Metrô do Recife
Metrô do RecifeFoto: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

No Metrô do Recife, o drama do custeio também é realidade. A passagem está congelada há seis anos em R$ 1,60, metade do anel A (R$ 3,20) do transporte por ônibus do Grande Recife. Mas isso também está para mudar. A superintendência regional da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) já está fazendo estudos para tirar do papel um reajuste. O valor que passará a ser cobrado nas bilheterias ainda não está fechado. A avaliação deve ser enviada, ainda neste mês, para o Ministério das Cidades, que pode aprovar ou não o aumento.

Conforme dados obtidos pela Folha de Pernambuco via Lei de Acesso à Informação, o metrô do Recife arrecadou, em 2017, R$ 65,3 milhões, o que não custeia nem 25% do sistema. Diferentemente dos ônibus, que têm que ser arcados pela tarifa, quem paga 75% do metrô é o Governo Federal, por meio de subsídios. Se não fosse assim, o valor da passagem teria que beirar R$ 8 para conseguir manter o equilíbrio econômico-financeiro da operação, de acordo com estudo feito pela CBTU em 2016.

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“Seria impraticável. Algo menor, R$ 3,30, por exemplo, seria possível se não tivéssemos integração com os ônibus. Mas o sistema hoje é integrado. É bom para o usuário, que anda a Região Metropolitana toda com uma passagem. Só que essa partilha tarifária tem se mostrado danosa não só para o metrô, mas também para o SEI [Sistema Estrutural Integrado] como um todo. Não posso dizer aqui que os ônibus estão numa boa, porque não estão”, argumenta o superintendente regional do metrô do Recife, Leonardo Villar Beltrão.

Segundo o gestor, a passagem a R$ 1,60 é a menor entre todos os sistemas de metrô brasileiros. “Desse valor, a gente só recebe, em média, R$ 0,55. E, além disso, com as integrações, 57% dos nossos usuários não pagam a tarifa. Sofremos pressões do Governo, dos próprios rodoviários, por estarmos praticando uma passagem muito abaixo. Estamos fazendo um estudo junto ao Ministério, fazendo cálculos, uma atualização financeira e, neste mês, devemos mandar a proposta. Mas existe um tempo que não sei dizer entre o envio e a aprovação ou reprovação”, explica Beltrão, acrescentando que o metrô está buscando mecanismos para acabar com a evasão de receita.

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