Era uma vez

Leusa Santos

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Autoritário, repentino e multifacetado é o riso
Autoritário, repentino e multifacetado é o risoFoto: Pixabay/Cortesia

 

O riso é, sim, uma manifestação de alguém que está feliz.
Mas é também desespero de alguém em aflição.
Porque o riso tem essa característica de ser, em si, oposição.
O riso é ainda um recurso de quem é pego de surpresa e, sem saber o que dizer, ri.
Ri o riso dos fujões ou dos traídos pela falta de reação ao assalto de um argumento.
O riso é, sim, autoritário.
Impõe com uma cara engraçada uma inocente piada, que de nada disso tem.
Tem pavor, rancor, preconceito. Mas o riso tudo abafa. E aparece, ali, sorrateiro e inconveniente. Senhor de sua presença.
O riso é, sim, falta de assunto.
Provocação e até irritação.
Testa os nervos de quem vê em tudo um opositor.
Testa também os nervos daquele professor.
Que suporta, ou não, os risinhos quando tira os olhos do grupo.
O riso, em suas variantes e sob todas as suas relatividades, é imprevisível.
É um enigma. Porque nem todo riso é sincero.
E quando falta a verdade, sobra autoridade.
Quem ri do alto, inscreve-se na história dos ditadores.

 

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