brigitte Macron, 64 anos, tem sido assunto de jornais de todo o mundo desde que o marido, Emannuel Macron, assumiu a Presidência, no último fim de semana. O motivo do frisson, contudo, é reprovável e não versa sobre a nova posição na comunidade francesa. É a diferença de idade do casal que pauta os hebdomadários. Ela tem tem 25 anos a mais que o político. À CNN, ele desabafa e garante: “Se fosse um homem 25 mais velho que a mulher, isso não aconteceria”. Por quê?

A jornalista Andrea Trigueiro casou aos 20 com um homem de 39. A eles, não direcionavam olhares na rua. Não havia julgamento. “Nas brincadeiras dos amigos, quando havia, era tratando ele como se estivesse arrasando por estar com uma mulher mais nova”, lembrou. Hoje, aos 46, Andrea vive a situação oposta. Encontrou num homem 20 anos mais jovem o seu grande amor. “Quando ele tinha 19 e eu, 39, as pessoas nos olhavam na rua. Algumas o confundiam com um filho e as brincadeiras são de que eu o estava aliciando.”

A diferença de tratamento nos dois casos está baseada na cultura do machismo, de acordo com a doutora em sociologia Cristina Buarque. “Existem estereótipos de beleza para a mulher que são relacionados à juventude. No homem, não tem idade. Os dois envelhecem, mas o homem não é um objeto de uso e troca, como a mulher. Ele é um ser importante na sociedade”, criticou. Cristina ainda percebe que a relação de dominação é levada em consideração no imaginário coletivo. “Um homem mais novo, como o presidente, com uma mulher mais velha, é como se ele renunciasse à dominação sobre a mulher que pensa ter direito. Num pensamento inconsistente e retrógrado, principalmente dentro do campo político, tem força o pensamento de que ele vai ser dominado por ela.”

O marido de Andrea, o também jornalista Jefte Amorim, 25, avalia a questão de maneira afim à de Cristina. Para ele, a mercantilização do corpo feminino está por trás do pensamento que rechaça relacionamentos com essa diferença de idade. “É esquizofrênico que haja aversão em relação à sexualização infantil quando se fetichiza a beleza feminina púbere. Para o homem, é uma espécie de troféu ter uma mulher muito mais nova”, avaliou. “No caso de mulheres que são mães, como Andrea, que tem um filho quatro anos mais novo que eu, o preconceito é maior. Isso porque se pensa que o papel social de mãe como se fosse um martírio que a mulher precisa cumprir. E o homem tem que rejeitá-lo.

Jefte não pretendia casar ou ter filhos, mas considera que ter as duas vivências ao mesmo tempo foi a melhor experiência da vida. “Todo casal tem uma dinâmica única. A diferença de idade e a existência de um filho só influenciam em como essa dinâmica vai ser. É preciso romper a cristalização dessa objetificação do corpo feminino.”

Além da diferença de idade, o casal tem outra semelhança com o presidente e a primeira-dama franceses. Ambos se conheceram numa relação aluno-professor. Andrea e Jefte se apaixonaram assim na faculdade jornalismo. Emannuel foi aluno de Brigitte aos 17, quando ela era casada. Já falava do seu amor. Mais de dez anos depois, ficaram juntos. “O amor dele foi levando tudo pelo caminho e levou-me ao divórcio”, contou a um jornal inglês.

 

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