Dona Sevi escreveu livro sobre a fé no santuário
Dona Sevi escreveu livro sobre a fé no santuárioFoto: Arthur de Souza

No coração do Morro batem a tradição e a devoção por Nossa Senhora da Conceição. No período que rende homenagens à Santa, o local é alvo de olhares de milhares de fiéis. Entre eles está dona Severina, que é mais conhecida como Sevi, 82 anos. Moradora do Morro há 66 anos, viúva e mãe de seis filhos, ela conta a história de fé que inspira as pessoas da região e outras tantas de fora que não deixam de visitar Nossa Senhora nesta época. O livro “Aos pés da Santa - a história de um povo”, ao qual Sevi dedicou cinco anos de sua vida, retrata o nascimento da adoração. “Esse livro é uma história viva dos primeiros moradores e dos filhos dos primeiros moradores”, comenta. A obra foi publicada em novembro de 2012 e ganhou uma segunda edição no ano passado. O prefácio do livro foi escrito pelo arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido.

Nascida no Engenho Oriente no Município de Itambé, chegou ao Morro e logo se integrou à Igreja e à história do povo daquela região. Sevi enfatiza que antes da chegada da imagem de Nossa Senhora, em 8 de dezembro de 1904, vinda da França, não havia moradores. “Era uma área de mata chamada de Outeiro da Boa Vista. A imagem da santa abriu todo esse espaço”, lembra. O primeiro capítulo do livro se chama “O Morro e a minha vida”, no qual ela descreve todo o desenrolar histórico. “É quando eu começo a minha vida de luta e de trabalho. A minha vida no Morro foi de sacrifícios, pegando água de Casa Amarela com uma lata d’água na cabeça, junto com os demais.”

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A obra também faz um comparativo do Morro antigo com o atual. Uma parte se dedica a contar as dificuldades dos moradores, que sofriam sem escolas, nem posto médico e com a falta de energia. “Lutamos para ter o que tinha em Boa Viagem. Porque lá tinha energia elétrica e nós utilizávamos candeeiro”, lembra. “Nesse percurso do Morro sofrido à realidade de hoje, graças a palavra de Deus, as pessoas se conscientizaram de seus direitos e deveres e começaram a mudar a mentalidade”, acrescenta.

Dentro das memórias que a obra carrega está também a luta da comunidade na época da ditadura militar. “Em pleno golpe militar, em 1964, dom Helder Câmara veio do Rio de Janeiro para ser o arcebispo de Olinda e Recife. Trabalhei mais de 20 anos com aquele homem.” À época, de acordo com a moradora, o Exército e a Polícia Federal ficavam perseguiam pároco, Padre Reginaldo. “Uma vez eu perguntei a um deles: se Maria estivesse aqui, vocês iriam prendê-la também?”

A tradicional Festa do Morro não poderia faltar nos relatos de Sevi. “Quando conheci, as gambiarras eram de pau, tudo era muito simples. E hoje é essa riqueza.” Atualmente, a escritora está trabalhando na produção de um novo livro chamado “Milagres da Santa”. Pretende lançá-lo em 2018.

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