Em coletiva de imprensa, Polícia Civil de Pernambuco confirma que corpo encontrado é do médico Denirson
Em coletiva de imprensa, Polícia Civil de Pernambuco confirma que corpo encontrado é do médico DenirsonFoto: Pedro Oliveira/Portal FolhaPE

Em coletiva de imprensa na tarde desta terça (10), a Polícia Civil de Pernambuco confirmou que o corpo encontrado na cacimba do condomínio Torquato Castro, em Aldeia, é do médico e advogado Denirson Paes da Silva, de 54 anos. O chefe da PCPE, Joselito Kehrle, também informou que as buscas no local devem continuar nesta terça. Mais cedo, o pai da vítima, Francisco Ferreira, confirmou à Folha de Pernambuco o resultado do exame de DNA.

"Ainda não há a conclusão da investigação. Até os Bombeiros informarem que não estão encontrando mais partes do corpo, não encerraremos as buscas. À medida que os restos mortais do corpo forem encontrados, eles serão encaminhados ao Instituto de Medicina Legal (IML). Com o fechamento das perícias e com o trabalho de campo realizado pela polícia, nós esperamos fechar o inquérito com elementos suficientes para o indiciamento final e a prisão preventiva de Jussara e Danilo Paes (esposa e filho do médico)", disse Kehrle.

Ainda de acordo com o ele, a motivação do crime seria a separação de Jussara e Denirson."Acreditamos que o crime teria sido motivado pela separação do casal, que envolve a divisão de bens", acrescentou.

Ainda segundo o chefe da PCPE, foram realizadas buscas na quarta (4), quinta (5) e nesta terça (10), quando só foram encontrados ossos. Ele contou que mais partes do corpo de Denirson foram encontrados nesta terça depois que os Bombeiros realizaram escavação dentro da cacimba.  Ele relatou ainda que no local foi encontrada metralha, oriunda de um depósito de concreto quebrado próximo à área da piscina, e areia. "Desde o primeiro dia que encontramos a primeira remessa dos restos mortais do médico, no dia 4 de julho, nós achamos posteriormente areia e metralha que foi jogada alternadamente em cima dos fragmentos, o que dificulta o trabalho dos Bombeiros", disse.

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A polícia afirmou que até o momento não há suspeita de que outras pessoas estejam envolvidas no crime. "Nesse momento da investigação não há indícios de participação de outras pessoas. A esposa e o filho do médico podiam ter cometido todo o crime sozinhos. Acreditamos que eles tenham levado quatro dias para concluir todo o processo", contou o chefe da PCPE

Kehrle disse também que mesmo que não haja a definição da causa-morte do médico, a polícia já comprova que o crime configura-se como homicídio qualificado. "É bom deixar claro que se houver a indefinição da causa-morte por parte dos médicos legistas pela decomposição dos restos restos mortais, a natureza jurídica do fato já está muito clara: foi homicídio qualificado com ocultação de cadáver".

De acordo com o pai de Denirson, a família estava aguardando a localização de outras partes do corpo para liberação e encaminhar à Bahia, onde serão enterradas. Pela manhã, uma empresa de alpinismo esteve no condomínio para auxiliar nas buscas. Dois profissionais da empresa Ranger SMS Alpinismo Industrial estiveram no local, e uma estrutura com ganchos foi montada ao lado da cacimba, provavelmente para viabilizar a descida.

A movimentação policial no condomínio foi intensa. Além de viaturas da Polícia Civil - à frente, a delegada Carmem Lúcia, da Delegacia de Camaragibe -, também estiveram no residencial pelo menos um veículo do Instituto de Criminalística, que chegou no início da tarde, e um carro do Corpo de Bombeiros.

Suspeitos
A esposa e o filho do médico, a farmacêutica Jussara Rodrigues da Silva Paes, 54, e o engenheiro civil Danilo Paes, 23, estão presos temporariamente. O advogado Alexandre Oliveira, responsável pela defesa dos suspeitos, informou, nesta terça (10), que irá ao Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, portando documento de graduação de Danilo para solicitar a transferência da cela comum para uma cela especial. O advogado também confirmou que entrará com o pedido de habeas corpus dos clientes nesta quarta (11).

Entenda o Caso
O desaparecimento do médico cardiologista Denirson Paes da Silva vinha sendo investigado há quase um mês. Em um Boletim de Ocorrência registrado no último dia 20 de junho sobre o desaparecimento do marido, a farmacêutica Jussara Rodrigues Silva Paes, 54, alegava que a vítima teria viajado para fora do País e que não teria retornado. A delegada Carmem Lúcia desconfiou do envolvimento dos familiares e solicitou um mandado de busca e apreensão no condomínio em que eles moravam.

Para a polícia, há indícios suficientes da participação de mãe e filho na ocultação do cadáver do médico, encontrado na quarta-feira (4) dentro de uma cacimba na casa onde morava, no condomínio Torquato Castro, na Estrada de Aldeia, em Camaragibe, Região Metropolitana do Recife. As investigações continuam a fim de esclarecer a motivação e a conduta de cada um.

Vizinhos do médico afirmaram que dois funcionários dele prestaram depoimento. Um deles teria afirmado que a esposa da vítima o chamou dias atrás para fechar, com cimento, uma cacimba que já estaria fechada com uma tampa "bastante pesada para ser carregada por uma pessoa só". O homem teria notado um mau cheiro, mas a farmacêutica alegou que um gato tinha morrido dentro da cacimba.

O segundo funcionário contou à polícia que o médico, pouco antes de desaparecer, tinha explicado a ele que não precisaria mais de seus serviços porque estaria se separando e iria morar no Recife.

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