Jussara Rodrigues e o filho mais velho do casal, Danilo Paes, estão presos temporariamente
Jussara Rodrigues e o filho mais velho do casal, Danilo Paes, estão presos temporariamenteFoto: Rafael Furtado

O presidente da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), o desembargador Antônio de Melo e Lima, negou, nesta quinta-feira (12), o pedido de habeas corpus de Jussara Paes, de 54 anos, e Danilo Paes, 23 anos, esposa e filho suspeitos do assassinato e ocultação de cadáver do médico cardiologista e advogado Denirson Paes. Nesta quinta, no fim da tarde, a Polícia Civil de Pernambuco informará, em coletiva de imprensa, as novas informações sobre as investigações do caso - acompanhe no FolhaPE.

A solicitação de soltura foi feita ao TJPE no início da tarde dessa quarta-feira (11) pelo advogado dos dois, Alexandre Oliveira. Jussara e Danilo tiveram a prisão temporária de 30 dias decretada na última quinta-feira (5). Junto ao indeferimento do pedido de habeas corpus, foi solicitado o segredo de justiça sobre a sequência do processo. Eles seguirão presos na Colônia Penal Feminina do Recife e no Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna. 

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   Boletim de Ocorrência

Em 20 de junho, Jussara e a irmã do médico, Cleonice Paes da Silva, foram à Delegacia de Camaragibe para registrar boletim de ocorrência pelo desaparecimento do médico. Chama atenção o fato de que o registro indica que a farmacêutica levou o passaporte de Denirson para a Delegacia, que foi usado para geração da ocorrência.

Parentes confirmaram à reportagem que Cleonice acompanhou a cunhada à delegacia, naquele dia, e que Jussara teria resistido a prestar queixa pelo desaparecimento de Denirson, alegando que poderia prejudicar o médico no trabalho. Então, o filho caçula do casal, Daniel, teria dado o ultimato: se a mãe não procurasse a polícia, ele iria. A família do médico desconfiou do sumiço, mas não cogitava que Danilo e Jussara pudessem estar envolvidos. “A suspeita da polícia pegou todo mundo de surpresa”.

   Entenda o caso

O desaparecimento do médico cardiologista Denirson Paes da Silva vinha sendo investigado desde meados de junho. Em um Boletim de Ocorrência registrado no último dia 20 de junho, a farmacêutica Jussara Rodrigues Silva Paes, 54, alegava que a vítima teria viajado para fora do País e que não teria retornado.

A delegada Carmem Lúcia desconfiou do envolvimento dos familiares e solicitou um mandado de busca e apreensão no condomínio em que eles moravam. Para a polícia, há indícios suficientes da participação de mãe e filho na ocultação do cadáver do médico. Os primeiros restos mortais dele foram encontrados na última quarta-feira (4) dentro de uma cacimba na casa onde morava, no condomínio Torquato Castro, em Aldeia.

Vizinhos do médico afirmaram que dois funcionários dele prestaram depoimento. Um deles teria afirmado que a esposa da vítima o chamou dias atrás para fechar, com cimento, uma cacimba que já estaria lacrada com uma tampa "bastante pesada para ser carregada por uma pessoa só". O homem teria notado um mau cheiro, mas a farmacêutica alegou que um gato tinha morrido dentro da cacimba.

O segundo funcionário contou à polícia que o médico, pouco antes de desaparecer, tinha explicado a ele que não precisaria mais de seus serviços porque estaria se separando e iria morar no Recife.

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